AcervoAmbrosiaFilmesTV

A saga live action do Homem-Aranha

Homem-Aranha: De Volta ao Lar é a grande estreia nos cinemas nesse final de semana (leia a crítica aqui). O principal herói da Marvel, criado por Stan Lee e Steve Ditko, agora chega às telas interpretado por Tom Holland. Aproveitando o ensejo, lembramos aqui a saga live action do herói até hoje.

A série de TV

A estreia do herói em live action foi bem sofrível. A série nasceu de uma parceria da Marvel com a rede americana CBS e foi ao ar nos EUA entre 1977 e 1979 (passou na Globo no início dos anos 80). Sem a tecnologia adequada para tornar realistas os poderes de aranha do amigão da vizinhança, restou apenas umas acrobacias à la Didi Mocó, um lançador de teias constrangedor, sem falar nas cenas em que o herói escalava prédios, toscas mesmo para a época. O traje até era ok, dadas as restrições estruturais (mas dispensava aquele cintinho, né?). Peter Parker era um almofadinha com cabelo de cuia e bem mais velho do que o personagem nos quadrinhos (o intérprete Nicholas Hammond tinha 27 anos na época).

Entre os coadjuvantes, J.J. Jameson não era lá muito parecido com o do gibi, não havia Mary Jane ou Gwen Stacy e sim Julie Masters, uma versão chinfrim de Lois Lane (sim, havia uma pegada “Superman” no seriado) que competia com Peter os furos de reportagem. Tia May é apenas ponta e a morte do tio Ben, assim como o trauma que acarretou, não são sequer mencionados. O piloto da série fora exibido nos cinemas brasileiros em 1977 sob o título de “Homem-Aranha – O Filme”.

O Aranha japonês

No ano seguinte da estreia da série americana, o Cabeça de Teia ganhou uma versão tokusatsu. De uma parceria da Marvel com a Toei Company (a produtora responsável pelas principais séries live action japonesas) saiu “Supaidaman”. Com direito a robô gigante e tudo. Esqueça Peter Parker, aranha radioativa, Clarim, Mary Jane, Tio Ben, Tia May. Aqui, o protagonista é um rapaz chamado Takuya Yamashiro, um motociclista que presencia a queda da nave espacial “Marveller” (clara alusão à Casa das Ideias), oriunda do planeta Spider.

Nela encontra Garia, o único sobrevivente de seu planeta, que através de uma injeção concede ao rapaz os poderes do Aranha. Antes de morrer,  Garia passa a  Takuya a nave e um bracelete através do qual ele pode acessar o Spider-Protector, seu traje de Homem -Aranha, que ao ser liberado cobre o corpo automaticamente, aumentando assim sua resistência durante os embates  e protegendo sua identidade (bem ao estilo transformação dos sentai). A teia é produzida com o Spider- Fluid desenvolvido com a tecnologia do Planeta Spider e tem grande resistência, podendo ser usada para aprisionar seus adversários e também permitindo que o Homem Aranha locomova-se com ela.

Junto com a nave vinha um carro chamado Spider-Machine GP-7 que além de voar também contava com armas de fogo.  Além disso, a Marveller era equipada com canhões e (adivinhem) se transformava no robô gigante Leopardon, com o qual o “supaida” enfrentava os monstros gigantes da organização Iron Cross Army, que tinha o objetivo de dominar o Japão e o mundo inteiro.

A ideia da Marvel era que a Toei produzisse além da série do Aranha um seriado com o “Capitão Japão”, que seria uma versão nipônica do Capitão América. Não aconteceu, mas o mote foi aproveitado em Battle Fever J, série sentai em que cada um dos integrantes representava um país, e o líder, claro, representava o Japão. A ideia do robô gigante também foi aproveitada. O primeiro em uma série sentai, que a partir daí passaram a ser chamadas de Super Sentai.

A chegada aos cinemas

Foi um longo caminho percorrido até a chegada às telonas. A princípio, a Cannon Films (dos primos israelenses Menahem Golan e Yoram Globus) era a detentora dos direitos do personagem e estava decidida a investir em filmes de super-heróis. A produtora “cometeu” Superman IV e ainda faria uma versão live action de He-Man, Mestres do Universo.

No entanto, não sabendo nada sobre o material de origem, eles convocaram Tobe Hooper (de “O Massacre da Serra Elétrica” e “Poltergeist”) para dirigir a trama, que giraria em torno de um cientista louco corporativo chamado Dr. Zork, que teria intencionalmente exposto Peter Parker à radiação, transformando-o em uma tarântula humana. O conflito viria então da recusa de Parker, então com oito braços, a se juntar ao exército de monstros mutantes Zork. O próprio Stan Lee, percebendo o ridículo, impediu a desgraça de acontecer.

