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“Tão Forte e Tão Perto” não representa nada além dos defeitos de Stephen Daldry

O que está acontecendo com o diretor Stephen Daldry? Foi com esse questionamento que saí da sessão de seu novo filme Tão Forte e Tão Perto. Afinal, como um diretor tão competente e sensível, que fez obras primorosas como Billy Elliot e As Horas, pode ter se corrompido tanto, na banalidade do melodrama, primeiro com o oportunista O Leitor e, agora, com seu novo filme?

Baseado no romance de Jonathan Safran Foer, com roteiro de Eric Roth (o mesmo dos problemáticos Forrest Gump e O curioso caso de Benjamin Button), o filme acompanha a jornada do menino Oskar Schell (o estreante Thomas Horn), que aos 11 anos, sofre a morte do pai (Tom Hanks) no World Trade Center e mantém uma conflituosa relação com a mãe, Linda (Sandra Bullock, buscando novos caminhos para sua carreira). Para lidar com a dor, Oskar desenvolve sistemas pragmáticos cotidianos e se envolve numa investigação para saber a função de uma chave encontrada no armário do pai.

Não li o livro que originou, mas a vertente cinematográfica da trama é completamente destituída de sentido, uma vez que a busca do irritante protagonista (que menino chato!) não chega a lugar nenhum, no sentido do discurso mesmo, e ainda vai estabelecendo “lições de vida” para personagens secundários (Viola Davis é tão boa, mas tão boa, que faz de suas poucas cenas um primor no suplício que o filme se tornou), intercalando com flashbacks que nada acrescentam à narrativa e o pior, a trama do velhinho que parou de falar (o excepcional, Max von Sydow), simplesmente não existe. Está ali apenas para sublinhar a dramaticidade dessa tal busca.

A Academia Hollywoodiana parece gostar muito mesmo do diretor. O que não é difícil de entender, uma vez que seu apelo ao dramalhão é certeiro aos corações dos velhinhos que votam no Oscar. Mas pior do que querer fazer filme com estrutura de novela lacrimosa, é a forma como o filme (assim como O Leitor) é pretensioso na abordagem e nitidamente leva a sério a sua “mensagem”. Agora, me pergunto: qual é a verdadeira “face” de Stephen Daldry? A que apenas exprime excesso de sensibilidade, ou a que se pretende, desesperadamente, levar um Oscar para casa?

[xrr rating=1.5/5]

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