Em depoimento exclusivo sobre o fenômeno da Netflix, o idealizador do projeto detalha a construção da estética comercial da série e como símbolos espanhóis ganharam o mundo.
A identidade visual de uma obra pode ser tão crucial para o seu sucesso quanto um bom roteiro. No caso de La Casa de Papel, o macacão vermelho, a máscara de Salvador Dalí e a resistência da canção Bella Ciao transcenderam as telas para se tornarem verdadeiros símbolos de uma geração na cultura pop global através da Netflix. Mas como exatamente essa estética marcante foi definida? Durante a Rio2C 2026, que acontece na Cidade das Artes, no Rio de Janeiro, o criador e roteirista da série, Javier Gómez Santander, revelou à Ambrosia que no início, o fenômeno internacional sequer era esperado e que a icônica máscara quase teve o rosto de Dom Quixote.
Perguntado por nós em conversa organizada para jornalistas no evento sobre como surgiu a ideia das máscaras e dos uniformes icônicos, Santander respondeu que, curiosamente, trabalhariam com o amarelo a princípio. Optaram pelo vermelho “que não é uma cor que fotografa muito bem”, brincou, explicando que é “uma paleta muito escura ao fundo que La Casa de Papel tinha um pouquinho exposta, bom, toda essa linha gráfica e, dentro disso, estava claro que os assaltantes iam colocar uma máscara”. E seguiu contando: “Então, houve várias, houve muitas propostas, eh, no final chegaram, decidiu-se que tinha que ser algo muito espanhol. Ignoro o porquê agora, porque naquele momento era tipo, bom, eh, não pensávamos que a série ia ser vista fora do país, né? Mas parecia sim que era algo que devia ter uma certa identidade iconográfica nossa, e Dom Quixote e Salvador Dalí chegaram à final.”
“Então vimos esses, e o rosto do Dalí admitia um pouquinho mais de humor, de deboche, de ironia, né? Era um pouco mais picante, e aquele bigode que depois, claro, quando se constrói e funciona, também acaba sendo iconográfico, né? E a outra decisão, eu acho, desses pequenos símbolos que a série tem são a cor vermelha como uma bandeira, a máscara como um escudo e o terceiro elemento é o hino, que é o que as pátrias têm: bandeira, escudo, hino. E o hino era Bella Ciao, que chega um pouquinho depois. Pois com essas três coisas se construiu uma imagem comercial da série muito, muito eficaz.”
Lançada inicialmente na televisão espanhola com uma recepção modesta, La Casa de Papel encontrou seu verdadeiro apogeu ao chegar ao catálogo da Netflix, transformando-se em um fenômeno cultural global sem precedentes. O triunfo esmagador da série estruturou-se na combinação viciante de um roteiro ágil, típico dos grandes suspenses de assalto, com a profundidade de personagens anti-heróicos e carismáticos que desafiam diretamente o sistema financeiro. Mais do que uma narrativa cheia de reviravoltas, a produção consolidou seu impacto ao forjar uma iconografia icônica.
Tamanho foi o engajamento do público que esse universo continuou a se expandir mesmo após o fim da trama principal, gerando remakes internacionais e spin-offs, como a série prelúdio focada no personagem Berlim.








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