"Carvão", da Cia.Sansacroma. Crédito Sérgio Fernandes
"Carvão", da Cia.Sansacroma. Crédito Sérgio Fernandes
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“Carvão” chega a São Carlos

Cia. Sansacroma apresenta o espetáculo “Carvão” nos dias 07 e 08 de agosto, quinta e sexta, às 20h, com entrada gratuita, no Teatro Municipal de São Carlos. O grupo apresenta uma coreografia-manifesto que investiga as narrativas do amor negro como ato político, filosófico e ancestral, atravessado por violências históricas e persistentes. 

Inspirado nos pensamentos da autora bell hooks, o espetáculo entende o amor não como romantização, mas sim, como uma prática de liberdade. Amar, para corpos negros, é um gesto radical de resistência à desumanização e uma recusa ativa às lógicas coloniais que tentam romper e apagar os laços afetivos e comunitários.

A obra parte da simbologia do carvão, aquilo que foi queimado, mas não destruído; uma matéria que resiste e permanece viva. Por meio dos movimentos de cinco intérpretes criadores em cena e da performance musical eletrônica ao vivo, o espetáculo constrói um território de afetos forjados entre cicatrizes e renascimentos.

“O carvão carrega em sua matéria a memória do fogo e a potência da permanência. É uma ruína que sustenta. É o corpo que, mesmo marcado, continua a produzir calor. O amor negro é esse carvão: forjado nas chamas do racismo, mas ainda assim, uma brasa viva que alimenta futuros possíveis”, comenta Gal Martins, diretora artística da Cia. Sansacroma.

Renato Nogueira, referência em estudos sobre afetos, diversidade, ancestralidade e pensamento crítico, nos lembra que o corpo negro é tempo de travessia, e que a ancestralidade pulsa como horizonte e origem. Em “Carvão”, o tempo se dobra e a coreografia se constrói sobre camadas de memória, onde o amor é rito de cura, de reinvenção e de insubmissão.

Os corpos em cena carregam a densidade das marcas do racismo, do que foi atravessado e a leveza de um afeto que insiste. A água, elemento cênico que dialoga com a densidade do carvão, representa o fluxo da ancestralidade e a possibilidade de cura. “É rio que carrega cinzas, lágrima que rega a terra, maré que embala os afetos negados, mas jamais apagados. A água tensiona sem silenciar, cura sem apagar e dissolve para transformar”, complementa Gal Martins.

Assim como o amor negro, ela escorre entre as frestas da história para inundar o agora com potência de vida. “Carvão” é uma dança feita de cicatriz e fluxo, de resistência mineral e correnteza ancestral. É um espetáculo que afirma o direito inegociável ao afeto negro, reivindica a completude do amor como prática coletiva. Porque, como diz bell hooks, “o amor é a única prática que pode nos levar além do medo – e o amor negro, mesmo queimado, não se rende: acende, renasce e transborda”.

Serviço

“Carvão” – Cia. Sansacroma

Datas: 07 e 08 de agosto

Horários: quinta e sexta, às 20h 

Local: Teatro Municipal de São Carlos | Rua 7 de Setembro, nº 1.735 – Centro – São Carlos/SP 

Entrada gratuita

Classificação: 16 anos

Duração: 60 minutos

@cia_sansacroma

Ficha Técnica

Direção Artística, Direção Coreográfica e Concepção do espetáculo: Gal Martins

Assistência de Direção: Paula Salles 

Intérpretes Criadores: Alma Luz Adélia, Bruno Novais, Lua Santana, Manuel Victor e Paula Salles

Direção e Performance Musical: Dani Lova

Preparação Corporal: Paula Salles e Gal Martins

Preparação Vocal: Klécio Miranda

Figurino e Visagismo: Gil Oliveira

Assistente de Figurino: Adélia Santos e Luamim Martins

Projeto e Operação de Luz: Renato Lopes

Cenografia: Caio Marinho

Cenotécnica: Katiana Aleixo

Assistente de Cenotécnica: Tadeu Paiva

Orientador de Pesquisa: Bruno Novais e Gal Martins

Direção de Produção: Vanessa Soares – Movimentar Produções

Assistentes de Produção: Dani Lova, Fábio Dias e Sara Santana

Designer Gráfico: Bruno Marcitelli

Fotografia: Inspiração 6

Redes Sociais: Rodrigo Alcântara – Dica Cultural

Assessoria de Imprensa: Marrese Assessoria

Terapeuta Convidada: Adriana Camilo

Intérprete de Libras: Mirian Caxilé

Agradecimentos: Fábrica de Cultura Jardim São Luís e Fábrica de Cultura Capão Redondo 

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