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O Método Kominsky ecoa Two and a Half Men, porém com mais maturidade

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O Método Kominsky estreou sem alarde na Netflix. Chegou de fininho e conquistou indicações ao Globo de Ouro e ao SAG Awards, prêmio do sindicato dos atores de Hollywood. Como grande zebra, ganhou dois Globos de Ouro: de Melhor Série de Comédia e Melhor Ator em Série de Comédia. Afinal, qual o segredo de O Método Kominsky?
O segredo do método só nos é revelado ao final da primeira temporada, que tem apenas oito episódios e trata de velhice e amizade. O Kominsky do título é Sandy Kominsky (Michael Douglas, o ganhador do Globo de Ouro), um ator e professor de teatro convivendo com a filha e colega de trabalho, Mindy (Sarah Baker) e o melhor amigo, Norman Newlander (Alan Arkin). Norman é um agente que precisa enfrentar a perda da esposa, Eileen (Susan Sullivan), e o reencontro com a filha viciada em drogas, Phoebe (Lisa Edelstein). Entre os problemas da vida do próprio Kominsky estão um relacionamento com uma aluna, Lisa (Nancy Travis), um problema na próstata e uma questão pendente com a Receita Federal.

O criador de O Método Kominsky é Chuck Lorre, que também criou os grandes sucessos The Big Bang Theory, Two and a Half Men, Mom, Dharma & Greg e muito mais. The Big Bang Theory é criticado com acidez no primeiro episódio, acidez só permitida para quem é pai de ambas as atrações. E Two and a Half Men é a série com a qual O Método Kominsky mais se parece.
Assim como em Two and a Half Men, em O Método Kominsky predominam piadas criadas por e voltadas para um público masculino – a começar pelo protagonismo da próstata de Kominsky em alguns episódios. Sexo também tem alguma importância na trama, embora, felizmente, seja sexo não entre um homem maduro e uma mulher muito mais nova, mas sim entre Kominsky e Lisa, que têm mais ou menos a mesma idade. Por essas e outras coisas, O Método Kominsky se mostra como um Two and a Half Men com mais maturidade.
“Maturidade”, aqui, vem nos sentidos literal e figurativo. Sim, é uma série sobre a terceira idade. E é uma série menos “moleca” que Two and a Half Men. Charlie e Alan eram irmãos, mas não por isso unidos e confidentes. Sandy e Norman são amigos de longa data, já passaram por muita coisa juntos e não há quase nada que não digam um para o outro – de problemas com a próstata até exercícios kegel para o assoalho pélvico.

Além de propiciar a exploração de temas como perda, doença e relacionamentos, a velhice dos personagens traz outro tema interessante: a empregabilidade de atores mais idosos. Sandy Kominsky só consegue trabalhar como autônomo, dando aulas – ele não é mais chamado para representar em frente às câmeras. Outro ator comenta que ele mesmo precisa escrever um papel para si para ter trabalho – e aí vem uma crítica a todo um filão de filmes de ação. Ao resto dos atores de certa idade, sobram comerciais de hipoteca ou talvez de disfunção erétil.
E é interessante que sejam empregados na série tantos bons atores que já passaram dos sessenta anos: além de Douglas e Arkin, temos participações especiais de Elliott Gould, Ann-Margret, Danny Devito e Susan Sullivan.

Embora Michael Douglas seja o protagonista, em minha opinião Alan Arkin é o destaque. Seu arco narrativo é mais interessante, seu personagem tem um rosto sério, mas navega entre o humor ácido, a ironia e o drama puro e pungente. Seu Norman é um agente fora de moda, um pai em constante confronto com a filha, um amigo em crise e um homem que conversa com a esposa morta.
Começando de maneira morna, O Método Kominsky realmente brilha nos episódios seis e sete, em que a amizade entre Sandy e Norman é mais explorada – uma amizade que está cheia de brigas e desentendimentos, mas também de companheirismo e de apoio em todos os momentos.
O Método Kominsky já trouxe um debate interessante sobre envelhecer no mundo do entretenimento e fazer isso mantendo os laços de amizade bastante fortes. Embora uma série mediana – pior que a genial Barry, por exemplo, que derrotou no Globo de Ouro – ela merece ser vista pela maneira como chegou de mansinho e quebrou barreiras que precisam realmente ser transpostas na boa e, ironicamente, velha Hollywood.

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