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Primeiro livro de Paula Nogueira se equilibra no limiar entre realidade e delírio

A escritora paulista Paula Nogueira lança seu primeiro livro, Uma fechadura ou O livro da linha do abismo (Editora All PPrint) no dia 1º de outubro com sessão de autógrafos na Livraria Martins Fontes, em São Paulo, das 18h às 21h. A autora também participa da I Bienal do Livro do Paraná, em Curitiba, no dia 11 de outubro, das 10h às 15h.

A obra reúne 12 contos que exploram o limiar entre realidade e delírio, cotidiano e assombro, memória e invenção, propondo ao leitor não apenas uma sucessão de histórias, mas um gesto de desestabilização. Paula Nogueira constrói um mosaico narrativo no qual personagens comuns – mulheres em deslocamento, figuras familiares, vozes que emergem de lembranças ou delírios – são atravessadas por experiências de estranhamento e de violência.

Os textos de Uma fechadura ou O livro da linha do abismo se organizam como fragmentos ou estilhaços, imagens quebradas, nas quais cada narrativa devolve ao leitor pedaços de vivências. A repetição de motivos – a chave, a janela, as escadas, o fio, o abismo – instaura a suspensão que tensiona a linearidade temporal e os limites da subjetividade. Nesse sentido, a obra dialoga com tradições da literatura brasileira contemporânea que interrogam o espaço doméstico e urbano como cenários de construção e desconstrução de identidades.

As vozes narrativas transitam entre registros formais e experimentais: processos judiciais convertidos em delírio (Queixa-crime), memórias rurais atravessadas por migração e loucura (Griselda riu e dançou), ou cenas banais do transporte público que se abrem a epifanias inquietantes (A chave na fechadura e Clara). Na obra, articulam-se situações-limite, como a suspensão no fio, a dança compulsiva, o tribunal imaginário, a viagem aérea em queda contínua, que desvelam as fissuras do cotidiano brasileiro.

Cada texto tensiona também a fronteira entre gêneros literários, fazendo da prosa um espaço híbrido, que oscila entre diário íntimo, crônica urbana e conto. No título e na obra, a metáfora da fechadura abre não para respostas, mas para abismos igualmente figurativos que convocam a pensar a literatura como experiência de risco, descontinuidade e reinvenção do olhar.

Para a autora, o lançamento vem da “necessidade de traduzir temas e vivências que habitam as memórias, entre a ficção e a realidade, contribuindo para o debate entre a sanidade e a loucura”. Os contos que, ao mesmo tempo causam surpresa e estranhamento, são carregados de lirismo, e evidenciam um diálogo com a literatura pós-guerra, pós-tragédia ou pós-crise nos textos fragmentados, carregados de estilhaços nos quais o abismo está mais presente do que pode parecer. Paula é também artista visual, sendo autora da imagem que estampa a capa do livro, bem como das ilustrações que desfilam pelas páginas da obra.

Paula Nogueira é escritora, artista e professora, nascida em 1982, em Santo André. Ingressou no curso de Letras em 2007, mesmo ano do nascimento de seu filho, e logo se identificou com a docência. Entre a dedicação às salas de aula e à criação de Daniel, publicou poemas em uma coletânea com outros autores, escreveu textos diversos, poemas, crônicas, contos que se espalharam por cadernos, blocos de anotações, cartões e todo tipo de papel disponível. Agora, enfim, as palavras começam a tomar seu melhor curso.

Lançamento/Livro: Uma fechadura ou O livro da linha do abismo
Autora: Paula Nogueira
Editora: All PPrint – www.alprinteditora.com.br – @allprint_editora
Nº de páginas: 83. Ano: 2025. Preço sugerido: R$ 45,00.
Paula Nogueira nas redes: @paulanogueira___ e @ecoseraizes

Noite de autógrafos em São Paulo/SP:
Dia 1º de outubro. Quarta – 18h às 21h
Livraria Martins Fontes – Avenida Paulista, 509 – Bela Vista.

Em Curitiba/PR:
Dia 11 de outubro. Sábado – 10h às 15h
I Bienal do Livro do Paraná – Local: Viasoft Experience
Rua Prof. Pedro Viriato Parigot de Souza, 5300 – Cidade Industrial. Livre. Acessibilidade. Ingressos:

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