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“Pina” expressa, dialoga e universaliza Bausch

Pina Bausch é uma artista no sentido mais preciosista e personalista da palavra. Daquelas que virarão lendas do século. Suas coreografias são tão transcendentais que se impõem como movimento. E sua marca – que converge com coragem a teatralidade, a dança e a tônica da expressividade cênica – tornou-se quase um gênero próprio e uma representatividade que a insere no ideário de gênio.

São tantos superlativos que não caberiam mesmo num documentário tradicional. O diretor Wim Wenders, compatriota e amigo da coreógrafa alemã, recorreu à tecnologia 3D para fazer um tributo à artista falecida em 2009, vítima de um câncer. A sensibilidade de Wenders casada com o efeito extremamente pertinente da tecnologia rende um espetáculo visual e sensorial impressionante. É o olhar de Pina sob a perspectiva de Wenders, pautando nossas emoções, pelo esteio da modernidade.

O universo é mostrado através de números de dança reproduzidos pelos integrantes da Wupperthal Tanztheater, companhia criada por ela em 1973. Ao passo que as apresentações são exibidas e testemunhamos a engenhosidade e inspiração da artista, ouvimos depoimentos dos dançarinos sobre quem era sua mentora, a mulher que rompeu com o balé clássico e trouxe para suas obras um sem-número de gestos, expressões e emoções criando um trabalho original definido por ela como teatro-dança.

Para quem, como eu, infelizmente, ainda não teve a oportunidade de visualizar a companhia ao vivo, o filme é um deleite e até mesmo um choque, positivamente falando. A forma como Pina se expressava pela dança é impressionantemente clara e assimilável. Pina era universal pela facilidade com que dialogava pela arte e, mesmo que as sinuosidades de seus movimentos inspirassem metáforas gráficas, ela já nos ganhava pela habilidade em nos persuadir para seu universo. Wenders soube captar essa mágica. De forma consciente do “material” que tinha em mãos. Ou seja, é um filme que Pina se orgulharia…

[xrr rating=4.5/5]

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