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Resenha: Stacking

Plataforma: PS3 e Xbox 360
Gênero: Puzzle
Selo: Independente
Desenvolvedora: Double Fine
Lançamento: 08 de Fevereiro de 2010

Stacking é um jogo criado pelo excelente Tim Schafer da desenvolvedora Double Fine, a principal mente criativa por trás de jogos como Psyconauts e Brutal Legend. Ao invés de lançar o seu jogo direto nas lojas, a equipe preferiu seguir a linha de seu último título, Costume Quest, e manter Stacking disponível apenas para download, podendo ser adquirido na Xbox Live ou na PSN (de graça para usuários da PSN+).

Stacking é uma mistura de adventure com puzzle game, onde você joga em um mundo inteiramente composto por Bonecas Russas (Matryoshkas), que possuem a habilidade de entrar umas dentro das outras. O jogo apresenta diversos desafios criativos que desafiam a lógica tradicional (até porque alguns deles não possuem muita lógica mesmo), onde o jogador deve usar habilidades de diferentes bonecas para resolver o problema apresentado.

Enredo

O jogo se passa no início do Século XX, o personagem principal Charlie Blackmore é de uma família pobre de limpadores de chaminés. Confrontados pela miséria, o pai da família decide sair de casa para ganhar mais dinheiro trabalhando para o Barão, mas acaba desaparecendo. Em pouco tempo as dívidas da casa vão aumentando ao ponto que os lacaios do vilão, um burguês todo poderoso, resolvem levar o resto da família para os campos de trabalho forçado.

O único que não é levado é o diminuto Charlie Blackmore, que é pequeno demais para valer o esforço. Entretanto, Charlie é o mais altivo dos membros da família Blackmore, e mesmo com seu tamanho reduzido ele parte em uma jornada para salvar sua família e melhorar as condições de vida da classe operária.

Parece político demais? No fundo realmente é, mas o jogo tem uma narrativa de filme mudo muito simplista e reduzida, fazendo com que o enredo seja apenas um pano de fundo para os quebra-cabeças do caminho. Ainda que muitos dos desafios tenham como objetivos questões que realmente eram vitais para o proletariado da época.

No primeiro desafio, por exemplo, Charlie (ajudado pelo Mendigo Levi) precisa pegar um trem, mas os ferroviários fizeram uma greve devido aos baixos salários que vêm recebendo. Os burgueses se encontram fechados em um pequeno clube onde apenas os mais ricos e exclusivos podem entrar, e é o dever de Charlie invadir esse clube e fazer com que os proprietários do trem negociem com seus funcionários em greve. Em um capítulo mais avançado do jogo, o Barão está tentando impedir que um grupo de juízes chegue até o tribunal para revogar as leis que permitem o trabalho infantil, Charlie precisa libertar os juízes para que eles homologuem a lei e por conseguinte libertem seus irmãos do trabalho forçado.

Sei que este enredo deve incomodar alguns, mas é importante esclarecer que ainda que o jogo apresente de forma clara um discurso “anti-burguês”, não existe nenhuma citação as doutrinas de esquerda do período. Em momento algum a preocupação de Charlie, ou do jogo, é criar uma revolução ou acabar com o capitalismo, tudo o que realmente acontece nesse sentido é uma luta por uma condição de vida melhor (fim do trabalho infantil, aumento de salários e diminuição da jornada de trabalho), portanto não creio que os burgueses safados gamers de direita se sentiriam ofendidos com esta experiência.

Jogabilidade

Nesse quesito o jogo é muito simples e funcional, Charlie é a menor boneca russa do mundo, e por isso, ele pode entrar em todas as outras bonecas. Cada um dos habitantes do jogo tem uma habilidade completamente única (que vai desde chorar até escalar chaminés, passando por arrotar, seduzir, cantar e centenas de outras) e quando ele entra em determinada boneca, ele passa a ter controle sobre ela e sua habilidade.

Para superar os diversos desafios do jogo deve-se encontrar a combinação de bonecas adequadas para aquele quebra-cabeça, sendo que sempre existem mais do que três soluções, algumas vezes chegando ao incrível número de sete soluções.

É muito legal experimentar todas as maneiras diferentes de se resolver o mesmo problema, e o jogo te recompensa por isso. Geralmente os desafios costumam a ser bem coerentes, mas existem algumas exceções particularmente difíceis (e para isso existe o sistema de dicas). O problema é que esta dificuldade não necessariamente se dá porque a solução do problema é algo difícil de se encontrar no mundo, ou complexo, e sim porque elas não fazem o menor sentido (e acaba que só podem ser resolvidas usando dicas). Felizmente, há apenas um ou dois casos desse problema no jogo.

Mas não há muito além disso, apesar de excepcional, criativo e divertido, o jogo é relativamente curto, podendo ser finalizado em poucas horas. E  isso pode ser dito mesmo se levarmos em conta que você tentou descobrir todas as repostas diferentes para todos os problemas, bem como coletou todas as bonecas e executou todas as ações especiais, isto é, é possível terminar 100% do jogo em cerca de quatro, cinco horas.

Apresentação

Este é um  dos aspectos mais legais de Stacking, que se faz valer de forma belíssima de sua ambientação. Primeiramente o design do jogo abusa dos tons de sépia em certos momentos, bem como se vale de uma estética típica de um filme mudo. Todos os apetrechos e decorações são adequados a época, e as bonecas são muito distintas e bem feitas.

Na mesma veia de Little Big Planet o mundo é bem ajustado para a realidade de bonecas de brincar, tudo parece feito de material cenográfico, com mares de papelão azul e muita madeira surrada. O efeito funciona tão bem quanto no título de PS3.

Ainda que chame menos atenção, o som também é muito bem feito, com levadas de piano que representam o clima do que está acontecendo em jogo, chegando a até mesmo assumir tons dramáticos para tornar situações bobas mais engraçadas. Também existem bonecas musicistas em todas as fases que de forma muito bem feita estão sempre tocando coisas de forma harmoniosa com a música de fundo.

Somando todos estes fatores o resultado é um jogo muito bonito e bem divertido, mostrando que a Double Fine consegue produzir títulos de extrema qualidade no formato de distribuição digital. O preço de dez dólares o torna ainda mais atraente, embora o jogo seja realmente curto demais.

Falta a Stacking duas coisas: mais fases e desafios um pouco mais difíceis de se solucionar, que não apelem para a incoerência, ou um sistema de dicas menos explícito. Tirando esses dois problemas Stacking é sem dúvida um jogo acima da média.

Apresentação: 4/5
Enredo: 3.5/5
Jogabilidade: 4/5
Fator Replay: 2/5
[xrr rating=3.2/5]

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