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Três ou mais “Sonhos Roubados”

Ao som do batidão, eu reveria muitas delas, tantas vezes perdidas em desilusões ou reduzidas em suas faltas de possibilidades; elas meninas do Brasil, o reflexo dessa pluralidade desmedida à pele morena. Mas neste “Sonhos Roubados” (2009), suas luzes são mostradas, e a força de sua alegria, à prova. Aqui não há depressão, há vontade de ser. Energia!

 

Baseado no livro da jornalista Eliane TrindadeAs Meninas da Esquina – Diário dos Sonhos, Dores e Aventuras de Seis Adolescentes no Brasil” e dirigido por Sandra Werneck, o premiado filme vai pelas confidências.

 

Jéssica (Nanda Costa), Daiane (Amanda Diniz) e Sabrina (Kika Farias), lindas adolescentes e o que o mundo ao redor lhes dá de atrativos.

 

Movidas por desejos consumistas que elas mesmas não compreendem, fazem de tudo pelo um belo e perecível MP3 da modinha… Mas a falta de grana é uma realidade, a constante inconstância. Volta e meia se prostituem – mesmo que esta seja mais como uma relação de trocas, tem muita gente que se afeta à vera com isso…

 

São garotas que frequentam uma escola pública totalmente falida (ainda vestindo uniforme!). Suas famílias ausentes lhes regalaram as ruas como referências; mesmo assim, há certa inocência ao encarar tudo isso e dar uma risada, não como se não ligasse, mas caso visse com certa altivez.

 

Jéssica vai à cela do rapper MV Bill, caracterizado como ator, e discutem sobre a filhinha dela; Daiane sofre abusos do tio de criação e vai se refugiar na indiferença do pai biológico; Sabrina se envolve numa relação de trocas com um traficante local e se vê desamparada ao revelar que será mãe de um filho do bandido.

 

Dignidade é apenas viver; naturalmente; um conceito muito distante do seu sentido burguês tão atribuído nessa sociedade de consumo (e de valores pudicos); talvez mostrada apenas com carinho, dignidade humana menos deturpada.

 

Sem preconceitos, numa visão mais sensível do difícil cotidiano no cartão postal xerocado chamado Rio de Janeiro; difícil existir, seguir. Mas deve, não há outra saída que não mover-se.

 

Que dirão as mães solteiras em todas as comunidades cariocas? Que dirão os rostinhos esquecidos que se igualaram na tela através do filme?

Fora dessa onda de novelas meio que retratando a baixa renda, mais fiel e poético, Sonhos Roubados nos leva através dos bailes Funk, da praia, a matar aulas (já que o professor não veio de novo mesmo…) e pela pura vontade de ser menina, e de flertar também, claro. Corpo e mente agradecem!!

 

Espíritos livres, cheias de curiosidades; porque não tem hora para falar o que se acha que deve!

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Navegante

Publicado por paulo vitor grossi

VerificadoGibizeiroMusicista

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