Após 13 anos de hiato do trio completo no Brasil, a banda britânica entregou uma performance minimalista e catártica que renovou os laços com o público no Ibirapuera.
Após uma ausência de 13 anos, o público brasileiro pôde, finalmente, reencontrar o The xx. Romy Madley Croft, Oliver Sim e Jamie xx ainda eram uma espécie de “nova esperança” da cena indie quando se apresentaram no festival Popload, em 2013. No C6 Fest, no último sábado (23), o trio chegou com status de banda consolidada, diante de uma plateia fervorosa que esperava para revê-los — no caso dos fãs mais antigos — ou realizar o sonho de vê-los ao vivo pela primeira vez, como aconteceu com a maior parte do público, composta por jovens.
Com raízes em Wandsworth, Londres, a banda surgiu ainda na época da escola, trazendo uma proposta autêntica que mescla o R&B de ícones como Aaliyah e Rihanna com o legado alternativo do The Cure e Pixies. A essência do grupo é definida pela harmonia vocal entre Croft e Sim, responsáveis por uma sonoridade indie temperamental e visceral. Foi com o single “Crystalised”, em 2009, que eles capturaram a atenção da indústria, tornando-se uma sensação imediata entre críticos e público.
Não que eles tenham sumido completamente do Brasil. Com exceção de Oliver, os fãs já haviam presenciado as carreiras solo dos integrantes: Romy esteve no C6 Fest de 2024, com a turnê de seu disco Mid Air, e Jamie xx apresentou-se no mesmo ano no Gop Tun, também em São Paulo. Porém, a expectativa por uma reunião do trio completo era palpável.
A noite fria de sábado no Parque Ibirapuera entrou em plena simbiose com o som minimalista e melancólico da banda, que carrega ecos de Portishead e Belle & Sebastian. O show abriu com “Crystalised”, dando o tom catártico de uma apresentação que os fãs aguardavam há anos. Para o público mais fiel, há um significado especial em ver o artista iniciar o show com o ponto de partida de sua discografia, o álbum de estreia homônimo de 2009. Era exatamente a dose de emoção que os indies presentes ansiavam.
O setlist contemplou a trajetória da banda, mas também abriu espaço para amostras das carreiras solo dos três integrantes, que foram muito bem recebidas, mesmo por quem não estava tão inteirado dos projetos paralelos. “Loud Places” (de Jamie com Romy), “Enjoy Your Life” (de Romy) e “GMT” (de Oliver Sim) foram entoadas por boa parte da plateia, embora não com a mesma intensidade de “Angels” ou “Shelter”, que fizeram a massa se unir em um grande coro.
A banda manteve uma comunicação carinhosa com o público; Jamie saudou os brasileiros com um “oi, São Paulo”. A resposta foi imediata: declarações de amor, gritos aos primeiros acordes e até o coro de “gostosa” para Romy, puxado por vozes femininas. A icônica “Intro” encerrou a noite com a plateia em estado de encantamento. Os laços do The xx com o Brasil foram definitivamente renovados no C6 Fest e, pelo visto, não será preciso esperar mais uma década e meia para uma nova comunhão.
Setlist:
- Crystalised
- Say Something Loving
- Islands
- Angels
- Night Time
- Sunset
- Fiction
- I’ll Take Care of U (cover – Gil Scott‐Heron e Jamie xx)
- Shelter
- Infinity
- VCR
- Loud Places (Jamie xx song)
- Enjoy Your Life (Romy song)
- Wanna (Jamie xx song)
- Treat Each Other Right (Jamie xx song)
- GMT (Oliver Sim song)
- On Hold (Jamie xx remix and normal version were played)
- I Dare You
- Intro








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