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Precisamos falar sobre “Transparent”

Transparent é um excepcional cartão de visita da Amazon para se tornar relevante no (novo) mercado dramatúrgico, da qual o NetFlix abriu um bom precedente, e sim, revolucionou o nicho de conteúdo pago.

Criada por Jill Soloway (de United States of Sara) e estrelada pelo ótimo Jeffrey Tambor, a série aborda a vida de Mort, ou Maura, que resolver assumir para a família – uma ex-mulher, duas filhas e um filho – sua transsexualidade. Jill criou a história quando, há três anos, seu próprio pai, um psiquiatra, decidiu ser travesti. Essa revelação, segunda ela, ampliou a espacialidade comportamental do mundo em que vive e viveu até ali. E a série é o resultado disso.

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Na verdade, a série é brilhante por ampliar a ideia de auto descoberta (e as consequências disso) para toda a família, bem como Jill disse ter assimilado um episódio pessoal, para seu exercício autoral. O roteiro não só humaniza seus indivíduos como trata suas particularidades para dar sentido a forma disfuncional com que a família vai tentando se reconfigurar. Enquanto Mort/Maura vive a dor e a delícia de viver plenamente sua identidade, seus filhos partem desse conflito paterno para olharem para si e verem o quão borrado estão suas certezas pessoais. E a forma como esse entrelaçamento familiar é feito, com uma certa amoralidade indie, é deliciosa de se acompanhar, ao mesmo tempo tão inteligentemente densa, dentro de seu universo próprio, mas muito universal.

A direção é elegante e despojada, os diálogos são complexos e os atores estão ótimos (detalhe para atuação de Gaby Hoffmann, de “Girls“, como Ali, a filha cool, inconstante e conflituosa de Maura). Transparent é mais uma série que tornou 2014 um ano fértil para a teledramaturgia americana, independendo do tipo de veículo. E mais ainda, coloca a Amazon em perspectiva dos amantes de boas histórias.

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