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Redescobrindo brasis no RJ

Foto de Paulo Aragon (3)

Em janeiro chega aos palcos cariocas “redescobrindo brasis”, espetáculo que se propõe a recontar histórias de personalidades negras do país, que tiveram suas narrativas contadas a partir dos olhos da colonialidade, a partir do olhar delas, reescrevendo assim novas histórias e trazendo novos olhares. “redescobrindo brasis” é um projeto apresentado pelo Governo Federal, Ministério da Cultura, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Política Nacional Aldir Blanc pelo Edital Fluxos Fluminenses, e terá sessões em 30 e 31 de janeiro, sexta e sábado, às 19h, no Teatro Correios Lea Garcia, Centro (RJ). Ambos os dias terão interpretação em libras e no sábado haverá audiodescrição.

“A proposta do espetáculo inclui olhar para o Brasil que somos cada um de nós, também nos enxergando como protagonistas das nossas próprias narrativas enquanto sujeitos. A seleção partiu do processo de pesquisa e estímulo da direção com as atuantes. A partir disso, eles tiveram liberdade para escolher entre as figuras já mapeadas pela direção ou outras que tivessem interesse em recontar”, conta Capelloni, diretor do espetáculo.

A produção oferece a oportunidade de recontar as vidas de figuras como Madame Satã, Stéla do Patrocínio, Lélia Gonzalez de Oxum, Xica Manicongo e Carolina Maria de Jesus personagens cuja trajetória foi marcada por versões contadas através do olhar do colonizador. Neste espetáculo, é devolvida a essas vozes a chance de desfazer as mentiras e estereótipos que lhes foram impostos, permitindo que eles mesmos contem sua própria história.

“Os livros de histórias contam a partir da perspectiva da branquitude, do saber hegemônico, muitas vezes sem considerar a subjetividade das pessoas negras. Contar sob nova ótica nesse contexto é possibilitar um olhar negro para essas narrativas. Quem assistir “redescobrindo brasis” pode esperar um espetáculo que mergulha com profundidade e afeto nas histórias trazendo uma nova lente que nos permite ver as personalidades negras como elas realmente são: potência, resistência, multiplicidade e personalidades”.

Estrelado por Aryelle, Glass, Karla Muniz Ribeiro, Matheus Marins e Paulla Mello, “redescobrindo brasis” tem direção cênica e musical de Capelloni e preparação de elenco de Tatiana Henrique, com produção da Onã Cultural, produtora da cidade de Nilópolis na Baixada Fluminense que tem na construção de caminhos e promoção de encontros o seu propósito. A instituição fundada em 2021 por Aryelle, Capelloni e Paulla Mello desenvolve trabalhos em múltiplas vertentes artísticas tendo o teatro, música, audiovisual e dança como principais. Este é o segundo espetáculo autoral da produtora, que anteriormente circulou com “Morena?”.

Um dos objetivos da produtora é envolver atores e atrizes negros da Baixada Fluminense com experiência em teatro, oferecendo visibilidade e oportunidades de atuação em um projeto relevante no cenário cultural carioca, e descentralizar a produção teatral, apresentando o espetáculo tanto em grandes centros como no centro do Rio de Janeiro quanto em áreas periféricas, como a Baixada Fluminense, democratizando o acesso à cultura.

“Ter uma equipe artística em cena e direção integralmente da Baixada Fluminense é fundamental nesse caminho de ‘redescobrir brasis’. Uma vez que a Baixada é um território marcado midiaticamente pelas ausências, possibilitar mostrar qualidade técnica, pesquisa e narrativa em alto nível para nós é corroborar com esse caminho de recontar histórias. Chegar com um trabalho forjado nesse território é dizer que as ausências existem, mas que as nossas potencialidades vão muito além e que estamos nesse movimento de retomada pelo nosso lugar”, conta Capelloni.

“redescobrindo brasis” é um espetáculo em dois atos. O primeiro traz para o centro da cena algumas personalidades históricas, criando paralelos entre os atuantes e os personagens em um jogo com o público. O segundo ato traz a redescoberta de si, com um momento de reflexão sobre outras possíveis histórias que poderiam ser contadas aqui e a redescoberta de si, a percepção de cada um de nós como retalho de brasil com compartilhamento das narrativas pessoais dos próprios atuantes.

“Esperamos que o público aproveite e viva intensamente a experiência, possibilitando mergulhar nas histórias e perceber que ‘somos muito mais do que teu olho branco pode ver’. A ideia é que o público saia munido de mais informação e da percepção de que nós somos muitas coisas, para além do que a grande mídia e a história tradicional tendem a escrever sobre as nossas trajetórias”, completa Capelloni.

SERVIÇO

Temporada: 30 e 31 de janeiro

Local: Teatro Correios Lea Garcia

Endereço: Rua Visconde de Itaboraí, 20 – Centro, Rio de Janeiro

Classificação: 12 anos

Duração: 80min

Ingressos: R$20 (inteira), R$10 (meia)

Link de venda: https://bileto.sympla.com.br/event/115205/d/359744/s/2429247

Ficha Técnica

Direção, Direção Musical e Dramaturgia: Capelloni

Texto: Aryelle, Capelloni, Glass, Karla Muniz Ribeiro, Matheus Marins e Paulla Mello

Músicas: Aryelle, Capelloni, Glass, Karla Muniz Ribeiro e Paulla Mello

Elenco: Aryelle, Glass, Karla Muniz Ribeiro, Matheus Marins e Paulla Mello

Preparação de Elenco: Tatiana Henrique

Figurino: Aryelle

Costureira: Gisele Cristine Araújo

Iluminação: Filipe Magalhães e Sandro Demarco

Operação de Iluminação: Filipe Magalhaes

Identidade Visual: Mari Dantas

Fotografia: Berro INC e Paulo Aragon

Registro Videográfico: Berro INC

Assistente de Comunicação e Produção: Ivy Magalhães

Estagiária de Comunicação: Brenda Vasconcellos

Assessoria de Imprensa: MercadoCOM (Ribamar Filho e João Agner)

Consultoria de Acessibilidade: Rita Valentim

Audiodescrição: Cinema Falado

Assistente de Produção e Administração: Ketelen Luiza

Idealização, Produção e Comunicação: Onã Cultural

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