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“Uma Noite de Crime” tem uma proposta louvável mas peca na execução

Quem nunca se viu extremamente irritado com outra pessoa a ponto de pensar em lhe causa algum mau? Pode não ser do feitio de muitos ou talvez ninguém queira de fato admitir, mas a verdade é que isso acontece. E é completamente instintivo pois o homem acima de tudo é um animal e fica impossível refrear tais sentimentos. Só que pensar e agir, são dois campos completamente distintos. Partir para a agressão é crime e dependendo do grau, inafiançável. Mas e se somente por um único dia fosse permitido? É o que vemos em “Uma Noite de Crime” (The Purge no original).

James Sandin (Ethan Hawke) está indo para casa mais cedo pois é o “Dia do Expurgo”, uma data bastante esperada por grande parte dos cidadãos, pois em 12h qualquer tipo de violência está liberada e não haverá intervenção policial, dos bombeiros ou médica até as 7 da manhã. Com isso o número de crimes caiu bastante, assim como o desemprego.
ethan-hawke-the-purge632 James e sua família não participam do evento, mas ele lucra bastante com isso vendendo sistemas de segurança a toda a sua vizinhança abastada. Sua esposa Mary (Lena Headey) já começou a preparar o jantar e avisa seus filhos Charlie (Max Burkholder) e Zoey (Adelaide Kane) para se aprontarem. Zoey, uma adolescente, está naquela típica fase em que odeia os pais e se acha a mais incompreendida. Tudo isso porque seu pai é contra seu namoro com um menino (Tony Oller) pouco mais velho do que ela. Eles jantam e é chegada a hora de reclusão. Todos se reúnem no escritório e James começa a iniciar o programa para trancar a casa onde pesadas portas e janelas de metal são os responsáveis por mantê-los seguros. Ao ligar a televisão, eles notam que o Expurgo começou mais cedo e que já há indícios de mortos pela cidade. Aterrorizado com tudo aquilo, Charlie prefere não ficar olhando e volta para seu esconderijo secreto. Zoey volta para seu quarto e é surpreendida por Henry que se escondeu na casa para conversar com o pai dela. Charlie continua controlando seu carro elétrico pela casa e com a câmera acoplada consegue vigiar todo mundo. Ele dirige o carro até o escritório e vê pelos televisores que as câmeras de segurança captaram uma pessoa na rua, perto de sua casa, pedindo por socorro. Ele sai correndo do esconderijo e vai até o escritório para ver as imagens mais de perto. Ao chegar lá consegue notar que o homem está bastante ferido e num impulso destrava a porta de segurança da sala e deixa-o entrar. James fica desesperado com a atitude do filho, gritando que ele colocou a todos em perigo. Mal sabe ele que a noite está apenas começando.
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O filme tinha um enorme potencial pois se baseia em uma premissa deveras interessante, mas infelizmente tem uma péssima execução. Não chega a se aprofundar muito na questão que levou o governo a decretar o Dia do Expurgo, apenas que após essa data os índices de emprego e criminalidade haviam caído consideravelmente pois agora os cidadãos tinham um dia liberado para tal atividade, podendo assim lavar a alma. Mas como isso ajudaria em algo fica a incógnita.
As atuações de Ethan Hawke e Lena Heady estão superficiais e flutuam durante toda a trama, mostrando claramente o quão confusos ambos estão em como devem seguir com seus papéis. O que acaba prejudicando todo o ritmo do filme e também a conexão do espectador pois fica um buraco onde deveria haver empatia para com a angústia dos personagens.
The_Purge_52 No final, nem a violência passa a ser algo notável, pois a trama se embola tanto que começamos a torcer para que termine logo e ironicamente é quando tudo começa a ficar interessante. Provável que o grande problema do diretor James DeMonaco tenha sido lidar com seu próprio roteiro, pois as vezes muita liberdade te deixa desnorteado e foi justamente o que aconteceu a ele. Talvez com uma outra montagem e cronologia funcionasse, talvez.

O filme estreou em 01º de Novembro nos cinemas.

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