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“Untitled Unmastered” é o bem vindo bônus de Kendrick Lamar

Completamente na surdina, ainda colhendo os louros de “To Pimp a Butterfly”, Kendrick Lamar estava preparando o sucessor desse álbum que teve 11 indicações ao Grammy deste ano(faturou entre outras álbum de rap). “Untitled Unmastered” (Aftermath/Interscope, 2016) foi lançado de supresa, alguns dias após a cerimônia. São oito faixas – poderia ser considerado um EP? – e traz Lamar ainda na rebarba de seu auge criativo alcançado no disco do ano passado.

Cria de Compton (bairro que foi o berço do gangsta rap, onde surgiu o NWA, no ano em que nasceu, 1987), o rapper não se limita ao que se tornou clichê no gênero. Vocifera suas rimas escolhendo muito bem seus samplers. Sim, por que o gênero não pode flertar com a sofisticação sem deixar de ser provocativo? Lamar tem o punch e o acinte de seus conterrâneos predecessores que foram cine biografados no filme “Straght Outta Compton: A História do NWA”, grande sucesso de bilheteria nos EUA em 2015. Ice Cube e Cia devem estar orgulhosos de ver o crescimento artístico do rapaz.

kendrickAs faixas não têm títulos, apenas as datas em que foram concebidas. Essa é uma característica de artistas profícuos no seu auge criativo: produzem a ponto de as sobras também apresentarem boa qualidade. Untitled Unmastered é uma bela surpresa de Kendrick Lamar. A acertada decisão de finalizar e lançar músicas em processo de criação e abusar do experimento com bom gosto. A dica para esse álbum é que seja ouvido em caixas de som e não fones de celular, para se captar todas as camadas e texturas, e de preferência em uma audição imersiva, sem atividades paralelas. Mas também é adequado em um festinha descolada se você quiser atacar de DJ. Sucesso na certa

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