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O valor (melódico) e a juventude da banda Dônica

 

Para além do frescor da novidade, o surgimento no horizonte da banda Dônica tem a seu favor o plus da juventude. E é essa prerrogativa que fica clara, num primeiro momento, quando se ouve as músicas do álbum de estreia, “Continuidade dos Parques“, nivelando a média de idade de seus integrantes, todos ainda nem chegados a casa dos 20 anos.

Se por um lado é muito interessante perceber a onipresença das referências claras ao Clube da Esquina e até mesmo do rock progressivo setentista (que vem influenciando gerações há gerações), assim como a boa escola de Tom Veloso, filho de Caetano, que compõe as canções do grupo; por outro, as letras refletem uma certa despretensão ou ingenuidade características dessa faixa etária.

O álbum já sai com o advento de uma grande gravadora – Sony Music – e tem valiosa produção de Daniel Carvalho e Berna Ceppas, além de show agendado no Rock in Rio. Óbvio que o fato de ser “a banda do filho do Caetano Veloso e da produtora Paula Lavigne” facilita as coisas, mas uma característica que a banda expõe como sua personalidade (seria cedo dizer?) é ser extremamente melódica.

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Musicalmente chega ao nível do sofisticado em, praticamente, todas as músicas. Experimente ouvir “Macaco no Caiaque” e, apesar da letra banhada de puberdade, repare na melodia que a vem acompanhando. É de se impressionar o imperativo dessa qualidade durante todo o CD. Há uma espécie de sonoridade psicodélica na força de músicas como “Pintor” (linda participação de Milton Nascimento), “Casa 180“, “Praga“, “Inverno” e “Assuntos Bons“, denotando uma musicalidade promissora, para além de modismos teens.

Trata-se de um trabalho entre a leve  pretensão da forma – “Continuidade dos Parques” é extraído do nome de um conto de Cortázar – e a deliciosa despretensão de seu conteúdo. Que o futuro traga tudo o que o presente está prometendo.

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