Homem de Ferro 2: Visões de um Marvelmaníaco

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Após as belas resenhas da Melissa e do Felipe, resolvi deixar aqui as impressões de alguém que, antes de mais nada, lê os quadrinhos e aguarda ansiosamente pelos próximos filmes baseados nas revistas da editora, ou seja, essa resenha vai ser extremamente tendenciosa, mas detalhista.

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Percebe-se pela quantidade extensa de críticas distintas, algumas adorando e outras nem tanto, atacando especialmente o ritmo do filme, que este filme não será uma unanimidade. Porém, é justo dizer que foi necessário que o ritmo do filme fosse mais cadenciado, não estamos precisando de um pornô com armaduras. A variação do tom do filme e do ritmo mostra que o diretor acredita plenamente que sua platéia está apta a aceitar estas modificações em prol de poder contar uma história com mais detalhes, mostrando uma melhor relação entre os personagen, e com tudo isso, poder criar a atmosfera ideal para criar uma ligação para o futuro.

Desde o começo do filme, após a aparição do Homem de Ferro na Stark Expo e sua eventual intimação para comparecer ao Senado Americano, vemos que começam a surgir as ligações com os outros filmes da Marvel. Na cena da intimação em si, Tony Stark (Robert Downey Jr.) pede para ver a insígnia da oficial e ela mostra uma insígnia com uma estrela cercada por um círculo, nos moldes do escudo do Capitão América. Detalhes, detalhes, eu sei, mas neste tipo de filme, os detalhes jamais podem passar desapercebido, afinal, eles estão ali para os fãs de quadrinhos.

Homem de Ferro 2: Visões de um Marvelmaníaco | Filmes | Revista AmbrosiaO filme retrata uma certa histeria do governo americano pela posse da armadura do Homem de Ferro em razão de achar que uma nova corrida armamentista começou devido às intervenções de Stark em diversos locais do mundo, praticamente acabando com as guerras. Após argumentar e humilhar Justin Hammer (Sam Rockwell) em rede nacional de televisão e perante o Senado, Stark declara que privatizou a paz mundial. E isso, para um milionário/herói egocêntrico é quase como uma droga.

Há, a partir daí a demonstração da nova relação que Tony e o Coronel Rhodes (Don Cheadle), que veio para mostrar que Terrence Howard perdeu a maior boquinha de ser a Máquina de Combate. Ele entra no papel meio acanhado no começo, mas, ganha força e importância do meio ao final do filme, mostrando inclusive ser ele um dos poucos homens em quem Tony confiaria plenamente o uso da armadura. Faltou em ambos os filmes a melhor exploração desta amizade, mas, ela está presente.

A intoxicação que ele vem sofrendo devido ao paládio nada mais é do que uma analogia com o vício em usar a armadura de modo frenético, seja para fins próprios, seja para lutar através do mundo. Ele tenta fugir daquilo, mas nada que ele faça sozinho dá resultado. Lembra um pouco o conceito criado na série “Demônio na Garrafa”. O ápice disso se dá em sua festa de aniversário na qual ele, bebe o que pode e não pode, usando a armadura do Homem de Ferro. Ali é o fundo do poço para Stark e devido à isso, o governo e aqueles à sua volta se vêm obrigados a tentar mudar algumas coisas.

Aí entra Nick Fury (Samuel L. Jackson) e a S.H.I.E.L.D., mostrando que Natasha (Scarlett Johansson), sua nova secretária, é uma espiã colocada dentro da empresa para o analizar e cuidar dele e da armadura do Homem de Ferro, e, posteriormente, mostrando a ele alguns fatos sobre o passado do pai que ele não sabia

Talvez o grande mérito do roteirista Justin Theroux seja conseguir conciliar o que os fãs de quadrinhos querem ver com as expectativas do espectador comum de cinema. Um filme baseado em histórias em quadrinhos não precisa ser recheado de ação e citações das histórias para ser memorável. A história, os vilões, a trama, tudo isso é muito mais importante do que ver o Homem de Ferro voando e lutando. De fato, as lutas são poucas, mas todas são intensas e passam uma sensação de que o herói vai apanhar muito antes de conseguir a vitória. Esse tipo de situação é que cria a grandiosidade de um filme e não a quantidade de explosões por segundo (anota isso Michael Bay!).

Homem de Ferro 2: Visões de um Marvelmaníaco | Filmes | Revista AmbrosiaUm detalhe que podia ser visto desde os trailers é que a roupa de Natasha (ela nunca é citada como Viúva Negra) tem o logotipo da S.H.I.E.L.D. no ombro. Como que eu olhei só pro logotipo e não pro resto? Não olhei, eu vi depois quando tava procurando fotos na internet.

Ainda, percebeu-se que houve claramente a intenção de criar o alicerce dos próximos filmes da Marvel, afinal, Favreau vai ser o produtor de Vingadores e ele sabe muito bem em que pé o filme da equipe terá de começar para ser um sucesso extrondoso. As intervenções de Nick Fury e da S.H.I.E.L.D. foram pequenas, porém importantes para se criar o contexto da Iniciativa dos Vingadores, algo que fatalmente será explorado mais aprofundadamente em Thor e Capitão América. Falando nos dois, chamo a atenção do leitores para a aparição das armas de ambos os heróis no filme. Uma delas, numa versão meio desconfigurada, e outra em sua bela plenitude e força.

Fica aqui então a dica para os leitores do site não só assistirem o filme, mas esperar que no final, ainda que recompensados totalmente com uma continuação ótima, ficamos ainda com aquele gostinho de quero mais, que só será saciado com os próximos filmes da editora/produtora.

J.R. Dib

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