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Entre o homem e o mito, “Homem da Aço” fica com a histeria

O homem e o mito. Um bom filme de super herói, para além de todo emaranhado de clichês que carrega em si, deve saber levar em conta a complexidade desses dois matizes.
A prerrogativa de “Homem de Aço” era animadora: reunir na criação os responsáveis pelos melhores filmes do gênero (leia-se Trilogia Batman e Watchmen) com o intuito de uma reimaginação da clássica história do Superman. O diretor Zack Snyder é hábil ao aliar estética com as construções dramáticas de seus personagens. Isso fico bem claro na ótima primeira hora do filme. A linha dramática que justifica nosso novo Superman é bem realizada, com notável beleza fotográfica e boas sacadas.
Mas aí o roteiro começa a ficar esquizofrênico e o filme vai me lembrando muito a trilogia Matrix: começo promissor, onde um homem faz de sua busca por identidade, uma espécie de sentido para a vida (de todos), passa pela fase de estabelecimento dessa identidade e as consequências que isso traz para quem ele realmente é (Matrix Reloaded), e termina justificando tudo por uma espécie de Mad Max de suas resoluções, onde tudo vira a gratuidade de explosões e destruições sem a menor contextualização narrativa (e essa não é a marca maior de Matrix Revolutions?).

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Henry Cavill é uma herói típico de Chris Nolan: verossímil dentro do que propõe. Até a Lois Lane da maravilhosa Amy Adams esbanja um carisma definitivo na franquia. Mas infelizmente isso não é o bastante para que o filme se redima dos excessos que comete. Curioso que mesmo com toda entourage por trás, a superprodução não tenha qualquer identidade: não se vê o conhecido rigor de Nolan, muito menos a precisão de Snyder. Com um vilão que se resume ao arquétipo (Michael Shannon, consegue ser maior que a concepção errônea de seu papel), o que vemos é uma banalização do clímax, que enfraquece nitidamente sua resolução. O que fica de tudo? entre o homem e o mito, “Homem de Aço” ficou com a histeria, deixando a sensação de que o que tem a mostrar deve ficar para uma esperada continuação…

[xrr rating=3/5]

 

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Publicado por Renan de Andrade

Renan de Andrade

A paixão pelo audiovisual me pegou de assalto desde o berço. Assim como a necessidade de desbravar o alcance da comunicação. Formado em Jornalismo e atuando nas áreas de roteiro e direção na TV, sinto-me cada vez mais imerso nos matizes da arte (audiovisual) e da vida (comunicação).

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