Captura de Tela 2026 03 09 às 15.35.20
AgendaTeatro

Pés-Coração estreia no Sesc Pompeia

Com direção de Luiz Fernando Marques e dramaturgia de Abel Xavier, espetáculo parte da cultura dos Rarámuri, povo indígena do México conhecido por percorrer grandes distâncias a pé

A partir de um olhar para um povo indígena que corre grandes distâncias a pé, o Coletivo Labirinto propõe uma reflexão sobre a condição latino-americana em seu novo trabalho, Pés-Coração. O espetáculo tem sua temporada de estreia no Sesc Pompeia no dia 12 de março de 2026.

O trabalho tem direção de Luiz Fernando Marques, o Lubi, e dramaturgia de Abel Xavier. Em cena, estão Carol Vidotti, Emilene Gutierrez e Wallyson Mota, além da artista convidada Allycia Machaca.


O interesse pelo povo Rarámuri surgiu durante o processo de montagem de Mirar – Quando os Olhos Se Levantam, o trabalho anterior do grupo. “A Emilene Gutierrez, integrante do coletivo, trouxe essa informação de que tinha um povo originário do norte do México que era conhecido por caminhar longas distâncias a pé, de correr por longos quilômetros, e que esse povo, inclusive, estava vencendo maratonas internacionais, contrariando todas as expectativas em relação a essa ideia de uma preparação convencional para a maratona. Então, essa primeira curiosidade foi o que nos chamou a atenção”, conta Wallyson Mota, um dos criadores do trabalho.

A partir dessa provocação, o Coletivo Labirinto, que há 13 anos sempre esteve em contato com questões e dramaturgias contemporâneas da América Latina, em temáticas mais urbanas, decidiu deslocar o foco de seu olhar para o novo trabalho. “Estar em contato com os Rarámuri propicia para nós fazer uma ponte, traçar uma linha transversal no tempo para nos colocar em contato com algo mais fundante da nossa identidade, das nossas características, do nosso modo de ser”, explica.

A partir desse novo foco, o grupo passou a se debruçar sobre questões como: por que um povo, uma coletividade corre? Para quem a gente corre? Com quem corremos? De quem corremos? Será que a corrida pode representar algum tipo de alegoria para a condição latino-americana?

“Quando começamos a estudar mais fortemente o povo Rarámuri, descobrimos alguns pesquisadores que afirmam que essa corrida constante também pode ter a ver com o processo colonizatório que os espanhóis impuseram ao México. Nós, latino-americanos, estamos sempre no corre, estamos sempre nesse movimento constante. Então, acho que essas são questões que ficam fortes da peça. E acho que discutir isso no palco, no nosso contexto hoje, é discutir processos históricos também. Por que os nossos povos são identificados com essa ideia da corrida? O que isso representa culturalmente, socialmente, politicamente?”, indaga Mota. 

O artista-criador ainda diz que o grupo passou a discutir a própria noção de tempo. “Quando a gente corre, de alguma forma, tem uma ideia de que está acelerando o tempo. Esse tempo está passando mais rápido. Então, tratar de corrida no âmbito latino-americano é também tratar do tempo, deste tempo. Nós compartilhamos este momento histórico, esta fatia de tempo, conjuntamente com o público. Acho que tem algo por aí também”, acrescenta.

Sobre o processo de criação da dramaturgia, Abel Xavier conta que o processo foi muito colaborativo. “Desde o início, Lubi propôs que nos embriagássemos das referências, das vontades e ideias para que fossemos construindo passo a passo durante os ensaios quais histórias e personagens poderiam dialogar com esse tema da corrida e do corre na América Latina. E, a partir dessas improvisações, fui desenvolvendo e lapidando a dramaturgia”, explica.

Xavier ainda revela que a dramaturgia também dialoga com a história do Coletivo Labirinto, que se dedica a pesquisar e debater a América Latina há tanto tempo. “Eu costumo dizer que dessa vez estamos nos fantasiando de Brasil para pensar essa América Latina, porque o texto, de alguma maneira, faz referência a essas imagens de brasilidade para tentar correr disso ou correr com isso para a construção de uma identidade latina possivel”, complementa o dramaturgo.

