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'Profissão de Risco' desperdiça bom elenco com história ruim e péssima direção

O cineasta Alfred Hitchcock criou em seus filmes o conceito do McGuffin, que seria usado para nomear um objeto que aparece na trama para motivar a história e seus personagens. Mas que, na verdade, não tinha uma real importância. A partir daí, essa ideia motivou outros diretores para desenvolver suas produções, algumas até interessantes, como as realizadas por François Truffaut e Brian de Palma, fãs confessos do Mestre do Suspense. Mas, na maioria das vezes, o McGuffin acaba sendo mal empregado por gente sem muito talento, como David Grovic, que estreia com o pé esquerdo na direção com o equivocado “Profissão de Risco” (“The Bag Man”, 2014).

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A trama, escrita pelo diretor, junto com Paul Conway e inspirada no texto “Motel”, de James Russo, começa quando o assassino profissional Jack (John Cusack) é convocado pelo rico criminoso Dragna (Robert De Niro) para que recupere uma mala e entregue para ele num motel de beira de estrada em Nova Orleans. Mas ele tem que obedecer a apenas uma regra: Não pode ver o que está dentro desta mala, pois se fizer isso, não receberá o dinheiro pelo serviço. Após realizar o trabalho, com alguma dificuldade, e chegar ao local, Jack se hospeda no quarto 13 (que obviamente, não é um bom sinal), enquanto espera a chegada de seu contratador. Mas os problemas começam quando ele conhece a prostituta Rivka (Rebecca Da Costa), que pede ajuda para se livrar de seus cafetões, o anão Guano (Martin Klebba) e o caolho Lizzard (Kirk ‘Stingy Firgerz’ Jones). A partir daí, Jack tem que lidar com personagens bizarros, como Ned (Crispin Glover) , o desconfiado gerente do hotel, e o violento xerife Larson (Dominic Purcell). Todos, de olho na misteriosa mala, acabam complicando ainda mais a situação de Jack, que acaba se metendo em situações cada vez mais violentas e inusitadas.

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O principal problema com “Profissão de Risco” (não confundir com o filme de mesmo nome estrelado por Johnny Depp e Penélope Cruz, em 2001) é que ele utiliza elementos de vários outros filmes, como “Cães de Aluguel”, “Pulp Fiction”, “Psicose” e “Seven”, só para citar alguns. Mas essa mistura simplesmente não funciona porque, como geralmente acontece, a cópia jamais supera os originais, deixando uma desagradável sensação de “déja-vu”, inclusive nas reviravoltas (nem um pouco surpreendentes) e nas características bizarras dos personagens, que soam forçadas e sem um pingo de criatividade. Além disso, a direção de David Grovic é decepcionante, já que ele mostra ainda não ter nenhuma personalidade, ao repetir o que cineastas como Martin Scorcese Quentin Tarantino já tinham feito em suas obras no passado, só que com bem menos talento do que seus dois colegas mais famosos.

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O que fica difícil de entender é por que tantos bons atores resolveram embarcar nesta canoa furada que é esse filme. Não é desculpa dizer que eles tinham que pagar suas contas e, por isso, se envolvem com produções picaretas como essa. John Cusack já tinha interpretado um personagem semelhante no muito melhor “Matador em Conflito”, de  1997, e, embora sua atuação não comprometa, também não faz nada que mereça grande destaque. A brasileira Rebecca Da Costa até chama a atenção por sua beleza um pouco fora do convencional e o sotaque carregado nas suas falas, mas nada muito memorável. Pelo menos, ela pode dizer que fez algo que muitos atores querem, mas poucos conseguem: atuar ao lado de grandes astros de Hollywwod. Crispin Glover, mais lembrado por ser o George McFly de “De Volta Para o Futuro”, é totalmente desperdiçado ao fazer mais uma vez um papel de cara esquisito.

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Mas a maior decepção, aliás, fica por conta de Robert De Niro. Não é de hoje que o ator ganhador de dois Oscars anda escolhendo os projetos errados para a sua carreira e muitas vezes ele acaba interpretando papéis que parecem pastiches de seus melhores momentos no cinema. Em alguns, até dá certo, como no divertido “A Família”, onde brinca com os clichês de filmes da máfia. Mas dessa vez, ele não foi feliz. Com um visual que mistura Scorsese e Stanley Motss, o excêntrico produtor de cinema interpretado por Dustin Hoffman em “Mera Coincidência” (1997), De Niro só tem um real bom momento no filme, quando confronta uma moça que comete um erro grave para seus negócios. No restante da trama, ele acaba tendo que lidar com situações meio sem sentido e diálogos ruins, graças ao péssimo roteiro.

Com um desfecho tão decepcionante quanto o resto do filme, “Profissão de Risco” é uma verdadeira bomba cinematográfica e um dos sérios candidatos a fazer parte da lista dos Piores do Ano de 2014. Quem quiser se arriscar ainda assim, fique à vontade. Mas não diga que não foi avisado.

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Publicado por Célio Silva

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