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RED – Aposentados, perigosos e sem muita graça

A DC mostra novamente que não tem poder de opinião sobre as adaptações de seus quadrinhos pela Warner ou outra produtora (no caso a Summit). RED, que é o que se pode chamar de thriller psicótico nos quadrinhos, acaba por se tornar uma comédia boba com cenas de ação no cinema. Da mesma forma que foi feito com The Losers, RED acaba se perdendo para o marketing das produtoras de cinema que convertem violência em comédia para tentar atrair público. E olha que eu mal comecei a criticar o filme.

RED - Aposentados, perigosos e sem muita graça | Filmes | Revista Ambrosia

Antes, porém, deixe-me falar sobre a história de RED- Aposentados e Perigosos. Frank Moses (Bruce Willis) acorda todo dia, faz sua rotina diária de exercícios, come, lê e vive sua vidinha de aposentado. Ele liga sempre para o INSS reclamando que o cheque de sua aposentadoria não chegou e fala com a mesma operadora, chamada Sarah (Mary-Louise Parker). Até que um dia, um grupo de assassinos invade sua casa e tenta matá-lo. Escapando, ele resolve investigar quem o quer morto, e para isso tem de se reunir com seus antigos colegas espiões da época da Guerra Fria.

A semelhança entre quadrinhos e cinema no caso de RED são o sobrenome do personagem principal (no quadrinho ele se chama Paul Moses), suas ligações para uma atendente diariamente para falar de sua vida e a tentativa de assassinato contra si. O desenrolar do filme fora destes fatos é totalmente distinto e fará muita gente reclamar.

Por mais que o criador dos quadrinhos, Warren Ellis, tenha tentado defender as adaptações que foram feitas para a telona, a verdade é que RED dos cinemas só tem o nome de RED dos quadrinhos. Quem pensava que iria entrar em uma sala e ver sangue e situações macabras, vai encontrar comédia e, no máximo, um pouco de humor negro.

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Por mais que o elenco estelar do filme seja digno de nota (Morgan Freeman, Mary-Louise Parker, John C Reilly, Helen Mirren, Julian McMahon, Brian Cox, Ernest Borgnine, Richard Dreyfus, Karl Urban e Bruce Willis), o totalizador não é satisfatório. Tanto para o fã de quadrinhos quanto para o de cinema, e a culpa sempre será dos roteiristas que fizeram a adaptação e do estúdio que insistiu em pegar uma história que daria no máximo um curta e converter em um filme, inserindo personagens a torto e a direito apenas para colocar atores famosos em poucos minutos na tela.

Mary-Louise Parker (do seriado Weed) faz a parte da comédia comedida jogada contra a “seriedade” de Willis e outros. John Malkovich, interpretando Marvin, faz sua parte em trazer um alucinado à tela, e Morgan Freeman simplesmente aparece para ser um velho tarado que sabe muita coisa. Dos atores, quem melhor escapa são a fabulosa Hellen Mirren e Brian Cox, que conseguem dar vida a seus respectivos personagens sem parecer que estão trabalhando no terreno instável que o roteiro criou para os outros.

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A falha na adaptação começa por querer incluir personagens sem sequer dar o trabalho de dizer um pouco mais sobre as motivações ou o por que deles estarem ali. As “coincidências” do roteiro é que acabam por inserir um personagem atrás do outro na tela. Tirando os papéis de Willis e Parker, que estavam nos quadrinhos e meramente tinham de ser desenvolvidos para a extensão do filme, quem apareceu mais foi o personagem de Karl Urban, o agente Cooper, que caça Moses sem ter uma razão inicial, mas acaba por se tornar peça chave para o desenrolar do filme.

RED - Aposentados, perigosos e sem muita graça | Filmes | Revista AmbrosiaTalvez o excesso de personagens tenha prejudicado o longa de forma a fazer com que outros fatores pudessem ser melhor explorados, como o passado de Moses ou até mesmo o seu modo de pensar. Nos quadrinhos, nunca vemos o por que dele ser o homem caçado, apenas sabemos que ele fez algo de muito ruim em sua vida. Aqui, vemos que Moses foi quem teve de encobrir certos atos vis de terceiros em uma trama de espionagem internacional que os “Pequenos Espiões” adorariam. Furos e mais furos de roteiro que acarretam um excesso de cenas de tiroteios e frases prontas para preencher os buracos na mente do espectador.

O diretor Robert Schwentke nunca se despontou por nada que já fez, sendo Plano de Vôo, com Jodie Foster, seu filme mais famoso. Os roteiristas John e Erich Hoeber (de Terror na Antártida) mostraram que pecam por criar uma melhor interação entre os personagens e suas motivações, deixando muito a desejar no fim das contas. O pobre Warren Ellis teve de ver sua obra sendo rasgada e jogada fora e sendo substituida por um rascunho de filme que nunca sai do papel.

A diversão de RED – Aposentados e Perigosos é garantida? Sim, para aqueles que estão a fim de ver um filme que fatalmente será repetido inúmeras vezes na Sessão da Tarde e não se preocupam em sequer lembrar como tudo aquilo começou. Para quem espera um pouco mais de um filme de ação ou uma adaptação de quadrinhos, desculpe, a resposta é não.

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