Captura de tela 2025 07 08
AgendaTeatro

Vermes Radiantes no Sesc Pompeia

Uma poderosa e ácida crítica social, com humor perspicaz, Vermes Radiantes, do poeta, dramaturgo e roteirista inglês Philip Ridley, ganha uma versão brasileira inédita, dirigida por Alexandre Dal Farra. O espetáculo tem sua temporada de estreia no Sesc Pompeia, de 17 de julho a 10 de agosto, com apresentações de quinta a sábado, às 20h; aos domingos, às 18h, e às sextas, também às 16h.

A peça, protagonizada por Maria Eduarda de Carvalho e Rui Ricardo Diaz, com múltiplas contribuições do ator e músico Marco França, trata do poder de supressão do outro. Trata do que podemos nos tornar se cooptados pela ideia distorcida de ascensão, colocando em xeque até onde estamos dispostos a seguir para realizar os nossos mais ínfimos desejos. 

A partir da aldeia onde sobrevivem nossos protagonistas, a montagem convida o espectador a um exercício estranho, que diverte, mas também aterroriza: refletir sobre a ideia do humano transformado em matéria de ascensão, mediante ao sacrifício ou aniquilamento do outro.

Vermes Radiantes por Alexandre dal Farra:

“Alguns anos atrás, talvez uma ou duas décadas, o tema da gentrificação se tornou um assunto recorrente no teatro brasileiro – mas não apenas nele, na sociologia e na arquitetura também. 

A construção da Sala São Paulo – teatro de concertos de nível internacional, no coração do centro da cidade, em meio a uma estação de trem e no meio de um território da cidade completamente “degradado” (leia-se, ocupado por populações desfavorecidas) – e o uso desses aparelhos de cultura como meio para revitalizar o centro, em projetos como o famigerado Centro Vivo, virou objeto de teses e estudos importantes no início dos anos 2000. 

Muito se teorizou sobre a função da cultura como ponta de lança nesse tipo de processo. Otília Arantes e Mariana Fix são dois nomes que abordaram este assunto: sobre como sobre como a cultura é a primeira a chegar para abrir espaço para as classes médias começarem a ocupar ruas antes ocupadas por pessoas de classe baixa, que fomentavam a abertura de restaurantes, que faziam pessoas de classe média se mudarem para a região, que aumentavam o preço dos imóveis, e assim por diante. 

Esse processo, chamado gentrificação, que alterava em questão de poucos anos regiões inteiras da cidade e fazia com que populações inteiras fossem mais e mais deslocadas para as franjas da cidade, era assunto frequente de conversas, papers, peças de teatro e mesmo filmes daqueles anos. 

Como ocorre com frequência, o conceito, depois de abordado, foi largamente utilizado e, depois de alguns anos – no máximo uma década – simplesmente saiu de moda. 

O processo que ele descrevia, no entanto, não só não deixou de acontecer como continuou se radicalizando mais e mais. A gentrificação na cidade de São Paulo e no mundo desde então só fez crescer em progressão geométrica, bairros inteiros sendo completamente transformados, a quase totalidade de seus moradores sendo substituídos – Vila Madalena, Santa Cecília, mais recentemente Barra Funda e Bom Retiro – e no entanto, simplesmente deixamos de falar nisso, porque o conceito saiu de moda. 

Hoje, talvez, vivamos no momento de maior intensidade e brutalidade desse processo, não só no Brasil, mas no mundo. É nesse contexto que se torna fundamental uma obra como Vermes Radiantes, que explicita com imensa precisão e ironia mordaz ao extremo os meandros dessa lógica voraz e assassina – algo que, numa cidade como São Paulo, é o nosso pão de cada dia. Mas Ridley não faz só isso. Seus personagens, fazendo a roda viva da autorreprodução do capital girar, e sendo girados por ela, desdobram também a linguagem, e a fazem girar na espiral louca e impossível do capital que é louco e enlouquece, e que não acaba. 

Nessa festa potencialmente infinita, entramos em contato com as entranhas mais brutalmente expostas de uma lógica que não sabe acabar – e que acaba, agora, em tempo real, com o mundo.” 

Sinopse

Jill e Ollie querem contar para vocês sobre a casa dos sonhos – ou melhor, sobre como eles conseguiram a casa dos sonhos. Algumas coisas que eles fizeram para isso talvez não tenham sido legais. Tem gente que vai dizer que foram até mesmo chocantes. Mas eles vão explicar. Vocês vão entender. Vocês PRECISAM entender. Escutem a história e me digam: Vocês não fariam o mesmo?

