Vencedor do Djanho Fantástico 2025, longa-metragem rodado em Florianópolis chega aos cinemas em maio com foco no cinema de gênero
A estreia de Ligia Walper na direção de longas-metragens acontece em um terreno onde a realidade urbana de Florianópolis se funde ao folclore sombrio da Ilha da Magia. Conhecida por sua trajetória premiada como montadora e produtora de obras históricas como Netto Perde sua Alma, Walper lança “Edifício Bonfim” no próximo dia 7 de maio, com um circuito de exibição que abrange salas em Santa Catarina, Rio Grande do Sul, São Paulo e Rio de Janeiro.
O filme, que conquistou os prêmios de Melhor Filme Brasileiro e Melhor Atriz (para Gabi Petry) no festival Djanho Fantástico em 2025, utiliza o universo catalogado pelo antropólogo Franklin Cascaes para dar vida a bruxas, monstros e serial killers. A trama se desenrola a partir de três narrativas que se entrecruzam — Criatura, Trilha da Costa e Formando — unidas pela convivência dos personagens no prédio que dá nome à obra. Após uma reunião de condomínio aparentemente trivial, os moradores são tragados para uma sucessão de ataques macabros que transformam a capital catarinense em um cenário de horror.
Para construir essa atmosfera, a diretora contou com um roteiro elaborado pelos especialistas em literatura de mistério Duda Falcão, Cesar Alcázar e o americano Christopher Kastensmidt, sob a supervisão final de Tabajara Ruas. A proposta de Walper foi transformar a própria geografia de Florianópolis em um personagem: pontos icônicos como a Ponte Hercílio Luz e a Lagoa da Conceição surgem sob uma lente perturbadora, contrastando a beleza natural com o bizarro. Tudo isso é embalado pela trilha sonora de Carlos Trilha e Murilo Valente, com a energia característica da banda Dazaranha.
No elenco, além de Gabi Petry, o longa destaca nomes como Vinícius Wester e Sandro Maquel, que dão vida a tipos que transitam entre o drama, o policial e a comédia de humor negro. Realizado pela Walper Ruas Produções e distribuído pela Panda Filmes, Edifício Bonfim chega aos cinemas em um momento de consolidação do cinema de gênero no Brasil, provando que o terror nacional encontra força justamente ao explorar as crenças e superstições que habitam o imaginário regional.









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