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“Totalmente Inocentes” quer ser sátira, mas é uma grande palhaçada

 

O cinema brasileiro tem uma dificuldade impressionante em fazer comédias, principalmente por acreditar no grafismo e nas esquetes de situação como forma de angariar risos da plateia. Acaba caindo sempre na galhofa, quando não é salvo pelo carisma de seu elenco.

Totalmente Inocentes não foge à regra, e ainda acrescenta um fator: se pretende uma sátira cômica das chamadas “favelas movies” brasileiras, com maneirismos “modernos” e estrutura de comédia de situações. A direção do estreante Rodrigo Bittencourt promete muito mais do que cumpre, numa sucessão de cartilhas superficiais que até, em mãos mais seguras e lúcidas, poderiam desenvolver eficientemente a boa ideia de tirar sarro de um universo tão surrado como o que retrata.

A história se passa na comunidade fictícia do DDC, no Rio de Janeiro. Lá, o traficante Do Morro (Fábio Porchat) assume o controle depois de trair seu chefe, o bandido efeminado Diaba Loira (Kiko Mascarenhas), que vai passar uma temporada na cadeia com seus comparsas tão afrescalhados quanto ele. Como novo líder do tráfico, Do Morro sonha agora em conquistar sua primeira-dama, Gildinha (Mariana Rios), que também é o alvo romântico do adolescente Da Fé (Lucas D’ Jesus). Da Fé decide então virar bandido para poder enfrentar o concorrente e conquistar Gildinha. Ele se junta ao amigo Bracinho (Gleison Silva) e ao irmão menor Torrado (Carlos Evandro) numa alusão à vida de crime que não dá muito certo. Paralelamente, temos a história do jornalista atrapalhado vivido por Fábio Assunção, que, atrás de um furo de reportagem (para assim poder fazer sua tão sonhada viagem ao Caribe), faz uma matéria com os meninos que desagrada tanto Do Morro quanto a Diaba Loira.

O exercício satírico, pelo menos os bem-sucedidos, tende sempre a uma certa dose de cinismo no deboche de um gênero para não cai na boçalidade. Totalmente Inocentes, cai. Em determinado momento, uma delegada, interpretada por Viviane Pasmanter, grita: “Nós somos a tropa sinusite!”. Isso diz muito sobre o filme em si que, desperdiçando um elenco talentoso (Porchat é ótimo, Kiko está divertido em sua composição e o protagonista Da Fé segura bem a onda…), esquece da máxima que até para gozar, é preciso eficiência.

[xrr rating=1.5/5]

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