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Livro A Vida dos Vulcões ritualiza no poema o bem querer ao corpo amado

Há uma narradora nos poemas de Rita Isadora Pessoa. Um híbrido de voz de poema com um fio narrativo que me lembra os cantos gregos nos quais os poetas oralizavam a vida, o cotidiano grego, a própria mitologia é uma forma narrativa sombreada pelo mito, pela invenção.

No seu primeiro livro, A Vida dos Vulcões, pela Editora Oito e meio, Rita cria poemas estruturais com um afinco na forma e também na musicalidade. Boa repentista de palavras, a poeta referencializa arquétipos culturais a artísticos misturando-os a uma cronologia do afeto ao companheiro de vida e arte. Mas a arte precisa ser mimética, e nisso Rita tece através das referências dos dois, quase um álbum de poética imagética. Ao ter para o bailar dos anos, um álbum de fotos, o casal tem para si uma bricolagem de afetos a dois.

Livro A Vida dos Vulcões ritualiza no poema o bem querer ao corpo amado | Críticas | Revista Ambrosia

Toda a postura da poeta está para a palavra vulcânica, aquela que só aparece sob forte impressão lunar. Suas dicções me espantaram, pela agilidade verbal e mental, em costurar sem perda de fôlego poemas em formato livre, mas com uma costura interna que não perde diapasão nenhum.

Talvez a estrutura de um poema obedeça ao convívio pessoal-amoroso. Ela é um veio de água aflorando da terra, como dois elementos com concretudes diferentes podem surgir um dopro (duplo) outro, como a palavra pode brotar do pensamento e formalizar um objeto de arte?  Talvez o que nos forme sejam as placas tectônicas, que mexem e deslizam para cima e para baixo. E não é interessante que o corpo tenha um vulcão por dentro com batimentos cardíacos, com foles que puxam ar e pegam ar com espasmos estomacais indo e vindo pelo esôfago. A criação requer certa vulcanidade organísmica.

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