Com show carinhoso, artista compensa a longa ausência do Brasil
Quando Zach Condon, o comandante da orquestra Beirut, subiu no palco principal do C6 Fest no último domingo (24), alguém na plateia gritou “ele veio finalmente!”. Não se sabe se ele ouviu, muito menos se entendeu, mas assim que se posicionou no palco, o criador do projeto musical disse “finalmente aqui”, arrancando aplausos e gargalhadas.
Essa espécie de grupo de um homem só mistura indie rock com música balcânica, francesa, mexicana e várias outras influências. A única vinda ao país ocorreu em 2009, quando percorreram Salvador, Rio de Janeiro, São Paulo e Recife embalados pelo sucesso de “Elephant Gun” — trilha sonora da microssérie Capitu, da Globo. Embora novas apresentações tenham sido agendadas para 2014 e 2019, ambas foram canceladas devido a problemas de saúde do mentor do projeto. Daí, a fama de “furão”. Assim, o show do C6 Fest marca o aguardado retorno do grupo ao Brasil após um hiato de 17 anos. Havia até apostas no meio do público (e até na sala de imprensa) se ele de fato iria aparecer.
Com isso, Condon e sua banda entraram com o jogo ganho no Parque do Ibirapuera, em São Paulo, com boa parte da plateia presente por conta dele (rivalizando de igual em número com os que aguardavam Robert Plant, grande atração da noite, que subiria ao mesmo palco logo em seguida). Ainda assim, ele não se acomodou e proporcionou um show com excelência técnica, repertório situado entre diferentes fases da carreira , com canções aclamadas como “Elephant Gun”, “Gallipoli”, “Santa Fe” e “Nantes”. Todas recebidas com entusiasmo.
Um dos pontos altos da apresentação foi seu cover de “O leãozinho”, clássico de Caetano Veloso (também cantada por Shakira ao lado do próprio no show em Copacabana), em um esforçado português e arranjo de sopros. Uma versão folk acústica da música já havia sido gravada por eles para o projeto beneficente “Red Hot + Rio 2″, para causas de HIV/AIDS que tinha a Tropicália como tema. Ali, com aquele show tão afetivo, estava claro para os fãs que a espera tinha valido a pena.








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