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"Madame" é uma comédia que se perde em sua inconsistência

Comédias de erros se bem alinhavadas rendem peças ímpares, como “Um Convidado Bem Trapalhão”, o melhor exemplo. Por ser quase uma garantia de sucesso, a fórmula é realmente irresistível. A cineasta francesa Amanda Sthers, em seu segundo trabalho no cinema, quis transitar nessa seara com o filme “Madame” (idem, França/2017). Ali ela tenta seguir à risca a cartilha do gênero.
O enredo se desenvolve a partir de quando Anne (Toni Collette) e Bob (Harvey Keitel), um rico e bem relacionado casal americano, se muda para uma mansão em Paris, a fim de adicionar um pouco de tempero a um casamento fragilizado. Ao preparar um jantar particularmente luxuoso para amigos internacionais sofisticados, a anfitriã descobre que há treze convidados. Em pânico, Anne insiste com sua leal empregada Maria (Rossy de Palma) para que ela ocupe a décima quarta cadeira se passando por uma misteriosa nobre espanhola. Só que um pouco de vinho e uma conversa descontraída alteram o script e a serviçal acaba até atraindo o interesse de um dos convidados.
"Madame" é uma comédia que se perde em sua inconsistência | Críticas | Revista Ambrosia
O mote não é nem um pouco original, mas esse não é o problema. Sthers (que também assina o roteiro) parece não saber exatamente o que fazer com ele. A começar pelas inconsistentes motivações dos personagens, incluindo sobretudo a que desencadeia a trama. Como sitcom o resultado também é irregular. Algumas piadas funcionam, outras arrancam apenas um sorriso de canto de boca ou nem isso. A questão de luta de classes que é sutilmente inserida suscita um debate interessante e a trama poderia até ganhar mais força fosse ainda mais fundo.
"Madame" é uma comédia que se perde em sua inconsistência | Críticas | Revista Ambrosia
“Madame” acaba mesmo sendo um veículo para Rossy de Palma desfilar sua graça e seu rosto singular. A atriz descoberta pelo diretor Pedro Almodóvar nos anos 80 brilha mesmo com um material pouco inspirado em mãos. É perceptível que o papel foi feito para ela. Assim como é nítida a forte influência do cineasta espanhol sobre esse trabalho da diretora. Para Toni Collette e Harvey Keitel ficou a função de escada. Uma pena ver dois atores desse quilate tão desperdiçados. E o arco de nenhum dos personagens é concluído adequadamente.
No fim das contas, “Madame” é uma comédia de equívocos por sua condução. O talento de Rossy é incontestável, mas só ele não é o bastante para avigorar uma trama tão inconsistente. Nas mãos de um Almodóvar certamente o resultado seria outro.
"Madame" é uma comédia que se perde em sua inconsistência | Críticas | Revista AmbrosiaFilme: Madame (idem)
Direção: Amanda Sthers
Elenco: Rossy de Palma, Toni Collette, Harvey Keitel
Gênero: Comédia
País: França
Ano de produção: 2017
Distribuidora: Califórnia Filmes
Duração: 1h 30 min
Classificação: 14 anos

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