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O Universo Marvel e cenários já poluídos para se narrar RPG

O novo filme do Homem de Ferro está aí, pronto para consolidar mais um sólido passo para a Marvel como estúdio de cinema, e criando nas telas, uma imensa franquia de filmes intercalados (que vale mencionar, eu adoraria dizer que este é um feito inédito mas por favor lembrem do genial Kevin Smith e seu View Askewniverse). Tenho confiança que o novo filme de John Fraveau seja tão bom quanto seu antecessor, porém não é para falar sobre esse filme que escrevo este artigo.

Na verdade minha idéia era falar um pouco sobre o RPG dentro do Universo Marvel, mas em termos de cenário mesmo e não sistemas. Apesar de ter jogado a antiga versão do jogo lançada nos anos 80, e tenha ficado admirado pela engenhosidade de sua versão sem dados lá para meados dos anos 2000, este artigo não foi escrito para discutirmos mecânicas, até por que isso exigiria um artigo muito mais longo, por que super-poderes são coisas incrivelmente complexas de serem representadas fielmente em sistemas.

Há cerca de poucos anos atrás tive a chance de participar de uma divertida mesa de Gurps quarta edição situada no mundo Marvel, e acredito que já nela comecei a sentir os problemas pelos quais pretendo enveredar. Minha tese é: o universo Marvel regular (para os mais nerds/geeks como eu, o universo 616) não serve muito bem para jogos de RPG. “Prontofalei”!

Tentarei ser conciso no que toca este argumento:

Primeiramente, acredito que como qualquer coisa que exista continuamente há mais de 60 anos, este universo há muito perdeu qualquer senso de coerência interna, principalmente no que concerne seu status cronológico. E digo isso como um grande fã do Universo Marvel regular, que na minha opinião subiu muito de qualidade nos últimos anos desde a chegada de Bendis aos Vingadores e da Guerra Civil de Mark Millar. Afinal como efetivamente nós lidamos com questões esquisitas e há muito por nós banalizadas como uma característica tradicional da mídia: por exemplo, a existência de Obama brigando com Norman Osborn em Siege, sendo que este mesmo Normam Osborn tinha seus 40 anos quando nos anos 60 apareceu em uma revista do lado de Richard Nixon?

Enfim, cronologia, nos dois grandes universos de super heróis é uma grande bagunça, e devo dizer que a DC me parece ainda pior nesse sentido, contando todos os seus multiversos e linha temporais esquisitas e crises que não trazem soluções.

O mesmo problema é o tamanho da coisa, é simplesmente impossível saber sobreo universo Marvel em seus pormenores espaciais, de seu microverso até o seu ultraverso (onde vive o Eternidade), e esta falta de controle é muito problemática, porque verdade seja dita, nenhum jogador fica satisfeito quando você muda um universo amado e pré-concebido para satisfazer a sua narrativa (olha como as pessoas tem odiado pessoas como o Dan Slott ou Jeph Loeb).

E esse é justamente o cerne do problema, é bastante provável que quando você vai narrar uma mesa no universo Marvel tradicional, seus jogadores possuam tanto conhecimento quanto você sobre o mesmo, o que geralmente te deixa numa sinuca de bico, onde a maioria de seus jogadores irá ficar chateado por que você mudou ou ignorou algo que eles gostavam, ou irão ficar entediados porque é tudo exatamente igual.

O universo Ultimate (principalmente o da era de ouro, ou seja, pré-Jeph “Ultimatum” Loeb) na minha opinião apresentava um lugar ideal para uma mesa de RPG. Ele não é tão explorado assim, tem muita abertura, não tem problemas espaço-cronológicos que podem gerar discussões e etc. Fora isso, a média geral de qualidade é muito maior. Até hoje eu só li um quadrinho de super-equipes melhor do que os Ultimates (Supremos por aqui), que é Watchmen, mas este eu não considero uma HQ de super-equipe. Por esta razão eu simplesmente não entendo por que colocar uma mesa no universo 616, que é bem menos político (por que na minha opinião as melhores HQs de heróis enfocam o lado político e social da atuação dos mesmos), bem mais congestionado e bem mais confuso do que sua contraparte mais nova.

O estalo que me veio essa semana depois de me respaldar no imenso conteúdo viral de Homem de Ferro 2 foi justamente a chegada de uma nova possibilidade, que é narrar no universo dos filmes, estes, ainda mais coesos e espaçosos do que qualquer coisa. É um grande espaço em branco para administrar aventuras incríveis e colocar uma nova perspectiva sobre cada herói.

