
No Brasil, raramente um
trompetista consegue projeção fora dos círculos de música instrumental e
Guilherme Mendonça, o músico paulista mais conhecido como
Guizado, não demonstra temer por isso. Verdade seja dita, Guilherme não se restringe ao seu instrumento de sopro e neste disco também toca piano, sintetizadores, programação de bateria, samples e toda uma sorte de aparelhagens eletrônicas de estúdio. Como todo bom band leader, está cercado por uma banda afiada e experiente. Régis Damasceno nas guitarra, Rian Batista no baixo (ambos integrantes do
Cidadão Instigado) e
Curumim na bateria.
Descrever o som do
Guizado é como descrever a cidade em que a banda existe e respira,
São Paulo. Barulhenta, inquieta, neurótica e hipnótica. Imagine banda de jazz tocando rock enquanto usa e abusa de todos os artifícios eletrônicos que um estúdio pode disponibilizar.

Calavera é um disco eletrônico na alma e multi-étnico de coração. Apesar de anunciar-se mais ligado à música mexicana, ouve-se aqui e ali lampeijos de música árabe, africana, do leste europeu e do nordeste brasileiro. Se ouço no disco algo que remete aos recifenses
Nação Zumbi e
Bonsucesso Samba Clube ou de gringos como
Add (N) to X,
Gala Drop e
The Eternals me parece mais um encontro de idéias e texturas sonoras diversas do que influência ou semelhança.
As grande diferenças desse novo disco para o seu álbum de estréia são as faixas mais harmônicas, em contraponto à quebradeira de
Punx, e o uso de vocais em 6 de suas 11 faixas, cantadas por Guilherme e pelas cantoras convidadas
Karina Buhr e
Céu. Vocais esses que mais parecem mantras religiosos, cheios de efeitos e texturas, funcionando como mais um instrumento musical nas faixas.
Guizado é banda para um baile onde é difícil ficar parado, mas não se sabe exatamente o que dançar.
Tracklist:
- Amplidão
- Asfalto Quente
- Girando
- A Emanação dos Sonhos
- Mais Além
- Role Beleza
- O Marisco
- Skate Phaser
- Calavera
- Vendaval
- Wow
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