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Morre Jennifer Finch, baixista do L7

Jennifer Finch L7

Óbito ocorre apenas cinco dias após o anúncio de sua luta contra um câncer

A cena rock alternativa mundial ficou de luto com a confirmação da morte de Jennifer Finch, icônica baixista da banda L7, aos 59 anos. A perda foi anunciada pelo próprio grupo no último domingo (19), após uma corajosa e intensa batalha contra um câncer cerebral.

A notícia (via The Independent) chega apenas cinco dias depois de a banda ter tornado público o diagnóstico da musicista e mobilizado fãs através de uma campanha de apoio. Complicações imprevistas exigiram múltiplas cirurgias que resultaram em limitações físicas, impedindo-a de integrar a próxima turnê de despedida do grupo.

Um Ícone do Grunge e do Punk Rock de Los Angeles

Nascida para marcar época, Jennifer entrou para o L7 em 1987, dois anos após a fundação da banda em Los Angeles. Com seu espírito feroz, senso de humor e criatividade, ela se tornou uma das figuras mais reconhecíveis e queridas da cena punk dos anos 80 e da chamada era grunge dos 90. Apesar de considerada indisciplinada e não ter formação técnica, ela injetava vibração e peso à sonoridade e às performances ao vivo da banda.

Além de sua marcante atuação como baixista, Finch também deixou sua marca como compositora e fotógrafa, participando ativamente de álbuns clássicos e fundamentais da discografia da banda, como L7 (Álbum de estreia), Smell the Magic, Bricks Are Heavy – que levou a banda ao mainstream e também considerado um dos grandes marcos do rock alternativo -, Hungry for Stink e Scatter the Rats (álbum do aclamado retorno da banda em 2015).

Após deixar a formação original em 1996, por ter largado a bebida e devido à morte do pai, Jennifer retornou no emblemático reencontro de 2015, mantendo-se como parte essencial do núcleo do L7 ao lado de Donita Sparks, Suzi Gardner e Dee Plakas.

Ela tocou em mais duas bandas, OtherStarPeople e The Shocker; lançou seu próprio selo, Little Pusher Records; e foi até mesmo fotógrafa, função que exerceu de forma prolífica.

O Adeus de Fãs e Amigos

Em um comunicado oficial emocionante, a banda expressou a dor da perda:

“Estamos arrasados com a perda de nossa amada companheira de banda, irmã e amiga Jennifer Finch, cujo espírito feroz, humor e criatividade sem limites ajudaram a moldar o L7 e mudaram a vida de todos nós para sempre. Jennifer era uma verdadeira original que viveu inteiramente em seus próprios termos… Descanse em poder, nossa querida amiga.”

Nas redes sociais, o impacto foi imediato. Milhares de fãs, admiradores e pares da indústria musical inundaram as publicações com homenagens, lamentando a partida precoce da artista e celebrando seu legado indestrutível na música independente e na representatividade feminina no rock.

A Estrada dos tijolos pesados

Nascido na efervescente cena punk do “faça você mesmo” em Los Angeles, o L7 encontrou sua identidade quando as guitarristas Donita Sparks e Suzi Gardner uniram forças em 1985. A formação clássica e puramente feminina se consolidou logo depois com a chegada da enérgica baixista Jennifer Finch — que compensava a falta de técnica com pura atitude headbanger — e da precisa baterista Dee Plakas. Em busca de um cenário mais progressista, o quarteto migrou para Seattle, onde foi acolhido pela lendária gravadora Sub Pop. Nos anos 90, a banda atingiu o ápice do estrelato com o álbum Bricks Are Heavy (1992) e o mega-hit Pretend We’re Dead, vivendo intensamente o sonho do rock ‘n’ roll em meio a turnês europeias, excessos e performances marcadas por uma autenticidade radical — como o icônico e visceral protesto de Donita no Festival de Reading em 1992.

Além do som cru e pesado, o grupo construiu um legado indestrutível pautado pelo feminismo e atitude política. Em 1991, elas fundaram o festival Rock for Choice, uma iniciativa histórica em defesa dos direitos reprodutivos das mulheres que reuniu gigantes como Nirvana, Pearl Jam e Rage Against the Machine. Contudo, o desgaste da rotina na estrada, a escassez do retorno financeiro esperado e tragédias marcantes, como a morte de Kurt Cobain, minaram o entusiasmo do grupo, resultando no som mais paranoico e depressivo do disco Hungry for Stink. O declínio culminou na saída de Jennifer em 1997 e, após tentativas de manter a independência com um selo próprio, a saída de Suzi Gardner em meio a uma crise pessoal selou o fim melancólico e silencioso do quarteto em 2001.

A redenção veio treze anos depois, em 2014, quando a devoção e a reverência dos fãs nas redes sociais motivaram a reunião da formação autêntica. O L7 provou que sua acidez permanece intacta com novos lançamentos contestadores e apresentações ao vivo ainda melhores. Mantendo uma conexão histórica com o Brasil — que começou na recepção apoteótica do Hollywood Rock em 1993 e passou por shows avassaladores em São Paulo e no Rio de Janeiro em 2018 (saiba como foi aqui). A última vinda foi em março 2025, na ocasião como banda convidada da turnê do Garbage, cujo baterista Butch Vig foi o produtor de Bricks Are Heavy.

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