Sutil Companhia dança em domo geodésico em novo espetáculo

A obra coreográfica Olha pra Mim, da Sutil Companhia de Dança, de Curitiba (Paraná), destaca-se por sua cenografia singular: um domo geodésico que serve como elemento central da performance. Com mais de cinquenta apresentações realizadas em diversas cidades brasileiras, além de México, Argentina e Paraguai, o espetáculo volta a São Paulo para duas únicas apresentações…


A obra coreográfica Olha pra Mim, da Sutil Companhia de Dança, de Curitiba (Paraná), destaca-se por sua cenografia singular: um domo geodésico que serve como elemento central da performance. Com mais de cinquenta apresentações realizadas em diversas cidades brasileiras, além de México, Argentina e Paraguai, o espetáculo volta a São Paulo para duas únicas apresentações – 7 e 8 de junho, sábado às 20h e domingo às 18h – no Sesc Santana.

Com direção, concepção e coreografia de Ádia Anselmi, que está em cena ao lado de Rubens Vital, Olha pra Mim é uma obra que convida o público a uma reflexão profunda sobre o olhar e a presença, utilizando a dança como meio de expressão e conexão.

Inspirado na palestra homônima do psiquiatra brasileiro Ângelo Gaiarsa sobre as necessidades humanas, a montagem mergulha na intimidade do olhar – o risco, o refúgio e a busca por um pertencimento. Olha pra Mim revela a vulnerabilidade do indivíduo por meio da dramaturgia corporal dos artistas, em danças fluidas e íntimas, que insinuam um desejo primário pulsante na inquietude das relações humanas.

Para isso, o espetáculo incorpora um elemento cenográfico marcante, um domo geodésico, estrutura arquitetônica reconhecida por sua forma esférica composta por triângulos interligados. Essa estrutura semiesférica serve como palco e metáfora visual, simbolizando a busca por conexão e a exposição do ser humano ao olhar do outro. Os bailarinos interagem com o domo, dançando sob e ao redor dele, explorando a vulnerabilidade e a intimidade das relações humanas.

Experiência imersiva

Desde sua estreia em 2018, Olha pra Mim tem instigado reflexões profundas sobre o olhar, a presença e a vulnerabilidade. Para a diretora e coreógrafa Ádia Anselmi vivemos em uma cultura que clama por ser olhado, paradoxalmente, pouco nos permitimos realmente ver – ou deixar que o outro nos veja.

“A obra, empírica, foi concebida a partir da escuta do corpo em movimento, da relação direta com o olhar do outro e do encontro. A partir disso surge a experiência entre artistas e público e é nesse gesto de entrega – de olhar e ser olhado – que algo se transforma, escapa da superfície e alcança o essencial”, explica Ádia.

A utilização do domo geodésico permite uma experiência imersiva, onde o espaço cênico se torna parte ativa da narrativa corporal. Essa escolha cenográfica destaca-se por sua originalidade e profundidade simbólica, ampliando o impacto emocional da performance.

Concebido por Max Delly, o domo não apenas delimita o espaço cênico, mas funciona como um espaço simbólico de refúgio, exposição e encontro. A estrutura, ao mesmo tempo aberta e protetora, permite que os bailarinos investiguem a relação entre interior e exterior, entre o visível e o oculto, reforçando a dramaturgia corporal da obra.

Serviço:

Olha pra Mim

Com a Sutil Companhia de Dança

7 e 8 de junho, sábado, 20h e domingo, 18h.

Sesc Santana – Av. Luiz Dumont Villares, 579 – Jardim São Paulo, São Paulo.

30 minutos | 14 anos | R$18 a R$60 (disponíveis pelo app e site Credencial Sesc SP ou presencialmente nas bilheterias das unidades Sesc).


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