A grande verdade é que esse problema pode acontecer com qualquer coisa, e não precisa ser a Marvel. Foi justamente a existência desse tipo de problema é que destruiu completamente o Antigo Mundo das Trevas como cenário. Todo mundo, sabia tudo e tudo era uma grande e mau-escrita confusão. Era Black-Hand para cá, Temporis para lá, Tecnocracia para outro lado e etc… O mundo tinha dezenas de escritores e era atualizado quase que mensalmente, a coisa simplesmente tinha que ter o desfecho que teve.

Não descarto o fato que isso seja uma limitação minha como narrador, e o fato de eu não gostar de jogar em cenários assim, e mais ainda, de me sentir amarrado pelo cenário. Nesse sentido eu me apaixonei pela atual versão do Mundo das Trevas justamente pela sua configuração como mera caixa de ferramentas, onde nada é oficial e tudo são peças para o seu quebra-cabeça.

Não que eu ache que todo cenário pré-concebido seja ruim, longe disso, ainda mais eu, super fã de rpgs indies calcados em cenários que muitas vezes são bem definidos. Mesmo fugindo dos indies, vários cenários de RPG mainstream são absolutamente fantásticos e ideais para se jogar uma aventura, como o universo de Tolkien, Ranvenloft, Dragon Age. Penso o que torna para mim certos cenários viáveis e outros não.

Talvez o problema repouse, no caso do Universo Marvel 616 ou em Vampiro: A máscara, na própria recepção dos fãs, que como já mencionei, parece que querem ver tudo exatamente como está nos livros o que acaba limitando muito suas opções como narrador. O segundo, sendo originalmente um RPG (depois virando séries de livros, quadrinhos, video-games e etc… todos oficiais cronologicamente) é bem mais jogável, mas acabou sim, sendo consumido pelos mesmo problemas que eu enfrento ao bolar uma mesa no universo Marvel regular.

De toda forma, é apenas isso o que eu queria dizer com este artigo, mostrar o quanto estas duas versões novas do Universo Marvel, tem na minha opinião a capacidade de serem muito mais instigantes como cenário do que a versão original. E também chamar a atenção de forma sucinta a adversidade de se tentar narrar uma mesa em um cenário onde todos conhecem todos os segredos,e que é cheio de mais para que você possa desenvolver sua história em paz. Mas principalmente meu objetivo com este artigo era a vontade de discutir essa questão. Vocês, seja como narradores ou jogadores já vivenciaram este tipo de problema? Vocês acreditam que seja um problema (não descarto a hipótese de frescura minha)? E então?

12 opinaram!

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  1. Felipe. Muito bom ler algo seu de novo. Me surgiram questões, perguntas estimuladas pelo seu artigo. Acho que a, antes de mais nada, em qualquer caso, precisa se ter em mente que é um jogo. Sendo um jogo, tem regras. Uma das regras mais importantes não é a "regra de ouro", ou é mas vista de um outro prisma: É que precisa se ater as regras consensuais. No caso dos Universo Marvel 616 ou em Vampiro: A máscara (talvez mais do ultimo, que, por ser um jogo horror pessoal, PRECISA do mistério) é "fazer de conta" que não se sabe tudo. Claro que os jogadores podem entender ou ter uma ideia do que se passa, mas devem ao máximo estar abertos para que isso não atrapalhe a possiblidade da supresa.
    Décadas atrás mestrei um live chamado a Noite do Coringa. O plot básico é que o palhaço do crime havia sido curado em Arkham e havia se tornado, em poucos meses, o cidadão modelo numero 1 de Gotham, comprado uma casa noturna e estava dando uma festa onde varias pessoas importantes tanto da metrópole fictícia quato de todo Estados Unidos da DC. Eu apelidei o live de "noite da identidade secreta", pois pois por lado se você tinha Vicky Vale, Barbara Gordon, Harvey BUllock, René Moitoia, Lois Lane, Jimmy Olsen, Lex Luthor você tinha Bruce Wayne, Tim Drake, Helana Kyle, Clark Kent (!) e assim por diante. Em nome da diversão pessoas tentavam viver essa situação de estar se relacionando com o milionário de Gotham, com o pacato reporter do Planet Diario de Metropolis, etc. A graça era essa.