“São Paulo é uma cidade que vive um capitalismo tardio, das margens. Acho que a ideia de estarmos em grupo no teatro é um gesto no sentido de furar essa lógica e promover algum tipo de ponte entre nós e a cultura rarámuri, por exemplo. Porque há em ambos o desejo pela coletividade. Não pela individualidade. O coletivo de teatro é, de alguma forma, a ideia de um sonho comum, de um sonho conjunto. E observando os rarámuris, percebemos que a corrida muitas vezes não está atrelada a uma vitória individual, como no esporte. A corrida acontece muito como um modo de existir e um modo de compartilhar a vida. Juntos. Acho que, ao fazermos teatro, optamos por um modo de existir e um modo de compartilhar a vida também, nessa nossa coletividade”, compara Wallyson Mota.

Ficha Técnica

Pesquisa e Idealização: Coletivo Labirinto
Criadores: Abel Xavier, Carol Vidotti, Emilene Gutierrez, Wallyson Mota e Luiz Fernando Marques Lubi
Direção: Luiz Fernando Marques Lubi
Dramaturgia: Abel Xavier
Atuação: Carol Vidotti, Emilene Gutierrez e Wallyson Mota

Artista convidada: Allycia Machaca
Direção Musical e Trilha Original: Caetano Ribeiro

Músicos em cena: Caetano Ribeiro (guitarra, violão e voz) e Leandro Vieira (percussão e eletrônicos)

Canto: Allycia Machaca
Concepção audiovisual: Luiz Fernando Marques Lubi e Sol Faganello

Mapping, operação de vídeo e câmera: Sol Faganello

Edição vídeo Retiro: Tomás Franco

Atuantes: Alexandra Tavares, Camila Cohen, Daniela Alves, João Pedro Ribeiro, Lucas Bernardo, LuzMa Moreira, Paula Petreca, Renan Coelho, Sebastian Santamaria
Coreografia: Paula Petreca
Preparação de atores (Cena Passistas): Rhena de Faria
Cenário: Luiz Fernando Marques Lubi

Cenotécnico: Zé Valdir

Figurino: Emilene Gutierrez e Allycia Machaca

Visagismo: Fábia Mirassos

Adereços: Allycia Machaca

Fantasias Carnaval: Sérgio Cardoso Lopes

Desenho e operação de luz: Matheus Brant

Técnico e Operador de som: Tomé de Souza
Coordenação de Ensaio: Madu Arakaki

Fisioterapia: Leandro Faria

Pesquisa e Condução Retiro Artístico: Elias Cohen
Apoio Teórico: Gina Monge Aguilar
Mesas de Reflexão: Gina Monge Aguilar , Salloma Salomão, Monica Rodriguez Ulo, Paula Petreca, Paula Narvaez, Elias Cohen, Antonia Moreira, Andrezza Rodrigues e OWERÁ
Fotos: Tomás Franco
Assessoria de Imprensa: Pombo Correio

Redes Sociais: Jorge Ferreira e Hayla Cavalcanti

Estagiários Produção: Bento Carolina e Mariana Ruiz
Produção: Corpo Rastreado – Leo Devitto

Sinopse

Histórias da América Latina que correm por todo o espetáculo, construindo pistas de alguma identidade continental. Como o Brasil se vê latino-americano? Na obra, a corrida é vista como metáfora, numa tentativa de aproximação entre pés e corações das nossas personagens. 

Serviço

Pés-Coração, com Coletivo Labirinto

Temporada: 12 de março a 5 de abril de 2026

quinta a sábado, às 20h; domingos, às 18h; 

sextas (dias 13, 20 e 27/03), também às 16h.

Sessão extra: quarta, dia 01/04, às 20h. 

Dia 03/04, sexta-feira santa não haverá sessão – Sesc fechado

Sesc Pompeia – R. Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo

Ingressos: R$ 60 (inteira), R$ 30 (meia-entrada) e R$ 18 (credencial plena)

Deixe um comentário

Sugeridos
Lívia Feltre como Duende Dudú, Adriana Lessa como a Rainha da Neve e Carol Romano como Duende Dedé (Crédito João Pedro Hachiya)
AgendaTeatro

Rio Branco recebe “Sonho Encantado de Cordel, O Musical”

Com músicas originais de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, peça...

