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Em novo álbum, “Elo”, Maria Rita trafega pela zona de conforto

O esperado novo cd de inéditas de Maria Rita vem para fechar uma lacuna de quatro anos sem lançar discos. Talvez uma das poucas cantores brasileiras que tenha um contrato maisntream com uma grande gravadora hoje, no planeta, a cantora atendeu a um pedido de sua multinacional para um lançamento imediato (quer dizer, nem tanto, afinal são quatro anos!) e como vem atendendo aos constantes convites de shows no mercado internacional, pegou o repertório usado nesses shows para dar corpo ao novo trabalho.

Elo, como nominou a “filho”, acaba sendo condizente com esse senso de oportunidade que justifica o lançamento. Nele, há regravações de muitas músicas bastantes conhecidas do nosso cancioneiro: Menino do Rio (de Caetano Veloso), onde pouco acrescenta, A Outra, onde também não é tão feliz na reinterpretação da música de Marcelo Camelo (que por sinal é “presença constante” em seus cds) e A História de Lily Braun, que após a versão tupiniquim jazzística de Maria Gadu soa um tanto apática. Já nas interpretações de Só De Você (de Rita Lee) consegue com que pensemos que a música fora feita para a própria, tamanha intimidade; Um Dia Frio, clássico de Djavan, faz uma versão personalista, assim como em Santana (já gravada por Gal Costa), um dos grandes destaques do cd, onde é de uma vividez contagiante.

Esse tal DNA corporativo deste novo trabalho da cantora denota uma propensão à zona de conforto do que vem sendo apresentado em seus últimos trabalhos. Assim como no seu polêmico segundo CD, o novo também urde de pouquíssimo acompanhamento instrumental (aqui, essencialmente, um piano, um baixo e uma bateria) o que, mais uma vez, confere um ar minimalista às sonoridades das músicas.

Dentre as inéditas, podemos notar a graciosidade de Coração A Batucar (Davi Moraes e Alvinho Lancellotti), que abrange sua relação bem sucedida com o gênero, tão explicitada no álbum anterior Samba Meu. Mas é quando impõe sua densidade poética e talento vocal na belíssima Pra Matar Meu Coração (de Daniel Jobim e Pedro Baby) que esquecemos toda a mesmice impregnada no conceito desse novo trabalho. E é isso que tem sido a carreira de Maria Rita: seu talento suplanta estigmas e possíveis escorregões que porventura passem por seu caminho. E é nesse espírito que temos que ouvir e aceitar seu Elo.

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Ativista

Publicado por Renan de Andrade

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