Distopia brasileira subestimada, 3% chega ao seu fim | Séries | Revista Ambrosia
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Distopia brasileira subestimada, 3% chega ao seu fim

A Netflix tem um catálogo tão extenso que é fácil se perder nele e acabar encontrando algumas coisas bastante interessantes. Entre elas, a série original brasileira, 3%, estrelada por Bianca Comparato, Vaneza Oliveira, Rodolfo Valente e outros.

3% começou como uma web serie criada por Pedro Aguilera em 2011, para o YouTube; o sucesso foi tal que não demorou muito para chamar atenção da gigante de streaming. Seria a primeira série original da Netlfix no país, lançada em 2016 como uma aposta e que marca a história da produção audiovisual brasileira.

Com quatro temporadas (2016, 2018-2020) 3% retratam muito as mudanças que aconteceram nesse período no Brasil e no mundo.

Sinope

Em um futuro não muito distante, o planeta é um lugar devastado. Aos 20 anos, todo cidadão recebe a chance de passar por uma rigorosa seleção para ascender ao Maralto, uma região farta de oportunidades. Porém, apenas 3% consegue chegar lá.

Quem reside no continente sofre com problemas sociais de bairros superlotados. Já na ilha, paradisíaca por sinal, seus moradores desfrutam de tudo, da plena tecnologia e de seus benefícios. Somente 3% de jovens que passam por uma seleção, o Processo, para chegarem a ilha.

A série nos coloca em um mundo pós-apocaliptico, dividido em dois: a minoria, que terá acesso a todos os avanços, e a grande maioria, que viverá reclusa em bairros pobres onde a doença e a fome maculam.

Os jovens se preparam ao longo da vida para enfrentar essa seção. Eles têm apenas uma chance e terão que passar em todos os testes para mostrar que realmente merecem estar entre os 3% da população.

Os testes são variados; feitos para colocá-los no limite; e os obrigarem a mostrar o que realmente estão dispostos a fazer para serem escolhidos.

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Distopia e Exclusão Social

É irônico que as séries da Netflix consigam sobreviver por mais tempo se apenas seus finais ousassem mais. Tramas pendentes, arcos de personagens não resolvidos e conclusões rápidas demais. Resultado é a perda de interesse pela sequência de cada temporada.

3% chega a sua quarta e última temporada, conquistando algo raro e cobiçado, boa vontade e cuidado na produção para chegar até aqui. O thriller brasileiro vem com mais sete episódios e termina da maneira certa.

Sobre a narrativa temos uma realidade que, apesar de ‘distopia’, possui muito em comum com a nossa realidade. A distopia é levada para algo que sentimos diariamente frente aos problemas sociais e políticos. Em especial, a segregação, que leva uma grande maioria em situação de exclusão social (lutas, competitividade, traições e mentiras) fazer o que for possível para sair da situação que vive.

A temporada final

A série recomeça não muito depois da 3ª temporada, numa sequência narrativa que não perde tempo em nos jogar no conflito final entre o Processo e os heróis ostensivos da série, agora que montaram um local de resistência, a Concha.

É uma estrutura clássica com um objetivo simples: muita ação e um final que com certeza polarizará os espectadores. A temporada se estende por sete episódios, sendo o último durando quase 75 minutos.

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A quarta temporada de 3% é dirigida por César Charlone; Daina Giannecchini; Dani Libardi; Jotagá Crema; que conseguem fazer um bom trabalho de modo geral.

Apesar da premissa, a série sempre foi ligada ao desenvolvimento de seus personagens; sendo mais evidente nessa temporada, com situações que ressaltam o discurso social forte.

Os personagens Michele (Bianca Comparato), Glória (Cynthia Senek), Marco (Rafael Lozano), Rafael (Rodolfo Valente), Joana (Vaneza Oliveira), Xavier (Fernando Rubro), Elisa (Thais Lago) e Natália (Amanda Magalhães) são levados ao longo dos episódios para destruir o domínio centenário do Mar Alto.

Desde a primeira temporada a série foi se expandindo aos poucos, com argumento impecável, acrescentando temas como espionagem, infiltração, sabotagem para a tomada de decisão final.

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Os flashbacks são comuns na série e servem como um adicional para completar as motivações dos personagens, que ganham peso a cada episódio.

As pontas soltas deixadas na temporada anterior são alinhadas; há um fan-service dentro dos sub-enredos pessoais que pode causar estranheza, devido aos clichês usados. E mesmo visualmente, a série sem ter um grande orçamento e efeitos especiais sofisticados, compondo as prerrogativas de uma boa série sci-fi.

Conclusões

Com um roteiro sólido e intenso, uma direção clara e senso de propósito, trilha sonora simbólica, a série que foi subestimada ganha mais intensidade nessa última temporada e amadurece num final digno de tudo que foi apresentado deste seu inicio, em 2016.

Satisfaz acompanhar uma conclusão fiel ao objetivo dos personagens e da produção, e em especial, por compor reflexões sobre nossa sociedade.

Cotação: Bom (3 de 5 estrelas)

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