Captura de tela 2026 10 13
AgendaTeatro

Luiza Mariani estreia solo autoral O que meu peito carrega sobre mim

O texto da peça nasce de uma experiência pessoal de sua intérprete-autora...

Núcleo Pèrègun, formado por Carol Rocha Ewaci e Wellington Ngunga, participa do Poéticas Pretas 2026. Foto acervo do grupo
AgendaTeatro

Poéticas Pretas 2026 – Territórios em movimento

Com inspiração no pensamento da historiadora Beatriz Nascimento, o evento do NEABI/Célia...

Cinema CENTRAL Anos 1930 Acervo Fototeca Sioma Breitamn MJJF
AgendaFilmes

Os 130 anos da primeira sessão de cinema em Porto Alegre

  Em 5 de novembro de 1896, a primeira sessão de cinema de...

Captura de Tela 2026 10 15 às 15.08.45
Agenda

Atravessando Lugares no Rio de Janeiro

Com criação de Dyego Yamaguishi e Marília Mattos, espetáculo circense explora técnicas...

1 FESTA NO ARRAIAL O MUSICAL
AgendaTeatro

“Festa no Arraial, O Musical” desembarca em Brasília

Livremente inspirado em “Sonho de uma Noite de Verão”, de William Shakespeare,...

João Attuy como o Imperador Sábio, Adriana Lessa como a Rainha da Neve, Carlo Porto como o Rei Vaidoso e Guilherme Carvalho como Andersen (Crédito João Pedro Hachiya)
AgendaTeatro

Belém recebe o espetáculo “Sonho Encantado de Cordel, O Musical”

Com músicas originais de Paulinho Moska, Chico César e Zeca Baleiro, peça...

Diego Esteve e Yasmin Martins Mendes
AgendaFilmes

‘Festival Intl de Cinema de Carazinho’ chega a 2ª edição

Após o sucesso da primeira edição em 2025, o ‘Festival Intl de...

Oceano Limpo, Planeta Feliz
AgendaLançamentos

Lançamento do livro infantil “Oceano Limpo, Planeta Feliz”

O lançamento do livro “Oceano Limpo, Planeta Feliz” – Uma aventura para...

Captura de Tela 2026 10 15 às 15.23.10
Agenda

Retratos Brasileiros leva exposições para São Paulo

Retratos Brasileiros chega a São Paulo com exposições fotográficas ampliadas em quatro...

Priscilla Colombi em A Vingança é um Jardim Selvagem foto Adriana Marchiori
AgendaTeatro

“A vingança é um jardim selvagem” vai entrar em cartaz no iBT

  Pela primeira vez na capital paulista, A vingança é um jardim...

Captura de tela 2026 10 13
AgendaTeatro

Do Ventre à Cabeça, solo de Luiza Braga, estreia no Sesc Ipiranga

Com dramaturgia e atuação de Luiza Braga, e direção de Victor Mendes...

Écoute
AgendaShows

Buster Keaton em três curtas

Em apresentação única no Teatro B32, músicos franceses executam ao vivo a...

Squel Confissões de uma porta bandeira
AgendaFestivaisFilmes

‘Squel, Confissões de uma porta-bandeira’ participa da 50ª Mostra de São Paulo

Após se aposentar em 2022, Squel Jorgea decide voltar ao Carnaval do...

Foto Mariana Scofano Divulgação
AgendaTeatro

Mariana Scofano integra elenco de Heathers, o Musical, no Rio

A atriz Mariana Scofano integra o elenco de Heathers, o Musical, montagem...

JET TOUR PHOTO
AgendaShows

JET pela primeira vez no país

A espera de mais de duas décadas finalmente chega ao fim para...

Giovanna Adoracion
AgendaShows

“Jazz dos Muertos” estreia no La Esquina, na Lapa

Novo projeto abre espaço para talentos do Jazz, Latin Jazz, Bossa Nova,...

1 Fábio Rizental Crédito divulgação
AgendaShows

Fábio Rizental celebra legados da MPB

O aclamado guitarrista, compositor e cantor revisita clássicos de Milton Nascimento, Djavan...

Era Uma Vez o Rei – Grupo Pombas Urbanas Foto de Ricardo Avellar
AgendaTeatro

Teatro Comunitário reúne Brasil e Colômbia em Cidade Tiradentes

De 13 a 17 de outubro de 2026 (de terça-feira à sábado),...