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Mesmo excessivamente engenhoso, “Os Suspeitos” reflete o domínio cinematográfico e humano de Denis Villeneuve

Um dos filmes mais impactantes da última década, “Incêndios”, tinha por trás o preciosismo impiedoso e preciso de diretor canadense Denis Villeneuve, que faz bom uso de dois pilares de seu talento de filmar: a objetividade dramática e a força imagética do universo pretendido.
Em seu primeiro filme hollywoodiano, o diretor parece não temer a pressão de ser mainstream, mantendo com afinco sua autorialidade. “Os Suspeitos”, tradução inexplicável para o original Prisoners, é um dos grandes filmes de 2013. Sua apropriação do suspense é parecido com a apropriação que “Incêndios” fez do drama: o roteiro faz do gênero um estímulo dramatúrgico e não uma muleta estilística.
No Dia de Ação de Graças, duas famílias, os Rover e os Birch, se reúnem para passar o feriado juntas. Tudo transcorre bem até as meninas Anna Dover (Erin Gerasimovich) e Joy Birch (Kyla Drew Simmons) irem brincar sozinhas na rua. Elas desaparecem sem deixar pistas. Keller (Hugh Jackman) e Grace (Maria Bello), Franklin (Terrence Howard) e Nancy (Viola Davis),  pais de Anna e Joy, respectivamente, recorrem à polícia que envia o detetive Loki (Jake Gyllenhaal) para investigar o desaparecimento. Com o passar do tempo, cada vez mais desesperado, Keller decide agir por conta própria sequestrando Alex Jones (Paul Dano, ótimo), o único suspeito.

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A trama criada pelo roteirista Aaron Guzikowski é até excessivamente engenhosa, mas por outro lado é impressionante a fluência com que resolve a contento todas as pontas soltas que vai deixando ao longo de suas longas duas horas e meia de duração. A história (e seu desenvolvimento) lembra outros filmes do gênero, como a obra-prima de Clint Eastwood, “Sobre Meninos e Lobos”, principalmente no tocante a estruturação de suas importantes viradas.
Denis tem um domínio importantíssimo da forma como quer contar aquela história para que não caia nas próprias armadilhas narrativas que cria. E o faz com habilidade invejável. Todas as oportunidades de tensão são legítimas, assim como põe a câmera para expressar as ironias de seu roteiro, ora para denotar a complexa religiosidade da família, ora para abranger o desenvolvimento dos personagens. O elenco é ótimo sem exceções, mas é inevitável não falar da perturbadora performance de Jackman e da curiosa composição de Gyllenhaal, assim como Viola Davis, que sempre merece mais tempo na telona, tamanho o seu talento. O título original, Prisioneiros, é certeiro ao trazer já de cara as consequências cruciais que os personagens dessa história estarão envoltos.

Os Suspeitos é um filme duro, triste, mas de feitura cinematográfica intensa e que intriga até seu último minuto. Recomendo, com minhas unhas corroídas…

[xrr rating=4/5]

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Publicado por Renan de Andrade

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