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“Pieces of a Woman”: quando um recorte representa o todo

Pieces of a Woman é a dolorosa síntese de uma história que circunda pelas consequências de seus viscerais 25 minutos iniciais. Aliás, para qualquer mulher que tenha tido algum tipo de problema no parto, trata-se de puro gatilho (não recomendo).

O primeiro filme norte-americano do diretor húngaro Kornél Mundruczó (de Deus Branco) pode ser entendido como um ensaio sobre o luto. E a condução seca e lúcida do diretor, sobretudo após a potência de seu início, equilibra a tragicidade que a história carrega até o seu final.

A fotografia aqui demarca não reconstruções emocionais, como se espera de um típico filme americano do tipo, mas redimensionamentos do que resta desse seio familiar depois de tudo. Vanessa Kirby, uma atriz extraordinária, cumpre cada fotograma das exigências emocionais que o filme pede de si. E Shia Labeouf consegue dar a medida da compassividade que seu personagem pede.

O roteiro de Kata Wéber, não busca engenhosidades para lidar com o peso dramático da história, e flui sobre como os sentimentos dos personagens guiam suas ações. Ainda que quase tropece num vício de roteiro folhetinesco num episódio inverossímil com a personagem de Ellen Burstyn (que por outro lado, protagoniza um monólogo importante para o todo), Kornél, se vale de símbolos maternos e matrimoniais (a maçã, a ponte) e consegue passar a sensação de vazio perene e busca por expurgação através do intimismo, jamais pelo sensacionalismo.

As cenas do tribunal, lá pelo final, talvez sejam mais impactantes emocionalmente que as iniciais. Mas aí o título do filme deixa o plural para compor o que essa “Woman” resultou.

Nota: Bom – 3 de 5 estrelas

“Pieces of a Woman”: quando um recorte representa o todo
3 / 5 Crítico
Avaliação

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