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Crítica: Banda do Mar traz ares ensolarados à carreira de Marcelo Camelo

Marcelo Camelo era o vocalista da banda brasileira mais importante da virada dos anos 90 para os 2000, o Los Hermanos, que terminou depois que os integrantes resolveram se dedicar cada um a seus projetos solo. Camelo, letrista e arranjador de mão cheia, já compunha para si e para outros artistas, como ‘Cara Valente’, que fez sucesso na voz de Maria Rita. Já Mallu Magalhães, era uma adolescente que em 2007 aos 15 anos chamou a atenção com um vídeo do myspace exibido nos intervalos da MTV tocando clássicos do folk como’ It Aint Me’ de Bob Dylan e ‘Folsom Prision Blues’ de Johnny Cash. Logo começou a apresentar canções autorais.
Quando veio a notícia de que a menina, então com 17 anos e o ex-hermano estavam tendo um romance, a primeira coisa que se pensou, lógico, foi na diferença de idades. E logo em seguida, em quando eles fariam uma parceria em disco. Pode se dizer que esse romance/intercâmbio rendeu bons frutos. Primeiro uma participação dela no primeiro disco solo de Camelo, Sou, na faixa’ Janta’, e ela ainda participaria do segundo disco solo do compositor, Toque Dela, de 2011. Já a contribuição de Camelo para o trabalho de Mallu foi ainda mais edificante, pois apesar de talentosa, ela precisava de alguém com mais experiência para aparar algumas arestas. Entre outras coisa, Camelo produziu o terceiro álbum dela, Pitanga.
Agora chega o novo “filho”, a Banda do Mar, formada pelo casal e o baterista português Fred Ferreira, filho de Kalu, da clássica banda lusa Xutos & Pontapés. Ao longo das 12 faixas do disco que leva o nome do grupo (Sony Music/2014), o que se vê são as matizes da composição de Camelo, tanto na métrica e ritmo, quanto no clima retrô, nos remetendo ao rock dos anos sessenta – sobretudo surf rock – e à música brasileira do mesmo período. Isso se coaduna com o approach de Mallu com o rock clássico, visto na sonoridade de seu trabalho solo, mas o que temos no disco é Marcelo Camelo de coração e alma. Mallu praticamente contribui apenas com a voz. O que é muito bem vindo: seus vocais agora adultos estão mais seguros, intrêmulos e aprumados. Isso se vê na faixa em “Mais Ninguém”, a primeira em que ela assume a voz principal.
banda-do-mar-2 Em ‘Muitos Chocolates’, ela já apresenta nuances de Maria Rita. E se insere de forma doce fazendo backing em ‘Pode Ser’. ‘Mia’, também com os vocais de Mallu, dentre talvez seja a mais identificável como sendo de autoria de Camelo. O que fica bastante evidente é a ausência de temas melancólicos e autopiedosos em detrimento de um clima leve, pop, talvez no intuito de derrubar a máxima de que a tristeza é a melhor amiga da inspiração. É curioso ouvir canções com letras tão ensolaradas na voz dele como ‘Cidade Nova’, ‘Dia Claro’ e ‘Solar’.
‘Faz Tempo’, que se inicia com uma linha de baixo e guitarra que muito lembra ‘My Sweet Lord’ de George Harrison, talvez seja a que mais acene para os tempos de Los Hermanos, assim como a seguinte, ‘Seja Como For’, é a que mais remete ao trabalho solo de Mallu. Por fim, Banda do Mar é um disco competente, bem concebido que configurará dignamente no currículo dos três músicos. Tem todo jeito de ser apenas um projeto no estilo ação entre amigos, mas se virasse o foco principal da carreira dos três seria muito bem-vindo.

capa do álbum
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