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Resenha: A Dance with Dragons de George R. R. Martin

Depois de seis longos anos de espera, George R. R. Martin, escritor da série A Song of Ice and Fire (Uma Canção de Fogo e Gelo), lançou o quinto livro de seu épico: A Dance with Dragons. Foram 15 anos e quase cinco mil páginas até aqui, finalmente chegamos ao primeiro livro da metade final da série e a expectativa sobre ele é muito grande.

Dance with Dragons segue paralelamente os eventos apresentados em Feast for Crows, considerado por muitos o mais fraco dos romances da saga. No entanto, ele é tão grande que na metade final do livro as duas narrativas acabam se realinhando, dando continuidade aos eventos apresentados em Feast.

No quinto capítulo da série, voltamos a nos encontrar com alguns dos personagens mais queridos pelos leitores: como Daenerys Tagaryen, Bran Stark, Tyrion Lannister e John Snow, tendo de lidar com as conseqüências do excelente A Storm of Swords que criara algumas das melhores direções para a história. É claro que Feast for Crows já era um livro sobre as conseqüências deste primeiro ciclo, praticamente um epílogo a primeira trilogia de Martin, no entanto, como alguns dos personagens principais (erroneamente em minha opinião) ficaram de fora do quarto livro, acabamos ganhando mais uma publicação que segue esse tom de encerramentos de Storm of Swords.

Como já é de praxe, o texto é extremamente bem escrito, os personagens novos e antigos continuam instigantes, não existem finais felizes ou personagens sagrados, todos estão a mercê de suas ações e destinos e a política continua a ser o foco no lugar da ação. A Song of Ice and Fire sempre foi um épico fantástico para adultos, e este livro continua esta tendência de forma magistral.

Infelizmente, nem tudo sobre Dance with Dragons é bom. Se existe uma palavra que define o livro, esta palavra seria “preparação”. As peças estão todas lá: eventos que serão completamente imersivos e épicos, encontros de grandes personagens, batalhas colossais, mas infelizmente nada nunca acontece, ou se concretiza. Quase nada que esperávamos ver neste livro realmente aconteceu, e os dois grandes plots novos que Dance introduziu também acabaram sem resolução alguma. É como se o livro de mil páginas, precisasse de pelo menos mais trezentas para poder fechar as pontas soltas e terminar bem.

Tirando pequenas exceções, o livro é quase uma procastinação do autor, que parece determinado em não resolver os plots que seriam normais e razoáveis de se ter fim em uma narrativa comum. Faltam apenas dois livros para que a série se acabe e a impressão que temos é que todas as peças ainda nem foram colocadas no tabuleiro.

O livro não é ruim, na verdade, alguns dos melhores plots são iniciados e terminados nele, como é o caso da história de Reek. Mas para quem acompanha a série há 15 anos (ou mesmo há cinco, como é o meu caso), não dá para ficar totalmente feliz com o resultado. Faltaram duas coisas a George Martin aqui: capacidade de resolução e um bom editor.

O problema de autores que ficam famosos, ou quando eles criam uma série muito popular, é a importância diminuta que estes costumam a dar para seus editores, que passam a ser trocados quando é do agrado do autor. Para algumas séries, o rumo contrário é tomado, com um grupo de supervisores e editores que garantem um contínuo melhoramento do livro, podemos ver isso em Harry Potter, uma fantasia muito diferente de Song of Ice and Fire, mas que obviamente cresceu junto com seus leitores. George Martin infelizmente precisa de um bom editor, capaz de dizer a ele que seu livro precisa ter arestas cortadas, que ele precisa concluir alguns plots de seus livros e para dar um pouco mais de ritmo a narrativa.

Torço muito para que os próximos dois livros restantes estejam no mesmo grau de qualidade dos três primeiros da série. Com o Inverno finalmente sobre nós, creio que não haverá mais enrolação ou plots completamente novos, e a saga poderá caminhar para o final épico que vem promentendo.

É importante reconhecer a importância do caminho, inclusive como algo mais relevante do que o destino final, mas nada pode traçar um caminho eternamente.

[xrr rating=2.5/5]

2 opinaram!

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  1. Se teve uma coisa que foi minha maior crítica/decepção no livro foi a enrolação. Não no ponto de movimentação de peças, mas que dava pra cortar – E MUITO – gorduras dos capítulos dos protagonistas Tyrion, Dany e Jon. A leitura deles ficou enfadonha.

  2. Faltou o “n” de “Dance” no título do post!

    e ah, realmente, está meio enrolado DEMAIS o negócio. cansa. mesma coisa com As crônicas saxônicas, não é? Não aconteceu NADA no volume 4, deu muita raiva.

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Publicado por Felipe Velloso

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