AcervoCríticasSériesTV

"American Crime Story: Versace" traz a origem e o irônico fim de um serial killer

American Crime Story O Assassinato de Gianni Versace

O estilista Gianni Versace foi assassinado no portão de sua casa em julho de 1997. O assassino era o serial killer Andrew Cunanan. Esta é a história dele – e, também, de suas vítimas e dos defeitos de sua época.

Gianni Versace é interpretado por Edgar Ramírez. Penélope Cruz vive Donatella Versace e Darren Criss interpreta Andrew Cunanan. Outras vítimas de Cunanan foram Jeff Trail (Finn Wittrock) David Madson (Cody Fern) e Lee Miglin, aqui interpretado por Mike Farrell. Isso – ou talvez bem menos do que isso – é tudo que você deve saber antes de mergulhar na história de American Crime Story: Versace.

Se a primeira temporada da série optou por focar no que acontece depois de um crime – o julgamento e as estratégias de ambas as partes – a segunda temporada preferiu contar a história de origem de um serial killer em flashback. O que leve alguém a cometer uma série de crimes? O que foi influenciado pela vida familiar, e o que é pura psicopatia? E como se sente um criminoso acuado pela polícia, após seu grande crime? Estas são perguntas que você provavelmente nunca se fez, mas que percebeu que faziam sentido e que você precisava das respostas para elas.

Ryan Murphy disse que queria fazer um retrato da cena homossexual dos anos 90, e o fez com maestria. Obviamente, temos muitas doses de preconceito, inclusive sequências com exemplos na Marinha americana e na Igreja Católica, que são dolorosas porque são reais.

Em outra ocasião, um personagem conta como os homossexuais são sempre culpados por tudo de ruim que possa vir a acontecer com eles. Por isso, crimes contra homossexuais eram ignorados e a polícia pouco se esforçava para investigá-los – algo semelhante foi visto no telefilme The Normal Heart (2014), também de Ryan, sobre os primeiros anos da epidemia da AIDS. Se Andrew não tivesse matado um estilista mundialmente conhecido, provavelmente seguiria fazendo mais vítimas sem que houvesse comoção. Será que algo realmente mudou desde então?

Ryan moldou a série, mas fez isso enquanto produtor executivo. Ele não roteirizou nenhum episódio, e dirigiu apenas o primeiro da temporada. Foi como se desse o pontapé inicial para um jogo emocionante. Tom Robin Smith coescreveu todos os nove episódios com diferentes colaboradores, e três outros diretores se revezaram, entre eles a colaboradora constante de Ryan, Gwyneth Horder-Payton, e o ator Matt Bomer, fazendo sua estreia na direção justamente no episódio mais esclarecedor.

Já sabíamos, desde Glee, que Darren Criss é um ator carismático e talentoso. American Crime Story: Versace só veio para solidificá-lo como um dos grandes talentos da trupe de Ryan Murphy.Um dos grandes destaques da série é a escolha sempre certeira e a caracterização minuciosa para que os atores se pareçam muito com as pessoas que estão interpretando.

Uma das melhores performances vem de Joanna Adler, interpretando a mãe de Andrew, Mary Ann, que pode até ser ignorada na próxima temporada de premiações, mas que com certeza merecia ao menos uma indicação como a brilhante coadjuvante que interpreta.

Há sempre uma oposição entre as realidades de Andrew Cunanan e Gianni Versace. Gianni aprendeu, ainda pequeno, que era preciso trabalhar duro para ter seu talento reconhecido. Andrew, quando criança, aprendeu que era especial e por isso merecia tudo de bom e do melhor. Esta, explorado no episódio 8, é a mais óbvia das oposições. Outras são metafóricas, criadas pelas escolhas da direção de arte, do figurino e da fotografia.

A vida de Gianni é opulenta, cercada de luxo. A de Andrew é crua, apesar de também contar com riquezas. O diretor de fotografia destaca o amarelo-ouro das coisas de Gianni, e o amarelo-pálido da vida de Andrew.

Muitas pessoas reclamaram de que a série, por se chamar The Assassination of Gianni Versace: American Crime Story, tratava muito pouco sobre o estilista e o impacto que sua morte teve na marca, que passou então a ser administrada por sua irmã, Donatella. Para a escolha do título, há duas explicações.

A primeira é óbvia, mercadológica: trata-se de um nome conhecido. É mais fácil atrair o público para ver a segunda temporada associando-a a Versace. Mesmo quem não se lembra do crime já ouviu falar do estilista.

A outra explicação é deliciosamente sádica: Andrew Cunanan cometeu crimes para que seu nome fosse lembrado. Vinte anos depois, é feita uma série de TV sobre o assassino e seu modus operandi – e, mesmo assim, seu nome não aparece no título. Não é digno de aparecer no título. É como se Ryan Murphy se vingasse, em nome de toda a comunidade homossexual dos anos 90, e falasse para Andrew que seu nome não merece ser lembrado. Brilhante, não?

 

Deixe um comentário

Sugeridos
Vmas madonna charli
MúsicaNotíciasPremiaçõesTV

VMA 2026 apresenta apenas seis categorias ao vivo e frustra brasileiros

Prêmio Latino, que tinha Anitta entre os indicados, não é exibido durante...

Madonna VMA
MúsicaNotíciasPremiaçõesTV

VMA 2026: como assistir à premiação ao vivo no Brasil

Madonna fará sua primeira performance nos VMAs desde 2003 A edição 2026...

Breaking Bad
ListasSériesTV

As melhores séries do século 21 pelo NYT

O The New York Times conduziu uma votação com mais de 500...

Lanternas
SériesTrailersVideos

Lanternas ganha novo trailer com Sinestro e Guy Gardner

Lanternas segue com três episódios para o final da primeiro temporada, mas...

Rock in Rio horário dos shows
FestivaisMúsicaShowsTV

Rock in Rio 2026: saiba os horários e como assistir aos shows de graça

Veja como acompanhar o evento completo na TV por assinatura, no streaming...

Nosso Segredo Cinema Filme BSBArt 2 1024x549
CríticasFilmes

Nosso Segredo: A Materialização do Luto e a Casa-Quilombo de Grace Passô

Duas décadas após transformar o teatro brasileiro com a peça Amores Surdos,...

Coyote vs. acme
CríticasFilmes

‘Coyote vs. Acme’ é sagaz na proposta e no desenvolvimento

Longa resgata a nostalgia dos desenhos clássicos em uma sátira inteligente que...

Gaivota 24 JoaoGabrielMonteiro
CríticasTeatro

Excelente montagem de A Gaivota, de Tchekhóv

O Armazém Companhia de Teatro está de volta com uma nova montagem...