Quando os direitos do teioso foram para a Carolco, em 1990, parecia que, enfim, o projeto iria deslanchar. Afinal o sucesso de “Batman” da Warner incentivou os estúdios a investirem em adaptações de quadrinhos. James Cameron, que acabara de fazer “O Exterminador do Futuro 2: O Julgamento Final” para o estúdio, foi contratado para a função de diretor e roteirista. Cameron queria Leonardo DiCaprio no papel principal e Arnold Schwarzenegger como Dr. Octopus. A história culminaria com uma batalha no topo do World Trade Center e Peter Parker revelando sua identidade a Mary Jane Watson.

Em 1991, a Carolco ampliou o acordo de Golan com a Marvel até maio de 1996, mas em abril de 1992, deixou a produção devido a problemas financeiros e jurídicos contínuos, que levaram ao fechamento do estúdio. Os direitos então foram para a MGM. O tempo passou e em 1999, após ganhar uma disputa judicial, a Marvel vendeu os direitos à Sony que, com eles, finalmente levou o herói aos cinemas em 2002 no ótimo “Homem-Aranha”, dirigido por Sam Raimi, com Tobey Maguire no papel principal, Kirsten Dunst como Mary Jane e Willem Dafoe na pele do arqui-inimigo do herói, o Duende Verde. Grande sucesso de bilheteria daquele ano, rendeu uma continuação que conseguiu a proeza de superar o original. Pena que a parte 3 decepcionou.

O reboot

Depois da decepção com “Homem-Aranha 3” (que mesmo assim teve alto faturamento), a Sony queria um novo filme do aracnídeo, não importava como. Aventou-se um quarto filme com Sam Raimi na direção (visando um quinto e um sexto), mas com as divergências criativas entre o diretor e o estúdio, a ideia aos poucos foi morrendo e dando lugar à de um reboot. Logo fora anunciado que o Homem-Aranha teria sua história recontada no cinema (apenas dez anos depois) com um outro ator e novo diretor.

Marc Webb (então conhecido pela comédia romântica indie “500 Dias Com Ela” )tomou o lugar de Raimi e Andrew Garfield foi anunciado como o novo Homem-Aranha. Apesar de trazer elementos até mais fiéis aos quadrinhos do que os filmes anteriores (Gwen Stacey como primeiro par romântico de Peter Parker, teia mecânica), faltou emoção e empatia. A Sony insistiu em um segundo filme, já que financeiramente “O Espetacular Homem-Aranha” foi bem sucedido, mas, apesar dos bons resultados nas bilheterias, ficou latente que a ideia de rebootar a franquia não tinha dado muito certo

O Aranha no MCU

Aconteceu o que os fãs esperavam e já era especulado. Homem-Aranha iria integrar o universo cinematográfico Marvel. A Sony despistou o quanto pôde, mas depois do escândalo dos vazamentos de emails do estúdio, resolveram oficializar a informação que houve um acordo com a Marvel Studios que permitiria a aparição do herói nos filmes da Casa das Idéias, assim como os Vingadores poderiam aparecer nos filmes do aracnídeo. O novo aranha foi anunciado: o inglês Tom Holland. A ideia era rejuvenescer o personagem e colocá-lo no âmbito escolar. Antes, fez uma participação em Capitão América 3: Guerra Civil. Homem-Aranha: De Volta ao Lar, título emprestado de um arco dos quadrinhos, é mais do que sugestivo. O Aranha voltou para a sua casa, e para ficar.

Deixe um comentário

Sugeridos
FestivaisMúsicaShowsTV

Rock in Rio 2026: saiba os horários e como assistir aos shows de graça

Veja como acompanhar o evento completo na TV por assinatura, no streaming...

FilmesGamesTrailersVideos

‘Street Fighter’ Inova ao Lançar Trailer Jogável em Clima de Arcade Anos 90

Prévia interativa no YouTube Playable permite que fãs executem combos e golpes...

AstrosFilmes

Tim Curry (1946–2026): O Sorriso Sombrio que Iluminou a Cultura Pop

De cientista louco de salto alto em Rocky Horror a palhaço demoníaco...

CríticasFilmes

Nosso Segredo: A Materialização do Luto e a Casa-Quilombo de Grace Passô

Duas décadas após transformar o teatro brasileiro com a peça Amores Surdos,...

FestivaisFilmesNotícias

Première Brasil Anuncia 101 Filmes Selecionados para o Festival do Rio 2026

Escolhida entre quase 1.500 inscritos, a safra da 28ª edição do evento...

CríticasFilmes

‘Coyote vs. Acme’ é sagaz na proposta e no desenvolvimento

Longa resgata a nostalgia dos desenhos clássicos em uma sátira inteligente que...

AstrosFilmesListasMúsica

Dolly Parton e Suas Parcerias Mais Inusitadas

De duetos com os Beatles e Sylvester Stallone a participações em comédias...

CríticasFilmesLançamentos

Champagne (2026): uma inesquecível viagem de pai e filho

Ali pela metade do filme holandês “Champagne”, Hans está conversando com um...