“Ato I: ensaio sobre uma atriz que está ficando cega” no Sérgio Porto

Pensando a acessibilidade de maneira global, o solo “Ato I: ensaio sobre uma atriz que está ficando cega”, com atuação de Lais Lage, é uma performance sensorial e itinerante, inspirada nas vivências da atriz enquanto uma pessoa negra, periférica e PCD (baixa visão em ambos os olhos). Com direção de Wallace Lino e Bruma Machado, o projeto estreia em 25 de julho, no Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto. Serão apenas quatro apresentações (dias 25, 26, 27 e 28 de julho), todas gratuitas, com audiodescrição feita pela própria atriz e com um intérprete de Libras, além de acessibilidade para todo o público. A dramaturgia coletiva foi criada por Lais em parceria com Wallace e Bruma durante o processo de criação.

O espetáculo é itinerante e ocupa praticamente todos os ambientes do Espaço Cultural Municipal Sérgio Porto. Dividido em sete “módulos cênicos”, “Ato I: ensaio sobre uma atriz que está ficando cega” tem como ponto de partida o estacionamento (entrada pela Rua Humaitá), onde o público é recebido por Lais que conta curiosidades do seu lugar de origem, o bairro de Santa Cruz, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Ainda do lado de fora do centro cultural, explica que foi diagnosticada aos 12 anos com uma condição chamada ceratocone, doença que aponta para a possibilidade de cegueira em seu estado avançado.

A partir deste primeiro “módulo cênico”, o público embarca com Lais num reencontro com sonhos que não começaram ali. Primeiro, a atriz conduz o público por uma espécie de câmara com uma luz tão forte, que mal se pode ver. Em seguida, a cena se passa no espaço “a cegueira branca”, com lentes e objetos pendurados que podem ser tocados. No decorrer do percurso, as cenas vão revelando memórias, afetos, e a família da atriz é reverenciada em fotos e com uma música cantada pela avó, que sonhava em ser cantora.

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