    Anos mais tarde mestrava a campanha inedita de lives continuos Rio by Night, precursora na cidade, afiliada ao nascente Brasil by NIght, ligada ao projeto mundial One World by Night. Recebi jogadores de varias partes do Brasil e até uma vez recebemos uma menina de Chicago. Bom, nessa época tentavamos afinar o discurso dos lives de diversas partes do pais em um só, o que parecia ser uma tarefa herculea e quase impossivel, pois, se dois narradores tem modos completamente diferentes de mestrar imagine centenas.
    Enfim, certa vez, já depois de 2 anos mestrando, recebi jogadores de Juiz de Fora no meu evento. Lá os mestres haviam criado um desses plots de crossover entre Vampiro e Lobisomem, que apesar da diretoria brasileira ter sido contra era a forma deles se relacionarem com seus jogadores, que eram, em sua maioria, mais fãs do segundo do que do primeiro jogo. A instrução que os jogadores receberam era que esse plot seria um segredo, pois ele deveria ficar dentro do projeto de lá.
    Porém, no meio de meu live, uma festa da Camarilla em um ambiente , enquanto que em outro os primogenitos estavam julgando as ações pregressas de um "ancião" de status (famoso player com ficha de ancilla que virou ancião no jogo e, eventualmente, foi pego nas areas movediças da politica) um jogador mineiro resolve abrir seu coração angustiado para o personagem de um neofito carioca. Ele conta TODO o plot secreto (e repudiado) sobre a coterie de vampiros "cavaleiros da umbra" .
    Antes do estrago ser total, meu jogador, que por sinal tinha um personagem que era um Neofito Brujah Hacker, que ja havia investigado varios misterios da minha cronica com sucesso veio conversar comigo. Sempre fui claro que, por se tratar de um jogo e portanto de algo que vc está brincando de faz de conta muito do que se sabe precisa ficar em casa para o bom andamento da cronica. Meu jogador chegou portanto pra mim e disse "mestre, um cara se aproximou de mim agora e disse isso, isso, e isso, e garou aquilo, e wyrm isso e formor aquilo outro. Eu posso considerar que esse cara tá surtado? Tá viajando?"
    Respirei aliviado, feliz pelo meu jogador ter entendido que mais importante do que saber tudo é zelar pela brincadeira respondi "deve! me dá sua ficha aqui: 3 pontos de xp, pronto pode ir"

    Enfim meu caro, não digo que se deve ser assim do jeito que entendo e fiz no passado, mas que, logico, se se mativer na cabeça que se trata de um jogo de criação de mundos, de literatura interativa como costumavamos chamar o RPG na epoca e não um campeonato entre jogadores a coisa pode ser amenizada.
    E diferente de outros RPGs mais abertos é super satisfatorio quando, por exemplo, entra em cena o principe ventrue da capital norteamericana que na verdade é um lasombra antitribu e todo mundo, especialmente os que leram essa informação, se divertem tratando ele como um Ventrue. E se divertindo com isso.

  2. Eu vou concordar com o Felipe e tambem com o Daniel.

    Primeiramente é verdade que o universo marvel atual é uma confusão só. E que se voce quiser/tentar colocar algum tipo de ordem cronológica voce tem que ignorar ou oque aconteceu (crônica nos dias atuais) ou o que vai acontecer (cronica nos anos 60), porque nenhuma explicação é aceitável para o Normam estar vivo por exemplo.
    Contudo eu acho que existe uma falta de bom senso de grande parte dos jogadores no sentido de cooperação pela o bom andamento de uma mesa.
    Eu joguei a algum tempo atras uma mesa de Gurps supers (marvel) que em muito não deu certo por muitos motivos. Contudo alguns me chamaram a atenção.

    primeiro não tinha muita logicas nas escolhas de ambientação. Eu acredito que voce deve escolher uma cenario. X-Men, Vingadores, Homem-Aranha, espacial. e fazer personagens que se enquadrem no perfil da ambientação. Não adiante tentar juntar um mutante com um deus Egípcio com um guerreiro urbano e colocar eles para enfrentar todo o tipo de vilão do universo Marvel. vai virar uma zona. é muita coisa e as possibilidades são infinitas, tanto os jogadores quanto o mestre vão se perder. cada um vai querer levar a coisa para o seu lado.
    – outro problema vem dos jogadores. nessa mesa a galera não se relacionava muito bem (dentro do jogo) ficou tudo uma bagunça. Ai uns não gostavam dos outros e não fizeram muito para trabalhar em equipe. Eu sei que muitas vezes o seu personagem pode odiar o outro e não ter muitos motivos para continuar, mas deve ser feito um esforço para que o jogo continue.

