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“Virando a Página” reflete e é refletido pelo gênero

A dobradinha entre o diretor Marc Lawrence e o ator Hugh Grant rende mais um filme de gênero, dessa vez ilustrando um romance quase metalinguístico, o filme Virando a Página.

A história acompanha Keith (Grant), um roteirista que não consegue emplacar um novo projeto em Hollywood. Ele tenta vender novas ideias para estúdios, mas recebe apenas recusas. Por isso, está propenso a aceitar qualquer oferta de trabalho. Assim, sua agente o indica para um novo trabalho: ensinar roteiro cinematográfico em uma universidade. No começo, ele não gosta da proposta, mas suas dívidas falam mais alto.

Aos poucos percebe que essa é uma grande oportunidade de voltar a ter fama e novos trabalhos como roteirista, além de belas alunas, escolhidas a dedo.

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Lawrence faz o seu cinema previsível de sempre e aqui desvia um pouco do próprio clichê ao ambientar suas velhas premissas em um interessante universo dos roteiristas hollywoodianos que perderam a glória passada. Os diálogos são inspirados e a brincadeira proposta pelo contraste entre universo acadêmico versus o desglamour artístico torna a narrativa persuasiva até certo ponto.

Mas o diretor, que também roteiriza o filme, parece ceder à ironia de sua alegoria, pois o roteiro caminha para uma resolução oportunamente ingênua e “americana” demais para um contexto de auto representação. Fora que o ritmo carece de maior polimento, num problema muito comum de diretores que filmam seus próprios roteiros.

A participação de Marisa Tomei é uma boa sacada (a atriz é sempre muito assertiva), ainda que não agregue muito ao contexto, a partir de seu terço final. No mais, Virando a Página é um passatempo gostoso de assistir, mas frágil de refletir. Como (ultimamente) o gênero se revela na grande maioria das vezes.

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