"O Fim do Mundo" é mais que um favela movie à suíça | Críticas | Revista Ambrosia
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“O Fim do Mundo” é mais que um favela movie à suíça

“O Fim do Mundo”, longa integrante do 8º Festival de Cinema Suíço, em edição online, chama atenção do espectador brasileiro por ser uma produção suíça no nosso idioma.

Embora legendas sejam necessárias, pois o português em questão é proveniente de uma região periférica em Lisboa, o bairro da Reboleira, onde a maioria da população é formada por imigrantes das antigas colônias portuguesas na África, ou seja, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, e, na maior parte, de Cabo Verde.

Daí, o que é falado ali é um misto do português da terra de Camões, que já apresenta uma certa dificuldade de compreensão a alguns ouvidos brasileiros, com peculiaridades linguísticas dessas regiões africanas.

Na trama, o jovem Spira (Michel David Pires Spencer), de 18 anos, que passou os últimos 8 em num reformatório está de volta ao cenário onde cresceu. No reencontro com seus amigos, o rapaz percebe que as coisas estão mudando. Mas o quanto continuam da mesma forma? E o quanto ele próprio mudou?

A comunidade é “governada” pelo torcedor fanático do Benfica Kikas, chefão do tráfico, posto almejado por Giovani (Marco Joel Fernandes), amigo de Spira.

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A primeira impressão é a de se tratar de apenas mais um favela movie ainda na esteira de Cidade de Deus, estética cinematográfica que o Brasil exportou com êxito e foi seguida lá fora por produções como o vencedor do Oscar “Quem Quer Ser Um Milionário”.

Mas aqui, o diretor luso-suíço Basil da Cunha busca não focar na violência estilizada (na verdade uma herança de Quentin Tarantino apropriada pelos cineastas brasileiros) e nem o “coitadismo” ou vitimismo de quem vive na pobreza.

O cineasta procura mirar sua câmera nas adversidades do cotidiano de uma comunidade carente, como as ordens de demolição de casas na área, nos elementos prosaicos e até nos sonhos de cada um, como a da menina Iara, interesse amoroso de Spira, e os próprios anseios de mudança do rapaz, colocados em conflito com sua realidade indelével, o que o diretor extrai apenas em enquadramentos oportunos de expressões sutis.

A opção por um elenco de amadores, com espaço para o improviso, escolha de certa forma comum em filmes que abordam uma realidade, consegue êxito em imprimir boa dose de naturalismo

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O filme se inicia com o batizado de uma bebê, indicando esperança, para, a partir dali, contextualizar o espectador. Em seu segundo trabalho como diretor de longas-metragens, Basil se sai bem ao explorar esse outro lado da capital portuguesa com a qual é inevitável a comparação das favelas brasileiras. Um ponto (infelizmente negativo) que une o Brasil e sua antiga metrópole.

Nota: 3,5 de 5 estrelas – Ótimo

“O Fim do Mundo” é mais que um favela movie à suíça
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