Bandas apresentaram crossover no último dia de evento
O C6 Fest 2026 promoveu encontros bastante interessantes no line-up nacional. Mano Brown e Rincon Sapiência, Baiana System com os MCs da Tanzânia Makaveli e Kadilida, além da cantora chilena Claudia Manzo (que infelizmente encontraram uma plateia um tanto difícil) e o potente crossover de dois ícones da música brasileira Paralamas do Sucesso e Nação Zumbi, que aconteceu no último domingo (24).
O céu ainda estava claro (eram 17h) e no segundo dia de festival o tempo ajudou, sem chuva na capital paulista, apesar do frio. O público ainda chegava. As atrações principais eram Beirut e o lendário ex-vocalista do Led Zeppelin Robert Plant, mas quem chegou cedo presenciou um dos melhores shows desta edição do festival.
Representantes da geração 80 do rock Brasil no festival, o BRock, Herbert Viana, Bi Ribeiro e João Barone – voz e guitarra, baixo e bateria respectivamente – subiram ao palco e já lançaram mão de um do petardo ‘Vital e Sua Moto’, que também foi o primeiro hit da banda. Foi seguida de ‘Ska’, outra oitentista, ‘Lourinha Bombril’, sucesso já da fase anos 90. Daí, a Nação Zumbi, criada por Chico Science e perpetuada por Jorge Du Peixe e trupe, foi anunciada por Herbert, se unindo aos Paralamas no clássico politizado ‘Selvagem’, que emendou no standard noventista ‘A Praieira’.
A Nação se retirou, mas com a promessa de retornar. Daí se seguiram clássicos do trio como ‘Cuide Bem do Seu Amor’, ‘Lanterna dos Afogados’, ‘Alagados’, ‘Óculos’ e ‘Meu Erro’. Era o títpico setlist Greatest Hits que os Paralamas escolhem para festival, mas que sempre funciona, já que os hits radiofônicos sensibilizam quem não está ali para vê-los (o que era a maioria d público). O final trouxe os convidados de volta para mais uma dobradinha de clássicos: ‘O Calibre’, dos Paralamas, e ‘Manguetown’, hino da Nação.
A interação entre as duas bandas se mostrou eficaz e fluida, uma vez que, mesmo com estilos distintos, possuem propostas semelhantes. É uma mistura de ritmos regionais e de outras partes do mundo – no caso dos Paralamas, Reggae, música nordestina, Ska, e o rock, enquanto a Nação mescla o Maracatu com Dub e diversas outras influências -, questionamentos do sistema nas letras e brasilidade acima de tudo. Na sonoridade, houve um reforço nas batidas, graças à percussão da Nação, que também ganhou brilho com a bateria de excelência de Barone na execução das faixas dos pernambucanos. Foi sem dúvida a aposta mais acertada na escalação de atrações nacionais para o evento e quem chegou mais cedo para guardar lugar perto do palco no show de Beirut ou de Robert Plant, foi presenteado.
*Imagem: Iwi Onodera/ Brazil News (via Billboard Brasil)








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