    Eu concordo com o Felipe o Universo Marvel é muito ruim para jogos de RPG, porem com a boa vontade dos jogadores e um certo controle do mestre tudo é possivel.

  3. Bem, a falta de mistério num cenário de terror, retira todo o terror. Na minha primeira mesa, ninguém conhecia nada, era misterioso, divertido. "Ó, a que clão será que aquele cara pertencia? Fujam! Fujam! Tem ALGO atrás da gente". Depois de ler vários livros, perde muito do mistério saber: aquele garou não tem chance contra meu dano agravado pela minha diciplina x. Mas, esse príncipe deve trabalhar para o cara tal, da facção tal, e do clã tal. A, o antediluviano da capalioniocia? Ele está dentro do corpo de Gary Gygax, que a verdade é o líder do clã malkav, que mora embaixo dos trilhos do metro de Nova York. O engessamento do cenário, mata a narrativa.
    Isso é diferente de tu saber que teu companheiro acabou de matar teus pais, e tu ter que fingir que não sabe disso. Ou que o cara que tá falando cotigo tá te contando balela, mas tu tem que interpretar que tá acreditando. Isso é divertido, e coeso.
    E sobre a desunião do grupo, como disse um jogador da minha mesa:"Tu sabe que se tu fosse um NPC tu já tava morto, por nós". às vezes, os jogadores tem de fingir não dar bola para uma coisa que outra, ou cometer um erro interpretativo proposital para o bom andamento do jogo.

  4. Acredito que o grande problema de se jogar em cenários onde tudo está definido não é a jogabilidade em si, pois como disse o Daniel pode ser divertido interpretar a falta de conhecimento dos personagens. A dificuldade está, como disse o rpizzoni, em se criar um clima de suspense. Ocorrer o jogo é possível, mas criar um clima de suspense e terror é muito difícil.

    Não acho que seja tão verdade assim que os jogadores venham a ficar chateados com mudanças fatuais que o mestre venha a fazer no cenário. Talvez os jogadores venham a se incomodar com mudanças conceituais em seus personagens favoritos: fazer o Homem-Aranha agir como um homicida irresponsável sem nenhuma justificativa deixaria muitos jogadores contrariados, mas se Harry Osborn está vivo ou morto pode ser definido pelo mestre sem problema nenhum. A própria cronologia confusa da Marvel ajuda nesse sentido: o Wolverine sabe ou não a identidade do Aranha? Mesmo antes de Um Novo Dia eu vi o carcaju descobrir a identidade do Aranha umas três vezes sem se lembrar das anteriores. Se a própria Marvel se contradiz, porque um mestre em sua casa não pode ajustar os fatos aos seus interesses? O jogador tem que ser muito chato pra se apegar a esses detalhes.

    Não concordo muito com o Pedro sobre a esolha da ambientação, ainda mais no Universo Marvel. Ele citou como inviável um grupo com um mutante, um deus egípcio e um guerrilheiro urbano. Ora, essa é uma equipe similar à maioria das formações dos Vingadores! Mutantes, deuses (nórdicos ou gregos) e soldados sempre integraram a equipe. E os vingadores, assim como os X-Men, atuam nas mais diversas esferas, tanto lidando com problemas locais quanto visitando outros planetas e dimensões, essa é uma faceta do jeito Marvel de fazer as coisas e um jogo e portanto é perfeitamente aceitável criar um jogo Marvel com essa proposta.

    Claro que para a coisa funcionar é preciso um entendimento entre mestre e jogadores para que a equipe não imploda. É a questão dos erros interpretativos em prol da mesa. Normalmente eu gosto de dar liberdade aos jogadores pra eles fazerem o que quiserem, mas agora vejo que numa mesa como essa é melhor manter as rédeas mais curtas e definir algumas diretrizes para que haja harmonia no grupo.

  5. É o chamado samba do criolo doido. Os cenários são completamente incoerentes que só suportam aventuras também incoerentes. Não vou me estender muito sobre isto, mas este problema ocorre em qualquer grande cenário onde existam muitos livros publicados, que os jogadores podem ter lido e o mestre não. Isto acaba jogando um lado contra o outro, o que é ruim.

    Muito bom o artigo bastante intrigante.

  6. Concordo com texto e comentários.

    Eu gosto de usar o cenário e me divirto sabendo algo e ignorando, mas se precisar mudo algo para o jogo ficar mais interessante, divertido.

