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O fim do Kid Abelha

Na mesma semana em que a música pop perdeu o astro Prince, foi anunciado o fim das atividades de uma das principais bandas pop brasileiras, o Kid Abelha. Há algum tempo as atividades do grupo já haviam se tornado bissextas, devido aos projetos paralelos (bem sucedidos) dos integrantes, mas o comunicado oficial da dissolução só veio no último sábado (dia 23 de abril).

O Kid Abelha nunca foi uma banda aclamada pela crítica ou objeto de culto pelo público como seus contemporâneos Legião Urbana, Titãs ou Paralamas do Sucesso, mas é a que possui o maior número de hits radiofônicos no Brasil, com mais de 30 músicas bem-executadas.

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Formado em 1982, com o nome Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, contava em sua formação original com Paula Toller (voz), Leoni (voz e baixo elétrico), Carlos Beni (bateria), Pedro Farah (guitarra) e George Israel (sax).

Paula e Leoni se conheceram na época de faculdade. Ambos estudavam na PUC-RJ e engataram um namoro. Nesse período, Leoni, Carlo e Pedro tinham uma banda chamada Chrisma e sempre convidavam Paula a ingressar na banda, porém, ela sempre recusava, alegando ser tímida. Suas visitas aos ensaios a motivaram a cantar. George Israel, por sua vez, foi visto tocando saxofone em Búzios, Rio de Janeiro, e convidado por um amigo de Leoni a conhecer a tal banda que este liderava.

George aceitou o convite e se uniu à banda, pouco tempo depois conhecida como Kid Abelha e os Abóboras Selvagens, nome escolhido durante uma transmissão ao vivo na Rádio Fluminense FM, lendária rádio de Niterói, grande responsável pelo estouro do rock Brasil dos anos 80.

A primeira demo executada pela extinta rádio foi ‘Distração’. O sucesso foi imediato, a banda passou a fazer shows no Circo Voador e, com isso, participam do LP Rock Voador, com duas faixas: ‘Distração’ e ‘Vida de Cão é Chato pra Cachorro’.

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Pedro Farah foi o primeiro integrante a deixar a banda, logo no início da fase de sucesso, para morar nos Estados Unidos. Com isso, Bruno Fortunato assume a guitarra em definitivo. Beni, que mais tarde seria produtor da banda carioca Biquini Cavadão, foi o segundo integrante a sair do Kid, sendo substituído por bateristas contratados. O debut se deu com “Seu Espião”, de 1984, que trazia singles que já eram grandes sucessos radiofônicos como ‘Pintura Íntima’, ‘Por Que Não Eu?’ e ‘Como Eu Quero’, e as inéditas, que se tornaram sucessos instantâneos, ‘Fixação’, ‘Nada Tanto assim’, ‘Alice (Não Me Escreva Aquela Carta de Amor)’.

O sucesso os levou ao Rock In Rio. A saída de Leoni, pouco depois do lançamento do segundo disco, “Educação Sentimetal”, de 1985, se deu devido a desentendimento generalizado que ele e Paula tiveram com seus respectivos namorados, a herdeira da loja Zoomp, Fabiana Kherlakian, e Herbert Viana, do Paralamas do Sucesso. Pelo fato de Leoni ser o principal letrista, todos acreditavam que aquele seria o fim, mas a banda estava apenas decolando. A formação ficou sendo, durante os últimos trinta anos, Paula, Bruno e George.

Paula Toller foi alçada ao status de musa, e foi convidada para papéis no cinema e na TV, mas recusou todos. para o papel título de “Bete Balanço”, que terminou sendo interpretado por Débora Bloch e de Natasha, da novela “Vamp”, que foi interpretada por Cláudia Ohana.

Ao todo foram 16 álbuns e dois DVDs ao vivo. O Kid Abelha aproveitou a onda de revival do BRock anos 80 nos anos 2000 e gravou um acústico, que vendeu 750 mil cópias, ficando por dois anos entre os 10 mais vendidos. A partir daí a banda passou a ter longos hiatos, até fazer a comemoração de 30 anos em 2012, mas em 2013 anunciaram uma nova pausa.

E agora chega ao fim. E justamente remando contra a tendência atual de reuniões (vimos que o IRA!, por exemplo, superou uma séria briga entre integrantes e retornou; e os Los Hermanos fizeram apresentações especiais) e longevidade. Mas, quem sabe, eles não voltam uma reunião especial? A saudade pode bater

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Publicado por Cesar Monteiro

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