Ficha Técnica 

Autor: Philip Ridley

Tradução: Diego Teza

Direção: Alexandre Dal Farra

Elenco: Rui Ricardo Diaz, Maria Eduarda de Carvalho e Marco França

Idealização: Rui Ricardo Diaz e Maria Eduarda de Carvalho

Iluminação, Preparação de Elenco e Assistência de Direção: Lucas Brandão

Cenografia: Stéphanie Fretin e Camila Refinetti

Figurino: João Marcos de Almeida

Direção Musical: Marco França

Direção de Produção: Bia Goldenberg

Fotografia e Projeto Gráfico: Matheus Ramalho

Técnico e Operador de Som: Alexandre Martins

Assistência de Figurino e costureira: Daiane Martins

Cenotécnicos: Wanderley Wagner e Fernando Zimolo

Intérprete de Libras: Wesley Leal

Produção: Raiz de Oito, Quincas, Nem Freud Explica

Serviço

Vermes Radiantes, de Philip Ridley. Tradução: Diego Teza

Temporada: 17 de julho a 10 de agosto
De quinta-feira a sábado, às 20h, e aos domingos, às 18h*

*Há também sessão vespertina às sextas-feiras, às 16h

Sesc Pompeia – Teatro – Rua Clélia, 93 – Água Branca, São Paulo

Ingressos: R$ 60 (inteira), R$30 (meia-entrada) e R$18 (credencial plena)

Vendas online em sescsp.org.br/pompeia

Classificação: 16 anos

Duração: 90 minutos

Acessibilidade: Teatro acessível a cadeirantes e pessoas com mobilidade reduzida. 

Sessões com tradução em Libras aos domingos.

Deixe um comentário

Sugeridos
Sp criancas passeio cinema b32 up 01
AgendaFilmesInfantil

Cine Concerto apresenta UP: Altas Aventuras

Uma jornada emocionante que une o filme e a execução ao vivo de...

Cartas Amarelas Derya (Özgü Namal) e Aziz (Tansu Biçer) crédito Ella Knorz Autoral Filmes (3)
AgendaFestivaisFilmes

‘Cartas Amarelas’, vencedor de Berlim, no Festival do Rio

Dois longas da Autoral Filmes são destaques no Festival do Rio deste...

Elenco de Café, Almoço, Jantar - Crédito fotográfico Vantoen Pereira Jr
AgendaTeatro

“Café, Almoço, Jantar” chega à Casa de Cultura Laura Alvim

Com Fátima Patrício, Gabriel Breves, Aldo Perrotta e Renato Albuquerque no elenco,...

Foto 1 VivaSivuca
AgendaShows

Viva Sivuca” leva clássicos do compositor à Acaso Cultural

Claudia Castelo Branco celebra a obra de Sivuca em show na Acaso...

4BB Ralando Coco (pintura), de Li Monteiro (AL) crédito Li Monteiro
AgendaArtes Visuais

4ª Bienal Black Brazil Art anuncia calendário

A Bienal Black Brazil Art (BB) é uma iniciativa brasileira dedicada à...

Valentina Lisitsa 2 Photo Daniil Rabovsky g
AgendaClássicosMúsica

5ª edição do Festival Chopin em São Paulo

Dia 3 de outubro, sábado, às 20h30, começa o Festival Chopin 2026,...

GOnzaguinha é
CríticasTeatro

“Gonzaguinha é” retrata o “Pescador de Ilusões” no Rio

Há de se celebrar, sempre, um artista como Gonzaguinha e sua obra,...

Placebo
AgendaMúsicaShows

Placebo retorna ao Brasil em 2027

Em fevereiro de 2027 o Brasil volta a receber Placebo para quatro...

2026 09 16 DEPOIS DA CHUVA ELENCO ©HELOISA BORTZ 538 PRESS
AgendaTeatro

Depois da Chuva no Ágora Teatro

Realização dos produtores João Ibaixe Jr. e Jonathan H. Marcantonio para texto...

A Construção crédito Nil Caniné (16)
AgendaTeatro

 “A Construção”, solo com Marcelo Olinto, reestreia no Teatro Municipal Sérgio Porto

Escrita por Franz Kafka (1883-1924) seis meses antes de sua morte e...

Capitu e Bentinho foto de Eder Gaioski (3)
AgendaTeatro

“Capitu e Bentinho” estreia no Teatro Dulcina

Qual seria o casal mais célebre da literatura brasileira? Qual relação mexeu...

Squel Jorgea em “Squel, Confissões de uma porta-bandeira" - crédito: Donna Features
AgendaFestivaisFilmes

‘Squel, Confissões de uma porta-bandeira’ ganha première no Festival do Rio

Após se aposentar em 2022, Squel Jorgea decide voltar ao Carnaval do...