    Olha eu até gosto de cenários cheio de coisas de todos os tipos, para mim ou se usa tudo, ou parte e se isola o resto, é simples!

    Mas cenários mais fechados também são interessantes, lhe dão o foco automático de como é o clima do jogo.

    Agora bom senso deve ser de todos, somos seres pensantes, podemos mudar, isolar ou acrescentar coisas quando vamos jogar, usar a criatividade.

  7. É mais ou menos assim que eu me sinto quando me desprendo dos quadrinhos da Marvel e da DC por um tempo (e tenho feito isso diversas vezes), fico ligado apenas no que tá rolando, mas não acompanho. E no final das contas é superdivertido poder ter por exemplo agora, um RPG de DC atualizado mais uma vez dentro desta nova Era de quadrinhos. DC Heroes e Marvel Super Heroes e o Marvel Super Heroes Adventure Game tinham aquele visual e conteudo bem anos 80 mesmo. Depois foi a vez do DC Universe e do Marvel Universe (primeiro e unico rpg publicado pela editora Marvel) tomarem o início do anos 2000. E todos aqueles personagens, historias e visuais foi atualizado também ignorando tudo aquilo o publico novo não faz questão de querer saber e que o antigo (não tão cabeçadura) não faz questão de lembrar.

  8. Assim, foi lançado recentemente o Silver Age Sourcebook para Mutantes e Malfeitores, também foi anunciado que a Green Ronin vai lançar um rpg da DC chamado DC Adventures que é baseado no M&M. Eu sugiro ler o suplemento sobre a Era de Prata porque ele lida também com essas questões de universos multiplos e bagunças cronologicas. Porque isso é evidente em toda editora de grande porte americana. Você tem anos de histórias com os mesmos personagens é inevitavel muita coisa legal sair, assim como muita porcaria. Ninguém acerta sempre. Ainda mais quando você tem troca de autores o tempo todo.

  9. Jogar RPG numa ambientação dessas não é se prender ao metagame e sim voltar os olhos para o que importa. A história atual daqueles personagens (mais ainda se são personagens novos e totalmente desligados a galeria de heróis e vilões conhecida). Não só o Silver Age Sourcebook, como diversos outros livros do M&M tratam desses assuntos com dicas ideais para não se ter esse tipo de indagação e acabar levando por favoritismo se uma editora ou outra é melhor em termos de ambientação para um jogo.

    Porque usei o M&M de exemplo? Porque o cenário de campanha Freedom City magistralmente criado por Steve Kenson também tem umas poucas dessas incoerências (ou pelo menos as deixa em aberto para que você as torne incoerentes :P) porque esse tipo de coisa faz parte de qualquer quadrinho. Para um cenário que nunca foi "quadrinizado" (com o perdão do uso de tal palavra), ele tem ANOS de detalhes que levam você a crer que em algum momento você se tornou leigo quanto a uma nova editora que nunca existiu com heróis e façanhas incríveis.

  10. Concordo sim que tudo precisa ter um fim e que quando isso acontece você tem aquela sensação de círculo completo. Mas desde que você não associe diretamente acontecimentos com a nossa realidade e tempo, você pode levar uma história por anos sem problema algum. Porque na sua mente aqueles 600 episódios podem ter sido ao longo de 1200 dias, ou seja pouco mais que 3 anos (observem que eu dobrei o número pra dar o devido descanso aos personagens :P). Agora quando você tem quase 80 anos de quadrinhos!! As coisas começam a ficar impossíveis. E você precisa se apegar aquela coisa legal que todo mundo precisar ter quando vai ao cinema ou lê um livro. "Suspensão de Descrença".

  11. Considerem isso quando jogarem suas próximas partidas, independente de se é ou não nos quadrinhos. Afinal é apenas um jogo, um quadrinho, um filme, uma ficção, uma…

    São jogos diferentes, destinados a trazer tipos de diversões diferentes que estão ligadas diretamente a sua época. Portanto creio que as pessoas precisam se divertir mais e se preocupar menos com macrouniversos e se ater mais aos microuniversos. Imagina se Heroes, tivesse 20 temporadas como os simpsons, ou como Plantão Médico ou pior tivesse quase 600 episódios como Gunsmoke. Nós não precisamos de pouco mais que 3 temporadas para ver as coisas desandarem e mesmo assim tem muita gente que vê e está gostando da temporada atual, porque simplesmente optou por ignorar certas coisas de temporadas passadas.

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Street Fighter

Publicado por Felipe Velloso

ColecionadorGibizeiroRepórterSuper-fãs

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