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MITA Festival – Gorillaz e a genialidade de Damon Albarn

Foto: Alexandre Woloch

O Gorillaz era a principal atração dessa primeira edição do MITA Festival. O público que encheu o Jockey Club do Rio de Janeiro estava mesmo em sua maioria para ver o projeto inusitado de Damon Albarn ao vivo. E até os fãs de Two Door Cinema Club e The Kooks queriam conferir o headliner. O motivo da euforia é compreensível: é a primeira vez do grupo representado pelo conjunto em desenho animado, que já se tornou ícone pop, no Rio de Janeiro. E é a primeira vez que Albarn faz um show em terras cariocas desde 1999, quando tocou por aqui à frente do Blur.

O Gorillaz nasceu como um projeto de Albarn, sentindo-se engessado dentro do Blur e querendo criar algo realmente novo. Daí, junto com o desenhista Jamie Hewlett (que já era conhecido por trabalhos com Tank Girl e Judge Dredd), concebeu a “banda virtual” formada pelo vocalista 2-D, o baixista de aparência sinistra Murdoc, a criança asiática Noodle na guitarra (que só quando “cresceu” vimos que é uma menina, no início pairava a dúvida) e o baterista Russel, que parece mesmo um gorila.

MITA Festival - Gorillaz e a genialidade de Damon Albarn | Críticas | Revista Ambrosia
Foto: Salvador Camino

 

Ao longo dos anos, o grupo fez colaborações com nomes como Del the Funky Homosapien, De La Soul, Shaun Ryder, Mick Jones do the Clash, Lou Reed,  André 3000, George Benson, e Elton John, para citar alguns. Além de trabalhar com uma musicalidade que fosse além do rock, era o Gorillaz também era um veículo para que Albarn abordasse preocupações políticas e sociais de forma mais assertiva, o que ficou mais evidente no álbum “Plastic Beach” de 2010.

Ao vivo toda a pândega ouvida nos álbuns de estúdio e a que é vista nos videoclipes ganham pulsação, entrando em uma confluência em um espetáculo audiovisual (no melhor sentido da palavra) como pouco é feito no pop/rock. O show do Gorillaz é uma experiência sensorial ímpar.

O show começa com a imagem de um televisor antigo, com uma série de imagens aleatórias, de várias épocas. O aparelho vai se aproximando até tomar todo o telão. Com uma mensagem de “Olá” nas telas central e lateral do palco, a banda adentra com ‘M1 A1’, hit do primeiro álbum, o clássico de 2001 que levava apenas o nome do conjunto. Em seguida, um salto de 19 com ‘Strange Timez’, colab com Robert Smith do “Song Machine”, de 2020. No telão, os personagens em uma viagem à lua, que tem a cara do vocalista do The Cure projetada no satélite natural da Terra.

Em ‘Tranz’ aparece a banda cartoon tocando, o que fez a plateia vibrar. É interessante como se dá a sincronia do que é executado no palco com os movimentos dos personagens, inclusive os movimentos labiais de 2-D, casando os vocais de Albarn. Já em ‘Tomorrow Comes Today’, a sexta música, surge o conjunto desenhado no visual clássico, com Noodle ainda criança, o que arranca mais gritos empolgados dos fãs de primeira hora.

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Foto: Salvador Camino

 

O setlist estava bem distribuído ao longo dos álbuns, com uma certa predominância de “Demon Days”, o segundo disco, de 2005, com nove faixas das 28. Foi um equilibrado passeio entre clássicos, composições menos conhecidas do grande público e lançamentos mais recentes. No entanto, evidentemente, as músicas recebidas com maior entusiasmo pelo público, cantando as letras tais quais hinos de torcida, foram os grandes hits como ’19-2000′, ‘Feel Good Inc.’, ‘Dirty Harry’ e ‘Clint Eastwood’.

A performance da banda (que já não fica mais escondida como lá no início, em que a estrela realmente era o cartoon) é impecável. O apoio a Damon Albarn é garantido por Mike Smith (teclados), Karl Van Den Bossche (bateria e percussão), Jeff Wootton (guitarra solo e base), Jesse Hackett (teclados), Seye Adelekan (baixo), Femi Koleoso (bateria), Remi Kabaka Jr. (percussão). A eles ainda se junta um grupo competentíssimo de backing vocals (três mulheres e um homem). Uma delas brilha em um solo, colocada pelo vocalista à frente do palco, em ‘Kids With Guns’.

Albarn, além de colocar em cena todo o seu talento, tocando diversos instrumentos (guitarra, piano, melódica) ainda esbanja carisma, em um misto de frontman com mestre de cerimônia. Na música ‘Pirate Jet’, desceu ao pit para ter um contato bem próximo com o gargarejo.

As participações especiais, tanto no telão quanto ao vivo, foram a cereja do bolo. ‘Feel Good Inc.’ contou com a presença ao vivo de Pos, do De La Soul, que chegou ao palco na música anterior do setlist, ‘Superfast Jellyfish’. Ele ajudou a animar ainda mais a execução desse que é possivelmente o maior hit do Gorillaz.

Bootie Brown marcou presença em Dirty Harry e Stylo – que trazia outra participação especial, Bruce Willis no telão, que arrancou aplausos dos já saudosos, uma vez que o ator anunciou sua aposentadoria. Outra aparição divertida em vídeo foi Elton John em versão animada no traço de Hewlett no colab de Gorillaz com o Rocket Man e 6LACK ‘The Pink Phantom’.

Por fim, conferir o Gorillaz ao vivo é testemunhar um trabalho genial de um artista que, por mais que tenha trinta anos de estrada (se formos contar o Blur, de Gorillaz são 21) e ainda sente necessidade de trazer algo de relevante. Mesmo que seja encarado como um entretenimento excêntrico.

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Foto: Salvador Camino

 

Setlist:

  1. M1 A1
  2. Strange Timez
  3. Last Living Souls
  4. Tranz
  5. Aries
  6. Tomorrow Comes Today
  7. Every Planet We Reach Is Dead
  8. Rhinestone Eyes
  9. 19-2000
  10. Saturnz Barz
  11. Cracker Island
  12. O Green World
  13. Pirate Jet
  14. On Melancholy Hill
  15. El Mañana
  16. Fire Flies
  17. Kids With Guns
  18. Interlude: Elevator Going Up
  19. Andromeda
  20. Superfast Jellyfish
    (com Pos)
  21. Feel Good Inc.
    (com Pos)

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  22. Dirty Harry
    (com Bootie Brown)

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  23. Momentary Bliss
  24. Plastic Beach
  25. Bis:
  26. The Pink Phantom
  27. Stylo
    (com Bootie Brown)
  28. Clint Eastwood
    (com Sweetie Irie) (incluindo “Ed Case/Sweetie Irie Re-fix” outro)
  29. Don’t Get Lost in Heaven
  30. Demon Days

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