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"Philomena" usa do humor para aliviar a seriedade do tema abordado

Você diria que é bom em guardar segredos? Pois é algo que requer um esforço e tanto para fazer, afinal, grande parte da humanidade tem essa necessidade de dividir problemas e procurar por conselhos, logo não permanecem ‘secretos’ por muito tempo. Hã quem consiga, há quem não. A irlandesa, Philomena Lee guardou o seu por longos 50 anos até finalmente conseguir contá-lo as outras pessoas e pedir ajuda. É o que veremos em “Philomena”, filme que leva seu nome.

Em alguns lugares na década de 50 e 60 era comum existirem instituições religiosas regidas por freiras e apoiadas pelo estado. Tal local abrigou inúmeras moças ditas desorientadas e promíscuas ao longo dos anos. Quando na verdade, a maioria apenas carecia de um pouco mais de informação. Foi em uma dessas instituições que Philomena (Judi Dench) com apenas 18 anos foi parar, após ter engravidado acidentalmente, pois lhe faltava conhecimento. O acordo era que ela teria que trabalhar para pagar sua estadia no local e também as despesas médicas, assim, durante alguns anos, Philomena ocupou a lavanderia da instituição após ter dado a luz a um lindo menino a quem ela chamou de Anthony. Infelizmente, ela, assim como outras meninas, só dispunham de 1 hora diária para passar com seus filhos que ao atingirem a idade máxima de três anos eram adotados. Em um golpe do destino, Anthony foi adotado antes do prazo e Philomena ficou inconsolável, carregando por anos a culpa por tudo o que aconteceu.

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Em uma data especial, 50 anos do aniversário de Anthony, ela decide se abrir com sua filha Jane (Anna Maxwell Martin) que compadecida da história da mãe, decide ajudá-la. É então que em uma festa de comemoração do Ano Novo, onde ela está trabalhando, acaba por conhecer o jornalista Martin Sixsmith (Steve Coogan), que está desempregado e precisando de uma nova história. Jane conta a ele o que aconteceu a sua mãe e apesar de relutante a princípio, ele aceita encontrar com Philomena e descobrir o restante da história. Philomena agora é uma senhora, bastante carismática, alegre e muito devota, algo que incomoda Martin profundamente devido aos fatos que ocorreram a ela. Ele concorda em escrever a história e com isso investigar o que aconteceu a Anthony. Os dois irão formar uma dupla improvável e ir a fundo no passado de Philomena tendo um final feliz ou não.

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Diferente do que alguém normalmente esperaria de um filme com uma temática tão séria, “Philomena” faz mais rir do que chorar. Ainda que os momentos tristes estejam lá, e acredite, são bem intensos, é a leveza com a qual o roteiro de Jeff Pope e do próprio Coogan trata desse assunto, que faz com que o espectador simpatize com o drama. Se valendo de um humor mais seco e arrojado, algo tipicamente britânico, Steve Coogan constrói um excelente contraponto em relação a personagem religiosa e humilde de Judi Dench, que vai de um extremo ao outro em sua atuação, tirando sorrisos e lágrimas do público. Ao ponto que a trama vai se desenrolando e conhecemos novos fatos sobre a história, a relação dos dois amadurece e ensinamentos são trocados.

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Baseado na história real da própria Philomena Lee, com adaptação do livro escrito por Sixsmith, a busca pelo filho perdido durou cinco longos anos, onde a instituição protelou bastante, escondendo a verdade e mascarando os fatos. Na verdade, a prática comum da época nessas instituições, era vender os filhos das internas para o estrangeiro, os Estados Unidos principalmente, obrigando-as a assinar termos de liberação e acima de tudo, convencendo-as de que elas tinham cometido um pecado enorme contra as leis de Deus e mereciam punição. Leis essas das quais as freiras se fizeram valer até o último momento possível, justificando seus atos pavorosos e levando o personagem de Martin, um perfeito cético, a questionar a inabalável fé de Philomena no catolicismo e tentar mostrar que se Deus fosse real, não a teria feito passar por isso. Tais declarações de Sixsmith fizeram com que a Igreja se posicionasse e houvesse algumas publicações negativas em relação ao filme.

No final, “Philomena” deixa uma lição que todos deveríamos tentar aprender:  que o importante é perdoar.

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