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“No Coração do Mar”: entre o real e o imaginário

 

O que de verídico é possível ter no clássico da literatura Moby Dick é trabalhado de maneira bem assertiva pelo diretor Ron Howard na aventura No Coração do Mar. É também o que o legitima.

O autor Herman Melville se inspirou em um naufrágio real ocorrido em 1820 para conceber seu mais famoso livro. Howard – que parece ter largado de vez a narrativa burocrática de seus filmes anteriores, e aprendido a contar histórias unindo técnica com apelo dramático, como nos recentes e ótimos Frost/Nixon e Rush – construiu seu filme sob duas matizes: o realismo (da relação de bravura do homem e sua fixação com o mar) e lirismo (na representação quase mitológica da imensa baleia).

No inverno de 1820, o barco baleeiro da Nova Inglaterra Essex foi atacado por algo em que ninguém podia acreditar: uma baleia de imenso tamanho e determinação, e um sentido de vingança quase humano.

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Heart of the Sea revela as terríveis consequências do encontro, à medida que a tripulação sobrevivente do barco é levada aos seus limites e forçada a fazer o impensável para permanecer viva.

Enfrentando tempestades, fome, pânico e desespero, os homens serão levados a questionar suas crenças mais profundas, do valor de suas vidas à moralidade de sua atividade, enquanto seu capitão busca orientação no mar aberto e seu primeiro suboficial ainda tenta derrotar a grande baleia.

O filme se constrói o tempo inteiro sob esses princípios, destacados até no antagonismo entre o capitão George Pollard (Benjamin Walker) e o Primeiro Imediato (Chris Hemsworth). No Coração do Mar representa aquele tipo de cinema das matinês sessentistas: uma ode ao heroísmo clássico, mesmo que deixando visível o que tem de real e o que se permite imaginário.

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