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“Snoopy e Charlie Brown – O Filme” carece do brilho da criação de Charles Schulz

Peanuts, a tirinha de jornal criada pelo americano Charles Schulz em 1950, tinha como personagem principal o adorável “perdedor” Charlie Brown, que sempre se estrepava em suas pífias tentativas de se tornar um herói. Também havia seu cão beagle Snoopy, sempre em cima da casinha, ao invés de dentro, e seu amigo, o passarinho Woodstock.

As tirinhas conquistaram crianças do mundo todo pelo carisma não só do protagonista, mas também dos outros personagens como Lino, Lucy, Patty Pimentinha, Schroeder e Marcy e pelas aventuras malucas de Snoopy a bordo de seu caça imaginário (na verdade sua casinha) em embate com o arquiinimigo Barão Vermelho. Já os adultos eram conquistados pelas divagações existenciais quase com um que de filosóficas colocadas nas falas de Charlie Brown com seu amigo Lino. O sucesso foi tanto que, além de uma série de produtos licenciados, Peanuts ganhou uma excelente série de desenhos animados em meados dos anos 60, que no Brasil era chamada de Snoopy, dando protagonismo ao cachorro, que rendia muito merchandising por aqui. Além de seguir o mesmo teor dos quadrinhos, ainda contava com uma espetacular trilha sonora composta por Vince Guaraldi.

Agora, Charlie Brown, Snoopy, Lucy, Linus e todo o resto da turma fazem sua estréia na tela grande, em uma atualíssima produção 3D pelo estúdio de animação Blue Sky (de A Era do Gelo). Em “Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme” (The Peanuts Movie, EUA/2015), enquanto Charlie Brown luta para executar algo memorável e chamar a atenção da garotinha ruiva, Snoopy, leva aos céus para perseguir seu arqui-inimigo, o Barão Vermelho.

O filme reproduz a dinâmica das situações vistas nas tirinhas e nos desenhos animados, porém sem o mesmo brilhantismo. Dirigida por Steve Martino (de “Horton e o Mundo dos Quem” e “A Era do Gelo 4”), a animação tem roteiro de Craig Schulz e Bryan Schulz, filho e neto do criador respectivamente, em parceria com o estreante em longas Corlnelius Uliano.

peanuts2Há muitas referências e homenagens à obra original, os balõses de pensamento de Charlie Brown mostram o personagem no traço cartoon original, o tema Linus e Lucy está ali, e isso até consegue arrancar um sorriso dos lábios de quem assistia aos desenhos da TVS, hoje SBT, no programa do Bozo. Mas ainda é pouco para sustentar um filme de quase uma hora e meia com um mote tão fraquinho. É uma animação 3D que só justifica o recurso nas sequências que mostram as peripécias fantasiosas de Snoopy.

Para as crianças, é a apresentação, não só de um clássico da época de seus pais, mas de um mundo em que a gurizada brincava na rua, publicava jornalzinho da escola em vez de criar blogs e fazia pesquisa para o dever de casa na biblioteca e não na internet. Uma curiosidade é que os dubladores são realmente crianças, inclusive a garotinha ruiva é dublada por uma menina ruiva.

peanuts3Por fim, “Snoopy e Charlie Brown – Peanuts, O Filme” parece um pouco perdido em seu alvo: seria para os nostálgicos ou para a molecada de hoje? A comemoração dos 65 anos da criação dos personagens poderia ter uma produção mais à altura

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