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Resenha: Runas de Joanne Harris

A cena pós-créditos de O homem de ferro 2 revela o martelo de Thor em uma cratera no meio do deserto. Uma deixa da Marvel para o aguardado filme do deus do trovão, no meio do ano que vem. Enquanto esperamos, procurando nos mais recentes eddas, um livro chama a atenção por usar a mitologia escandinava de uma forma bem diferente daquela adaptada por Stan Lee e Jack Kirby.

Publicado recentemente pela Rocco, Runas (Runemarks, tradução de Rafael Mantovani), escrito pela anglo-francesa Joanne Harris, utiliza o apocalipse nórdico como acontecimento já ocorrido. O Ragnarok, a batalha final do fim do mundo foi deflagrada já há centenas de anos e os personagens do livro vivem numa terra sem deuses, sem magia onde tudo que lembrasse o passado místico fora extinto por uma ordem religiosa.

Harris, autora de romances famosos como Chocolate (Chocolat, 1999) ou O Segredo das Marés (Coastlines, 2002), envereda pela literatura fantástica pela primeira vez, compondo uma narrativa cujo fio condutor é a magia contida nas runas e o que representam para aqueles que possuem o dom de usá-las. Símbolos sagrados que continham, para os nórdicos, significados místicos e capazes de proezas inimagináveis. O próprio Mjolnir foi forjado sob o poder das runas, como por exemplo, a runa de poder que concede ao martelo nunca errar o alvo ou outra que o reduz de tamanho. Poucas vezes nos quadrinhos foram representadas e parece que o filme vai seguir o modelo das HQs.

A narrativa em Runas está centrada em um cenário pré-cristão, 500 anos depois do fim dos deuses, como foi predito. Uma era de tribulações, um mundo onde ainda pode ser sentida a presença divina de Odin, Thor e os demais aesirs. Uma terra onde os humanos tropeçam num presente governado pela Ordem, um grupo de fanáticos religiosos que seguem a Palavra do Bom Livro, que proíbe o sonho e a imaginação ou tudo aquilo que possa lembrar a Era Antiga.

È assim que Harris insere sua protagonista, numa comunidade isolada, vivendo como uma pária, soturna e estranha aos demais habitantes. Características já bem conhecidas dos demais romances que Harris já publicou.

Maddy Smith vive no frio e sombrio vale de Strond, na pequena aldeia de Malbry. Sonhadora e contadora de causos, hábitos que os moradores não viam com bons olhos, Maddy nasceu com uma marca estranha na mão, um sinal de nascença em sua palma, na cor de ferrugem, que todos dizem que é uma ruína de bruxa, um mal-agouro que irá lhe acompanhar por todo o sempre. Previsivelmente, um personagem, o misterioso viajante Um Olho, a considera uma marca do destino e notando um dom especial na jovem, a ensina sobre o uso das runas e como lançar magias baseadas nela.

Agora aos quatorze anos, podendo se comunicar e ver as criaturas mágicas, a jovem iniciará uma jornada sem volta, um caminho que a levará a se envolver numa batalha mais terrível que àquela de quinhentos anos atrás. È nessa trilha que a história segue o estilo épico de Tolkien, onde Maddy e Um Olho encontrarão goblins, guerreiros, mortos-vivos, deuses e toda espécie de criaturas fantásticas.

Para qualquer fã do gênero, Runas entretém pela sensibilidade, bom humor e cuidado que Harris faz em elaborar sua versão da visão nórdica do mundo. Os três mapas, as duas páginas com os nomes dos personagens e as 16 runas ajudam a compor a viagem fascinante pelo universo das antigas lendas nórdicas.

Para os fãs de Frodo, Harry Potter, Senar e Nihal, ou mesmo Eragon e Percy Jackson, os meandros de Asgard, Hel e Yggdrasil são meras trilhas compostas para se deleitar em aventuras. Conheceremos a nobreza e as falhas divinas de deuses como Odin, Loki, Thor, entre outros. O mundo ou melhor os nove mundos d Harris estão dentro da expectativa de um ambiente crível e de um sistema auto-contido entre magia, ciência e mitologia. Uma mistura perfeita, por usar o pano de fundo nórdico com respeito e um claro entendimento do original. Uma personagem com um encantador ponto de vista e uma história cheia de reviravoltas, Runas revigora a mitologia nórdica e pode nos preparar para o que vem por aí. Um aviso, para quem conhece os mitos ao redor do deus do trovão, mesmo de suas adaptações, matará a charada que autora construiu ao longo da narrativa.

Recomendo.

2 opinaram!

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  1. Cara, leia "O Nome do Vento".

    Já dei um exemplar para o Amudad. Não sei o quanto vcs são próximos. Mas qualquer coisa pede emprestado dele.

    Grande abraço.

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Publicado por Cadorno Teles

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