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Projeta Brasil: “Onde está a felicidade?” e “Estamos Juntos” se nivelam por suas fraquezas

Já entrou no calendário oficial dos cinéfilos: o Projeta Brasil Cinemark, um dia inteiramente dedicado ao cinema nacional nas 446 salas dos 54 complexos de cinema da Rede. Em sua 12ª edição, exibiu as principais produções brasileiras lançadas entre novembro de 2010 e outubro de 2011, dentre eles o sucesso O Palhaço (ainda em cartaz) e filmes como Não Se Preocupe, Nada Vai Dar Certo. Outros dois exemplos do menu que encheram as salas por todo o país foram Onde está a felicidade? e Estamos Juntos.

Onde está a felicidade? é a terceira colaboração “matrimonial” do casal Carlos Alberto Riccelli (diretor) e Bruna Lombardi (roteirista e protagonista). Teodora (Bruna) é uma chef de cozinha que apresenta um programa de televisão no qual ensina a fazer comida afrodisíaca. Casada há 11 anos com o jornalista esportivo Nando (Bruno Garcia), leva uma vida aparentemente perfeita, até descobrir que seu marido tem um caso virtual com outra mulher. Para piorar as coisas, seu programa é cancelado. Em meio à crise, ela decide fazer o caminho de Santiago de Compostela, na Espanha, ao lado de seu diretor, Zeca (Marcello Airoldi) e Milena (Marta Larralde), sobrinha de sua maquiadora Aura (Maria Pujalte).

Como nos filmes anteriores da dupla, o longa padece do excesso de sentimentalismos da roteirista, tornando tudo piegas e extrapolando o uso de frases feitas. Acaba que a historinha fica tão sem sentido e superficial como a interrogação de seu título. E, se a direção de Ricelli se vale da correção, acaba por resvalar na mediocridade ao optar por um desfecho explicitamente clichê ao se valer de uma encenação teatral e, para piorar, uma inexplicável parada turí$tica pelo Piauí. Não fossem pelas hilárias participações cômicas das atrizes espanholas e de ótimo Airoldi, o filme poderia mudar de vez o título para “Onde está a Paciência?”

Estamos Juntos, novo filme de Toni Venturi é uma metáfora do isolacionismo autoimposto nas grandes cidades. Parece uma teoria pautada em uma firmeza dramatúrgica, mas não é. Carmem (Leandra Leal, ótima) é uma jovem médica que saiu de uma pequena cidade para estudar e trabalhar em São Paulo. Seu único amigo é o DJ Murilo (Cauã Reymond), gay assumido, que também veio do interior. Uma rotina dura no hospital, onde mantém uma relação amorosa frustrada com um homem casado e um certo vazio existencial fazem com que ela se volte para um relacionamento com um homem misterioso (Lee Taylor). Até que numa balada conhece um atrevido e galanteador músico argentino com quem passa a se relacionar. Ao mesmo tempo, envolve-se com o movimento dos sem-teto e passa a fazer um trabalho voluntário que lhe dá grande satisfação. Quando tudo parecia começar a fazer sentido, uma doença inesperada e grave tira seu equilíbrio e ela se vê forçada a reavaliar toda sua vida.

Assim como no badalado, Nome Próprio, também protagonizado por Leandra Lean, o longa propõe um universo instigante, mas não o contextualiza para além de uma (boa) intenção. Aqui o caso é ainda pior, pois ele mistura tratados sobre a solidão, discurso social e metáfora existencial, sem promover uma convergência narrativa que torne cada um desses elementos instigante ao espectador. Acaba que, como boa parte dos filmes nacionais, as interpretações (e aqui, além de Leandra, temos um Cauã inspiradíssimo) salvam tudo do nada.

Onde está a felicidade? [xrr rating=2/5]

Estamos Juntos [xrr rating=2/5]

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