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"Sob a Pele" é estranhamente sedutor

Há poucas semanas uma única imagem fez um barulho tremendo na internet. Tratava-se de Scarlett Johansson, atriz famosa, conhecida por seus papéis sedutores e provocativos, completamente nua. Não importa se ela interpreta uma mercenária ou apenas a voz de um sistema operacional, ainda assim, sedução é algo que lhe vem sem o menor esforço.
A imagem rapidamente levantou a curiosidade sobre o filme do qual se originou, mas, diferentemente da foto que parece ter caído nas graças do público, “Sob a Pele”, não é um filme para todos.
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O filme começa com um eclipse, pontos de luz piscando na tela e uma trilha psicodélica. Em seguida, uma moto percorre uma estrada à noite e para em um acostamento. O homem desce da moto, vai até o mato e desaparece. Volta carregando uma mulher em seus ombros e coloca a moça na traseira de uma van. Scarlett surge na tela, em um cômodo totalmente branco e ela, sem roupa nenhuma. A moça de antes, está deitada no chão, imóvel. Ela então se agacha e começa a despir a moça, peça por peça. Após fazer isso, veste as roupas da mulher, examina o corpo e parte.
Nas ruas da Escócia, dirigindo a van branca, ela então passa a abordar homens desconhecidos e lhes pede informações. Quando as perguntas que faz correspondem ao que precisa, os homens entram na van e não mais aparecem. É uma busca contínua da qual nada sabemos a respeito.undertheskin_2850579b
Complicado falar de um filme que é extremamente sensorial, precisando estar presente na sala de cinema para se ter a experiência por completo. Bastante vanguardista, o diretor Jonathan Glazer aposta unicamente na sua montagem e no papel de Johansson para transpor a ideia ao espectador. Já que não se trata de um filme típico, quase não há diálogos. A trilha sonora é simples, ocasional, mas muito importante para ditar o ritmo e sentimento em determinadas cenas; com isso, se faz necessário atenção redobrada a cada minuto para melhor compreender a mensagem, tornando “Sob a Pele” um experimento. O fato de que não há um começo, meio e fim definido pode confundir o espectador.
Obviamente, a pergunta que não quer calar é o porquê da Scarlett Johansson ter optado em fazer esse filme? A resposta me parece tão óbvia quanto à pergunta: inovação.
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Há um momento na carreira de todo ator em que ele tem que sair da sua zona de conforto e ousar mais, aceitar papéis diferentes e mostrar que é versátil. Scarlett sofria desse mal ao sempre aceitar papéis que favoreciam mais seu físico do que o seu talento. O que lhe garantiu o status de musa, sexy, mulher mais bonita e por aí vai. Felizmente, após sua brilhante atuação vocal em “Ela”, conseguiu mostrar que todos estão enganados a seu respeito.
As cenas de nudez, constantes no longa, são de uma delicadeza ímpar e mesmo quando há a conotação sexual evidente – vide homens com ereções -, não chega a ser vulgar ou exagerado, pois as cenas em que acontecem estão direcionando o espectador para outro caminho.
“Sob a Pele” é um filme que requer muita atenção do espectador, então, não queira ver apenas pela nudez da atriz. Queira ver por ser algo diferente, inusitado e que, talvez, vá lhe surpreender.

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