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True Blood, mais uma vez, perde fôlego em sua quarta temporada

A série True Blood, sucesso aqui e lá fora, anda passando por aquele previsível (e como…) processo de desgaste de sua trama como um todo. Fato este, já muito explícito na fraquinha terceira temporada e reforçado agora com este irregular quarto ano.

Eu, particularmente, não leio os livros da saga The Southern Vampire Mysteries, da escritora Charlaine Harris, e minha base é puramente dos episódios da série na TV. Por isso é gritante o desnível das primeiras duas temporadas, onde o termo bizarro ganhava uma dimensão muito própria e divertida, para essas duas últimas, onde os caminhos narrativos esbarravam ora da preguiça, ora numa tenra mediocridade.

Nesta última, o universo dos vampiros, depois dos lobisomens, dos metamorfos e até das fadinhas, foi invadido agora pela bruxaria. Eu acho um barato esse liquidificador de mitologias clássicas, até porque a natureza ensandecida do projeto tem abertura para esse tipo de devaneio. E desse hibridismo podem sair possibilidades até curiosas. O que não é o caso por aqui.

A trama envolvendo magia negra de bruxaria mexicana foi tão mal construída que no final há um antagonismo entre duas vilãs que na verdade só existia pela evocação de uma delas (e desde o início da temporada). Além disso o relacionamento da personagem Sookie (Anna Paquin) com o vampiro Eric (Alexander Skarsgard) – de zumbi – foi catastrófico, assim como essa “punhetação dela com o vampiro Bill (Stephen Moyer), que mais parece recurso dramatúrgico de novela de época. Ainda bem que, mal ou bem, ainda tem o humor esperto de Jason Stackhouse (Ryan Kwanten).

Não é possível imaginar o que passa pela cabeça da equipe de roteiristas, mas é salutar que existe um enfraquecimento até na formatação dos personagens (alguém pode explicar o que vem acontecendo com Lafayette, personagem de Nelson Ellis). O que só nos faz temer o que pode vir na já confirmada quinta temporada, em 2012.

No final o que redime a série é o traquejo de seu criador, Allan Ball, que salpica aqui e ali, ranços do velho suspense, da boa comédia involuntária e dos irresistíveis ganchos que nos seduzem, ainda que por segundos. Ou seja, True Blood acaba sendo (ou acabou se transformando) condizente com seu quase homônimo Tru Blood: puro placebo de efeitos instantâneos.

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  1. “Por isso é gritante o desnível das primeiras duas temporadas”

    As primeiras temporadas usavam mais dos livros como base. A medida que foi passando o tempo, eles foram distanciando o texto cada vez mais da obra literária, o que acabou também prejudicando a qualidade da série.
    Talvez as mudanças no último episódio (que deve levar a uma grande alteração no elenco) sejam uma tentativa de diminuir esse distanciamento, retirando personagens que não existiam ou eram muito diferentes nos livros.

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